09 de agosto de 2026

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Acidentes com helicópteros no Rio acendem alerta para riscos e fiscalização

Geral Segurança 09/08/2026 07:14 Camila Araujo - Extra extra.globo.com

Especialista aponta aumento na frequência e gravidade das ocorrências e defende revisão do gerenciamento de riscos na cidade.

A queda de um helicóptero turístico na Vista Chinesa, na Zona Sul do Rio, neste sábado, levantou, mais uma vez, um alerta sobre o cenário de risco entre especialistas do setor. Quatro pessoas morreram, entre elas, um piloto brasileiro e três turistas colombianas. Este foi o quinto acidente aéreo com vítimas fatais no último ano no estado Rio de Janeiro, destes, três foram com helicópteros.

  • O acidente na Vista Chinesa é o quinto com mortes em um ano no estado.
  • Três dos cinco acidentes fatais foram com helicópteros.
  • Especialista aponta que a frequência e a gravidade dos acidentes estão aumentando.
  • A aeronave, um Robinson 44, tinha um único motor e autorização para voos panorâmicos.
  • Parte da coordenação dos voos é feita pelos próprios pilotos, com menos torres de controle.

Segundo o engenheiro Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a sequência de voos com problemas e acidentes é um fator técnico de indicação de vulnerabilidade que precisa ser considerado pelos órgãos de fiscalização e controle do espaço aéreo.

Há dois fatores, a frequência e a severidade, que indicam quando um risco ultrapassa o limite do aceitável. Nós estamos tendo um aumento de severidade, que são acidentes com vítimas fatais, e uma frequência, ou seja, um número de ocorrências maior dentro de um intervalo de tempo. Com a visão de gerenciamento de risco dessa atividade de voos, principalmente de aeronaves de asas rotativas, que são os helicópteros, há uma exposição elevada de risco para as pessoas alerta o engenheiro.

Portela afirma ainda que na região onde tem havido uma incidência maior de acidentes, parte da coordenação dos voos de helicópteros é feita pelos próprios pilotos, que precisam se comunicar por meio de regramentos. Algo que, segundo ele, é possível de se fazer, mas talvez não com a quantidade de tráfego aéreo atual.

Se houve um aumento considerável de tráfego aéreo, não seria o momento de avaliar a necessidade de ter um controle desse espaço aéreo de forma mais rígida, com um suporte maior de torres de controle, e não deixar somente por conta dos pilotos É possível voar da forma como está agora com segurança São muitas aeronaves e empresas a serem fiscalizadas, muitos voos sendo executados, e isso tudo contribui para aumentar a frequência e a severidade dos acidentes indaga o especialista.

O modelo do helicóptero

Segundo o registro exibido da Anac, aeronave era um helicóptero do modelo Robinson 44, estava em situação normal, e tinha certificado de aeronavegabilidade válido até 5 de junho de 2027. A aeronave, de operação privada, estava autorizada a realizar voos panorâmicos. Na foto, o helicóptero aparece com a identificação visual da empresa VRP Voos Rio Panorâmico.

Portela explica que o modelo é um dos mais vendidos no mundo, de baixo custo operacional e considerado seguro, desde que usado nos seus limites operacionais. O modelo possui um único motor a pistão - que tem mais peças do que um motor a turbina, e, do ponto de vista da engenharia mecânica, com maior probabilidade de falhas. Por não ser bimotor, ele também não tem outro para substituir em caso de necessidade.

Isso não depõe contra o modelo Robinson 44. Isso significa apenas que esse helicóptero tem limitações que precisam ser respeitadas, a fiscalização tem que ser muito rígida. Tem que verificar se a manutenção está em dia, se a companhia aérea é idônea, se o piloto está preparado e treinado em condições de saúde, porque é um piloto só, e todas as condições técnicas, porque se houver uma falha, a aeronave tem limitações técnicas afirma Portela.

Para ele, não é só o passageiro e o piloto que estão sob risco, mas toda a população que está sob os helicópteros que estão voando.

Todos estamos expostos a esse risco. É óbvio agora, no meu entendimento, a ANAC rever os conceitos atuais de controle do espaço aéreo e principalmente de fiscalização de helicópteros, pilotos e companhias que prestam esse tipo de serviço acrescenta Portela.