12 de agosto de 2026

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Conselhos precisam supervisionar o uso da inteligência artificial nas empresas

Geral Governança 12/08/2026 11:22 Lourenço Marchesan - Assessoria de Imprensa da Sustentalli

Especialista em governança alerta que conselhos de administração precisam supervisionar decisões automatizadas antes que a IA se transforme em risco jurídico, reputacional e estratégico

Os conselhos de administração das empresas podem estar diante de uma nova fronteira de responsabilidade: a delegação silenciosa de poder às inteligências artificiais. A avaliação é da especialista em Governança Corporativa e ESG, Eliana Camejo, vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli. Segundo ela, muitas empresas já usam sistemas de IA em processos importantes sem ter clareza sobre limites, supervisão, rastreabilidade e responsabilização.

Para Eliana, a questão deixou de ser apenas se a empresa usa inteligência artificial. A pergunta central agora é outra: que decisões a organização já permitiu que a IA influencie, recomende, priorize ou automatize e quem responde por isso

  • IA pode influenciar decisões importantes sem supervisão adequada
  • Conselhos precisam criar regras claras para o uso de algoritmos
  • Falta de governança pode gerar riscos jurídicos e de imagem
  • Empresas devem definir quais decisões podem ser automatizadas
  • Governança da IA deve envolver várias áreas, não só a tecnologia

Quando a inteligência artificial passa a ranquear currículos, classificar clientes, sugerir preços, recomendar fornecedores, priorizar atendimentos, apoiar decisões de crédito, produzir comunicações ou influenciar respostas em situações de risco, ela deixa de ser apenas uma ferramenta operacional. Ela passa a exercer poder dentro da organização. E todo poder corporativo precisa de governança.

A especialista chama esse fenômeno de procuração algorítmica, ou seja, a delegação prática de poder a sistemas automatizados sem que exista, muitas vezes, uma autorização formal, uma matriz de alçada algorítmica ou uma supervisão estruturada pelo conselho.

Por que isso importa para os conselhos

Para a Conselheira de Administração, o tema deve entrar na agenda dos conselhos porque se conecta diretamente ao dever de diligência, à gestão de riscos, à integridade, à reputação, à estratégia e à perenidade das organizações.

Não estamos dizendo que conselheiros precisam saber programar ou validar tecnicamente algoritmos. O ponto é outro. Conselheiros precisam saber perguntar, supervisionar e exigir controles proporcionais ao risco. Se a IA já influencia decisões sensíveis, o conselho não pode tratar o assunto como uma pauta exclusiva da área de tecnologia.

Riscos da IA sem governança

Entre os riscos associados ao uso de IA sem governança estão discriminação algorítmica, uso inadequado de dados, decisões pouco transparentes, impactos trabalhistas, falhas em atendimento, erros de comunicação, danos reputacionais, responsabilização jurídica e perda de confiança de clientes, fornecedores, colaboradores e investidores.

O que as empresas devem fazer

A especialista defende que as organizações criem uma matriz de alçada algorítmica, capaz de definir quais decisões podem ser apenas apoiadas por IA, quais podem ser automatizadas, quais exigem revisão humana obrigatória e quais jamais deveriam ser delegadas integralmente a sistemas automatizados.

Essa matriz também deveria indicar quem aprova o uso da IA, quem monitora os resultados, quem audita eventuais vieses, quem responde por falhas, quais fornecedores operam os sistemas, onde os dados ficam armazenados e como a empresa documenta decisões automatizadas.

Governança não existe para impedir inovação. Existe para dar sustentação à inovação. A inteligência artificial pode gerar eficiência, produtividade e competitividade, mas sem supervisão pode criar riscos invisíveis até o momento em que eles se tornam uma crise. Na avaliação da conselheira, empresas que adotarem IA sem clareza de responsabilidade podem enfrentar questionamentos crescentes de mercado, órgãos reguladores, colaboradores, clientes e sociedade.

O conselho não será cobrado por entender cada linha de código. Mas poderá ser questionado se não demonstrar diligência sobre uma tecnologia que já influencia decisões relevantes em nome da organização. Para Eliana, a governança da IA deve ser tratada como tema transversal, envolvendo tecnologia, jurídico, compliance, recursos humanos, sustentabilidade, comunicação, riscos e conselho de administração. A inteligência artificial já chegou às empresas. Agora precisa chegar oficialmente à governança.