07 de agosto de 2026

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Cimi divulga relatório sobre violências contra povos indígenas em 2025

Geral Indígenas 07/08/2026 19:41 Assessoria de Comunicação do Cimi

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apresenta o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil com dados de 2025, reunindo informações sobre violências, conflitos territoriais e omissão do Estado. O lançamento ocorre na quinta-feira (13), em Brasília, com transmissão ao vivo.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lança, na próxima quinta-feira (13), às 14h30 (horário de Brasília), o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil dados de 2025. O evento de lançamento da publicação anual do Cimi ocorrerá na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), e será transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do Cimi.

O relatório reúne 19 categorias de análise das violências e violações praticadas contra os povos originários no Brasil, divididas em três seções: violência contra o patrimônio indígena, violência contra a pessoa e violência por omissão.

  • O relatório reúne dados de diversas fontes, incluindo registros do Cimi, órgãos públicos e imprensa.
  • Em 2025, os direitos territoriais dos indígenas sofreram fortes ataques, como a Lei do Marco Temporal.
  • A TI Sararé volta à capa da publicação por causa do avanço do garimpo ilegal na região.
  • Serão apresentadas análises sobre ameaças a povos isolados e o racismo contra indígenas.
  • O lançamento terá participação de lideranças indígenas e representantes de organizações parceiras.

No capítulo sobre patrimônio indígena, o levantamento reúne dados sobre conflitos territoriais, invasões a terras indígenas, danos ao patrimônio indígena, exploração ilegal de recursos nesses territórios e morosidade na regularização das terras. Na seção sobre violência contra a pessoa, o relatório traz dados atualizados sobre assassinatos de indígenas, agressões e ameaças. Já no terceiro capítulo, são reunidas informações sobre a desassistência nas áreas da saúde e da educação, mortalidade na infância e suicídios.

O relatório sistematiza informações de diferentes fontes. Além dos registros feitos pelas equipes regionais do Cimi, levantadas junto a comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação, são analisados dados obtidos a partir da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e de secretarias estaduais de saúde.

Em 2025, os direitos territoriais dos povos indígenas seguiram sob forte ataque. Medidas legislativas e decisões judiciais contrárias aos direitos constitucionais dos povos originários somaram-se à vigência da Lei nº 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal e alvo de contestação desde sua promulgação.

Ainda em vigor, a medida tem fragilizado os direitos constitucionais indígenas, marcando mais um ano de violência contra os povos originários. Enquanto os povos indígenas em luta pela terra sofrem com a violência e a vulnerabilidade, em terras indígenas demarcadas as ações de invasores não cessaram, apesar das operações de desintrusão realizadas.

Em 1996, o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil trazia na capa uma enorme cratera aberta por garimpeiros na terra dos Nambikwara. Três décadas depois, a TI Sararé retorna à capa da publicação para retratar uma nova intensificação do garimpo ilegal, em um contexto ainda mais crítico.

Esse cenário é retratado novamente pela atual edição do relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil. A publicação reúne, ainda, análises sobre as ameaças aos povos indígenas em isolamento voluntário no país e artigos com reflexões sobre temas relacionados aos dados sistematizados na publicação, como o racismo contra os povos indígenas, a política indigenista brasileira, os direitos indígenas no sistema de justiça criminal e a luta por justiça, memória e verdade.

Participarão do lançamento lideranças indígenas, representantes da CNBB, do Cimi e de organizações parceiras da causa, além de um dos organizadores do relatório, Roberto Antonio Liebgott.