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Superdotação pode vir acompanhada de baixo rendimento, desatenção e problemas emocionais

Geral Superdotação 10/08/2026 10:20 Paulo Novais - Tinteiro Assessoria de Imprensa

Especialista explica que crianças com altas habilidades nem sempre têm boas notas, e mostra como a falta de identificação e apoio pode afetar a vida escolar, a autoestima e o desenvolvimento emocional.

Quando se fala em superdotação, a imagem que vem à cabeça é a da criança prodígio: aquela que toca um instrumento desde cedo, resolve cálculos difíceis ou tira notas altas em tudo. Mas isso é só uma parte da história. As Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) podem aparecer de vários jeitos e nem sempre são percebidas na infância.

Ter facilidade para aprender, ligar informações rápido, ser criativo, muito curioso e achar soluções originais são alguns sinais que podem surgir em diferentes momentos da vida. A psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa explica que a pessoa com altas habilidades não precisa ser boa em tudo. Ela pode ter um talento maior em uma área só, como matemática, artes ou esportes.

  • Superdotação não é igual a tirar notas altas em todas as matérias.
  • A criança superdotada pode ter baixo rendimento escolar se não estiver motivada.
  • A inteligência não vem junto com maturidade emocional.
  • Superdotação pode vir acompanhada de TDAH ou autismo, o que dificulta o diagnóstico.
  • A avaliação neuropsicológica ajuda a entender o jeito único de cada pessoa aprender e sentir.

Curiosidade pode ser um sinal

Na infância, os sinais podem ser diferentes do que se espera. A criança que faz muitas perguntas, quer saber como as coisas funcionam, aprende rápido o que interessa ou fica horas concentrada em uma atividade pode ter altas habilidades. Também pode criar histórias, achar soluções diferentes e ver detalhes que ninguém nota.

Mas isso não pode ser avaliado sozinho. Uma criança curiosa não é necessariamente superdotada. É preciso ver o conjunto de características e como elas aparecem no dia a dia. A identificação não deve ser baseada em uma lista de sinais ou só nas notas da escola.

Por que boas notas não são obrigatórias

Um dos maiores mitos é que quem tem altas habilidades tira notas boas em tudo. Isso não é verdade. A criança pode ter um raciocínio ótimo, mas perder o interesse em atividades repetitivas, ter dificuldade em uma matéria ou alternar momentos de alto e baixo rendimento.

Isso acontece porque ter potencial não é o mesmo que ter bom desempenho. A pessoa pode entender um assunto, mas não achar estímulo para se dedicar a ele. Também pode ter problemas de atenção, organização, ansiedade ou dificuldades de aprendizagem que atrapalham as notas.

Olhar só para as notas pode deixar de reconhecer estudantes com altas habilidades. É importante entender como eles aprendem, o que os motiva e em quais situações conseguem mostrar todo o seu potencial.

Inteligência não é maturidade emocional

Outro ponto que gera confusão é achar que uma criança superdotada é madura para a idade. Ela pode entender assuntos difíceis, falar de um jeito avançado e pensar de forma sofisticada, mas ainda precisa de carinho e orientação como qualquer criança da mesma idade.

Essa diferença pode causar cobranças erradas, como esperar que a criança se comporte como um adulto só porque entende certos assuntos. Entender um conteúdo difícil não significa saber controlar emoções, lidar com frustrações ou tomar decisões maduras. A inteligência não elimina a necessidade de cuidado.

Na escola e em casa, a falta dessa compreensão pode fazer a criança se sentir culpada e inadequada. Ela escuta que, por ser inteligente, deveria conseguir resolver tudo sozinha.

Na adolescência, o perfil pode mudar

Na adolescência, as altas habilidades podem aparecer na busca por desafios, no interesse profundo por alguns temas, na facilidade para aprender coisas complicadas e na mania de questionar regras ou explicações incoerentes. O adolescente também pode se sentir deslocado por não achar pessoas com os mesmos interesses. Em alguns casos, ele esconde o que sabe para não sofrer críticas e para se enturmar.

Na vida adulta, essas características podem aparecer na escolha da profissão, na vontade de resolver problemas complexos, na facilidade para aprender coisas novas e na criação de soluções. Também podem surgir dificuldades com rotina, excesso de estímulos, frustração e a necessidade de encontrar atividades que façam sentido.

É comum adultos só descobrirem suas altas habilidades quando procuram avaliação por outro motivo, como suspeita de autismo, TDAH ou ansiedade. Durante o processo, percebem que certos padrões de pensamento estiveram presentes a vida toda.

Quando há mais de uma condição

As altas habilidades podem vir junto com outras condições do neurodesenvolvimento, como TDAH ou autismo. Isso é chamado de dupla excepcionalidade. Nesses casos, uma característica pode esconder a outra. O alto potencial pode compensar dificuldades de atenção ou comunicação por um tempo. Em outros casos, as dificuldades são tão grandes que o potencial não é notado.

Uma pessoa pode ter raciocínio acima da média e, ao mesmo tempo, ter problemas para começar tarefas, administrar prazos, lidar com mudanças ou prestar atenção em atividades que não são interessantes. A avaliação precisa olhar para os dois lados: o que a pessoa tem de bom e o que ela tem de difícil.

Como a avaliação pode ajudar

A avaliação neuropsicológica ajuda a entender diferentes partes do funcionamento da pessoa, como atenção, memória, linguagem, raciocínio, criatividade, funções executivas, autocontrole e emoções. O objetivo não é só confirmar um palpite, mas compreender como as características se combinam e quais impactos têm na vida escolar, profissional, afetiva e familiar.

A partir disso, podem ser criadas estratégias mais adequadas para a rotina, os estudos, o trabalho e os relacionamentos. No caso de crianças e adolescentes, as informações também ajudam a família e a escola a oferecer desafios compatíveis com o perfil do estudante, sem transformar a capacidade em uma fonte de cobrança.

Descobrir que tem altas habilidades pode ser uma chance de se entender melhor. Reconhecer o próprio potencial e as dificuldades ajuda a fazer escolhas mais alinhadas com quem a pessoa é e com o que ela quer para a vida.