A atualização da NR-1 reforça a importância de escritórios voltados ao bem-estar e às novas formas de trabalho
A discussão sobre saúde mental no ambiente corporativo não está restrita às áreas de Recursos Humanos e Segurança do Trabalho. Ela também influencia a arquitetura. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em maio de 2026, determinou que as empresas passem a identificar e gerenciar os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Embora a norma não estabeleça mudanças específicas nos projetos arquitetônicos, ela reforça a importância de ambientes capazes de oferecer mais conforto, concentração e bem-estar.
A nova redação da NR-1 amplia o gerenciamento de riscos ocupacionais ao incluir, de forma expressa, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, considerando aspectos ligados à organização e às condições de trabalho que possam afetar a saúde dos trabalhadores.
Para a arquiteta e designer de interiores Rose Chaves, a arquitetura participa dessa discussão porque o ambiente interfere diretamente na rotina de quem trabalha. Embora a NR-1 concentre sua atenção na organização do trabalho, os projetos arquitetônicos também podem contribuir para a qualidade da experiência dos colaboradores ao criar ambientes mais confortáveis e adequados às diferentes atividades desenvolvidas ao longo da jornada.
- A NR-1 é uma norma que trata da segurança e saúde no trabalho, e foi atualizada para incluir os riscos psicossociais, como estresse e ansiedade.
- Ambientes com muito barulho, pouca luz ou falta de espaço para concentração podem aumentar o cansaço e diminuir a produtividade.
- Pequenas mudanças, como reorganizar móveis ou melhorar a iluminação, podem ser feitas sem grandes reformas.
- O uso de plantas e materiais naturais ajuda a deixar o ambiente mais acolhedor.
- Mesmo em lojas e espaços comerciais, é possível adaptar o layout para melhorar o conforto de quem trabalha e de quem é atendido.
"A arquitetura não resolve questões de gestão, mas consegue eliminar muitos fatores de desconforto presentes na rotina. Um ambiente com excesso de ruído, iluminação inadequada ou falta de espaços para concentração interfere na forma como as pessoas trabalham.", afirma.
Segundo Rose, esses princípios também podem ser aplicados em lojas, showrooms e espaços comerciais de atendimento, que costumam operar com plantas abertas. Nesses casos, o desafio não é criar salas fechadas, mas organizar o layout para oferecer mais conforto, melhor desempenho acústico e áreas de atendimento com maior resguardo, sem comprometer a circulação dos clientes.
"O funcionamento de uma loja é diferente de um escritório convencional. O consultor recebe o cliente, conversa em uma mesa, circula pelo showroom, apresenta produtos, busca amostras e retorna ao atendimento. O projeto precisa acompanhar essa dinâmica e criar conforto para quem trabalha e para quem está sendo atendido."
Além da distribuição dos ambientes, detalhes do projeto também influenciam a experiência dos usuários. O tratamento acústico reduz a propagação dos ruídos, a iluminação natural ajuda a diminuir o cansaço visual, o mobiliário ergonômico favorece jornadas mais confortáveis e a presença de vegetação, materiais naturais e áreas de apoio contribui para criar espaços mais acolhedores.
A arquiteta explica que essas soluções não exigem, necessariamente, grandes reformas. Em muitos casos, a reorganização do layout, a criação de pequenas áreas reservadas e melhorias na iluminação já proporcionam mudanças perceptíveis na rotina de trabalho.
Nos ambientes comerciais, essas adaptações podem acontecer mesmo em espaços totalmente integrados. O aumento da distância entre as mesas de atendimento, o uso de painéis ripados, vegetação, expositores baixos e materiais com melhor desempenho acústico ajudam a criar mais conforto e um resguardo visual e sonoro durante o atendimento, sem perder a característica aberta da loja.
A atualização da NR-1 consolida uma discussão que já vinha ganhando espaço na arquitetura corporativa. Embora a norma não determine soluções de projeto, ela reforça a importância de ambientes de trabalho planejados para apoiar conforto, ergonomia, concentração e diferentes formas de utilização dos espaços.
"Algumas empresas imaginam que promover bem-estar significa construir grandes áreas de descompressão. Nem sempre é isso. Muitas vezes, reorganizar o layout, melhorar a acústica ou criar pequenos pontos de apoio já transforma a experiência de quem trabalha, seja em um escritório ou em um espaço comercial", conclui Rose Chaves.
Sobre a especialista
Rose Chaves está no segmento de arquitetura e design de interiores há mais de 30 anos. É especialista em pisos e revestimentos e sua paixão é transformar ambientes em arte seguindo sempre as principais tendências, mas sem deixar de lado a exclusividade que cada cliente merece. Rose já realizou mais de 600 projetos e está à frente da Prime Revest, loja conceituada de revestimentos localizada em Santo André, São Paulo.

Divulgação/Criada por IA




