Mais da metade dos brasileiros terá nódulos na tireoide ao longo da vida, mas apenas uma pequena parcela representa risco de câncer. Especialista explica como lidar com o diagnóstico e quando a cirurgia é necessária.
Os nódulos na tireoide afetam até 67% das pessoas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), 90% a 95% desses nódulos são benignos, ou seja, não são câncer. Apenas 5% dos casos correspondem a câncer de tireoide, geralmente de bom prognóstico quando diagnosticado precocemente.
Segundo a médica especialista em cabeça e pescoço, Dra. Silvia Picado, o chamado "boom" de diagnósticos não reflete necessariamente um aumento real da incidência da doença. "O que vemos é o impacto da maior disponibilidade de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia e ressonância. Muitos nódulos são descobertos incidentalmente, durante investigações por outros motivos", explica.
- Nódulos na tireoide são muito comuns: até 67% das pessoas podem ter.
- Mais de 90% dos nódulos são benignos, ou seja, não são câncer.
- O diagnóstico geralmente é feito por exames de imagem, como ultrassom.
- A maioria dos nódulos não precisa de cirurgia, apenas acompanhamento.
- Descobrir um nódulo não significa ter câncer.
Como é feito o diagnóstico
Essa realidade traz um desafio: lidar com a ansiedade dos pacientes que associam automaticamente nódulo a câncer. A Dra. Silvia reforça que a informação baseada em evidências é fundamental para reduzir o medo. "Descobrir um nódulo não significa receber um diagnóstico de câncer. Temos protocolos bem estabelecidos para diferenciar os casos que precisam apenas de acompanhamento daqueles que exigem investigação mais detalhada", afirma.
Campanhas de esclarecimento
Campanhas de esclarecimento têm papel essencial nesse cenário. Elas ajudam a combater a desinformação, orientam sobre quando procurar avaliação médica e reforçam que a maioria dos nódulos é benigna. Além disso, promovem decisões mais conscientes entre médicos e pacientes, evitando tanto o excesso de exames quanto cirurgias desnecessárias.
Quando a cirurgia é necessária
O acompanhamento periódico costuma ser suficiente para nódulos benignos e estáveis. Já a cirurgia é indicada em situações específicas, como suspeita ou confirmação de malignidade, crescimento acelerado, compressão de estruturas do pescoço ou produção excessiva de hormônios. "Nem todo nódulo precisa ser operado. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando critérios clínicos e ultrassonográficos", conclui a Dra. Silvia.
O recado principal é que os nódulos de tireoide são comuns, mas raramente representam ameaça grave. Informação de qualidade e acompanhamento adequado são as melhores ferramentas para transformar o medo em tranquilidade.

Ilustração de tireoide


