10 de agosto de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Pesquisa ajuda prefeituras a tomar decisões mais acertadas

Geral Pesquisa 10/08/2026 15:19 Francine Ferreira - Palco Inteligência de Negócios

Saiba como o uso de dados e pesquisas pode melhorar a gestão pública, ajudando prefeitos e gestores a escolher prioridades e usar melhor o dinheiro público. Entenda o caso de Porto Alegre e a nova ferramenta TerriData.

Em meio a escolhas cada vez mais complexas sobre prioridades, orçamento e impacto das políticas públicas, cresce a necessidade de gestores governamentais recorrerem a evidências para compreender problemas, organizar demandas e tomar decisões mais consistentes. Esse foi o eixo da palestra Decidir com Evidências: o poder da pesquisa na gestão pública, apresentada pela Palco Inteligência de Negócios na última semana, durante o Noroeste Summit, em Horizontina (RS).

Conduzida pelas sócias-fundadoras da Palco Inteligência de Negócios, a doutora em Administração Mariana da Rosa e a mestre em Administração Juliana Saboia, a palestra discutiu como dados, escuta estruturada e análise territorial podem apoiar gestores na definição de prioridades, na implementação de políticas e na avaliação de resultados. A abordagem parte da ideia de que a pesquisa não substitui a decisão, mas contribui para que ela seja tomada com mais clareza sobre problemas, públicos afetados, riscos e critérios de execução.

  • Pesquisas ajudam a separar o que é um problema real do que é apenas uma percepção.
  • O uso de dados pode evitar que decisões importantes sejam tomadas apenas por pressa ou influência.
  • Uma pesquisa sobre o Centro Histórico de Porto Alegre ouviu 155 cidadãos e 87 entidades.
  • O Tribunal de Contas da União apontou que 55% das políticas federais têm monitoramento fraco.
  • A nova ferramenta TerriData cruza informações do IBGE com pesquisas locais para ajudar gestores.

Para Mariana, na gestão pública, decidir significa escolher entre demandas legítimas, recursos limitados, pressões urgentes e interesses que nem sempre convergem. Sem evidências, essas escolhas tendem a ser orientadas pelas demandas mais visíveis, por pressões imediatas ou por percepções individuais, o que pode reduzir a capacidade de planejamento e de resposta a problemas estruturais, destaca.

O tema ganha relevância em um contexto no qual o setor público ainda enfrenta desafios para transformar informação em evidência sistemática. No Relatório de Fiscalizações em Políticas e Programas de Governo 2025, o Tribunal de Contas da União apontou que, em 55% das políticas federais avaliadas, as estruturas de monitoramento e avaliação não eram atendidas ou eram atendidas apenas parcialmente, dificultando a produção de evidências para tomada de decisão, transparência, acompanhamento contínuo e ajustes tempestivos.

Percepção e evidência

Neste cenário, um dos principais papéis da pesquisa é ampliar a compreensão sobre situações antes que o caminho pela solução seja definido. Problemas públicos complexos dificilmente podem ser compreendidos a partir de uma única fonte de informação. A pesquisa permite organizar diferentes olhares, separar percepção de evidência e identificar o que é demanda pontual, o que é recorrente e o que precisa ser tratado como prioridade, afirma a doutora em Administração.

Durante a apresentação, as palestrantes destacaram que evidências não eliminam escolhas políticas ou institucionais, mas tornam mais claros os critérios envolvidos. Ao identificar convergências, divergências e recorrências entre diferentes públicos, a pesquisa ajuda a explicitar quais decisões ainda cabem à gestão: quais ações executar primeiro, como distribuir recursos, que públicos priorizar e quais resultados buscar no curto, médio e longo prazo.

A pesquisa não orienta apenas o que fazer. Ela também ajuda a definir como comunicar, quem precisa ser mobilizado, quais barreiras podem surgir e quais indicadores devem acompanhar a implementação. Uma boa decisão pública precisa conseguir demonstrar que problema pretende enfrentar e como seus efeitos serão observados ao longo do tempo, reforça Juliana.

Centro Histórico de Porto Alegre

Um dos exemplos abordados foi a pesquisa desenvolvida pela Palco sobre o Centro Histórico de Porto Alegre, que combinou múltiplas fontes para construir uma leitura mais ampla do território. O estudo considerou diferentes públicos e setores, incluindo setor público, iniciativa privada, Academia, comunidade e terceiro setor, além de percepções de moradores, trabalhadores e frequentadores. Ao todo, foram 87 entidades e 155 cidadãos respondentes, bem como 183 participantes em workshop.

A partir desse tipo de escuta, a pesquisa pode revelar que determinados problemas não são isolados. No caso de edificações vazias, por exemplo, a apresentação apontou relações com insegurança, baixa circulação de pessoas, burocracia, legislação desatualizada, baixa densidade residencial, falta de serviços, pouca atratividade econômica e mobilidade. A leitura reforça que soluções isoladas tendem a ser insuficientes quando os desafios são interdependentes.

Palco Tech e inteligência territorial

A atuação nesse campo também se conecta à Palco Tech, braço de tecnologia da empresa voltado ao desenvolvimento de soluções de inteligência territorial e apoio à tomada de decisão. Uma das iniciativas é o TerriData, infoproduto criado para apoiar governos e agentes públicos na leitura estratégica dos territórios.

A ferramenta cruza dados secundários, como informações do IBGE e de outras bases públicas, análises territoriais, pesquisa primária, autodiagnóstico da gestão pública e indicadores de expectativa e necessidade de cada região. A proposta é reunir diferentes camadas de informação para apoiar diagnósticos mais consistentes e decisões mais conectadas à realidade local.

De acordo com Mariana, o TerriData nasce da compreensão de que o território precisa ser lido por diferentes perspectivas, tendo em vista que dados públicos são fundamentais, mas ganham mais força quando combinados com escuta, análise territorial e compreensão das necessidades específicas de cada região.

O desafio não é apenas reunir dados, mas transformar essas informações em critérios úteis para a gestão. A tecnologia ajuda a organizar camadas de evidência, mas a decisão continua exigindo análise, priorização e capacidade de execução, finaliza Juliana.

Sobre a Palco Inteligência de Negócios

A Palco Inteligência de Negócios é uma empresa sediada em Porto Alegre (RS) que atua com pesquisa de mercado, inteligência de negócios e estratégia aplicada. A empresa apoia organizações em decisões de crescimento, posicionamento, expansão e inovação, combinando método, análise de contexto e interpretação de dados para transformar informações em direcionamentos concretos.

Com atuação em pesquisa de mercado, assessoria em gestão estratégica e modelagem de negócios, a Palco trabalha com empresas e lideranças que precisam compreender melhor seus clientes, concorrentes, oportunidades e cenários antes de tomar decisões relevantes. Fundada a partir da experiência das sócias em docência, pesquisa e consultoria, a empresa defende decisões sustentadas por evidências e ajuda negócios a reduzir o peso do achismo em movimentos estratégicos.