Relatório da OIT mostra que 67 milhões de jovens de 15 a 24 anos estão sem trabalho. No Brasil, a maioria dos jovens está em funções de comércio e serviços que estão em transformação.
No Dia Internacional da Juventude, celebrado em 12 de agosto, um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelou que o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos atingiu 12,4% no mundo em 2025, o que representa 67 milhões de pessoas sem trabalho. Ao mesmo tempo, as profissões que tradicionalmente serviam como porta de entrada para o primeiro emprego estão diminuindo.
Divulgado em 11 de agosto, o relatório Global Employment Trends for Youth 2026 mostra que a proporção de jovens que não estudam, não trabalham nem se qualificam (NEET) subiu para 20%, chegando a mais de 257 milhões de pessoas. Entre 2023 e 2025, o desemprego juvenil aumentou em oito das onze sub-regiões analisadas pela OIT.
- 67 milhões de jovens estão desempregados no mundo.
- No Brasil, 84% dos jovens ocupados estão em funções genéricas, como vendedor e escriturário.
- Profissões administrativas e de vendas estão encolhendo, dificultando a entrada no mercado.
- A inteligência artificial está transformando tarefas, mas ainda não é possível medir o impacto total.
- Para especialistas, é preciso preparar os jovens para funções mais complexas.
As ocupações que mais perdem espaço são as administrativas, de escritório, vendas e serviços, além de algumas atividades técnicas. Essas funções eram consideradas o primeiro degrau na carreira de muitos jovens.
O que dizem os especialistas
Para Virgilio Marques dos Santos, PhD pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S, startup de educação e consultoria, o encolhimento dessas vagas é um alerta: O jovem entrava, aprendia como uma organização funciona, desenvolvia repertório e construía experiência. Quando esses postos somem, a porta de entrada fica mais estreita justamente para quem ainda não tem experiência, afirma.
O cenário é mais grave em algumas regiões. Os Estados Árabes têm a maior taxa de desemprego juvenil, com 26,2%, seguidos pelo norte da África, com 22,6%. Na América do Norte, a taxa subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. Na Europa, ficou em 15%.
Santos ressalta que apenas a taxa de desemprego não conta toda a história: Precisamos ver em quais funções os jovens estão entrando. Se as ocupações tradicionais estão desaparecendo, aumenta a exigência para quem está começando. O jovem precisa estar preparado para tarefas que exigem mais análise.
A situação no Brasil
Os dados brasileiros não fazem parte do relatório da OIT, mas um diagnóstico do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com dados de 2026, mostra que 84% dos 13,9 milhões de jovens ocupados de 14 a 24 anos estão em funções generalistas de comércio e serviços.
As duas ocupações que mais empregam jovens são balconistas e vendedores (1,24 milhão) e escriturários gerais (1,07 milhão). Essas áreas estão entre as que mais sofrem com a transformação tecnológica.
Santos alerta: Uma parte importante dos jovens brasileiros está começando em funções que passam por mudanças tecnológicas. Isso não significa que vão desaparecer amanhã, mas o começo da carreira está acontecendo em um mercado diferente do de gerações anteriores.
Inteligência artificial e o futuro do trabalho
A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados por jovens de 15 a 29 anos estão em áreas altamente expostas a mudanças causadas pela IA. Muitas delas coincidem com funções administrativas e de escritório que vêm perdendo espaço desde 2023.
No entanto, a OIT evita atribuir diretamente o desemprego à IA. Santos concorda: Existe uma tentação de colocar a IA como explicação para tudo. Os dados não permitem isso. O que sabemos é que a tecnologia está transformando tarefas e os jovens estão entrando em um mercado que já mudou.
Ao mesmo tempo, cresce a demanda por ocupações técnicas em ciência, saúde e engenharia. Algumas portas diminuem, outras surgem exigindo conhecimentos específicos. O jovem precisa construir competências para avançar quando a função de entrada mudar, completa Santos.
Sobre o relatório
O relatório Global Employment Trends for Youth é publicado pela OIT desde 2004 e traz indicadores do mercado de trabalho jovem. A edição 2026 foi lançada em 11 de agosto, véspera do Dia Internacional da Juventude.

Desemprego Imagem gerada por IA


