A Amazônia registrou o menor número de alertas de desmatamento da série histórica, com queda de 36% em relação ao período anterior. Para o Greenpeace, isso mostra que é possível zerar o desmatamento até 2030, mas é preciso ficar atento a retrocessos no Congresso.
São Paulo, 07 de agosto - O Greenpeace Brasil comemora os dados do DETER divulgados nesta sexta-feira, que fecham o ano de referência (agosto de 2025 a julho de 2026) e mostram um resultado histórico para a Amazônia: o bioma teve o menor número de alertas de desmatamento da série histórica, com 2.874,38 km². Isso representa uma queda de 36% em relação ao período anterior.
Além de ser o menor número de alertas desde o início da série histórica, em 2016, o Brasil pode alcançar, pela primeira vez, uma taxa anual de desmatamento menor que a de 2012, que foi de 4.571 km².
- Queda de 36% nos alertas de desmatamento em um ano.
- Menor número de alertas desde 2016, início da série histórica.
- Brasil pode ter a menor taxa de desmatamento desde 1998.
- Meta de desmatamento zero até 2030 é considerada alcançável.
- Congresso pode atrapalhar com leis que enfraquecem a fiscalização.
Este é um resultado histórico. Se os dados consolidados do PRODES confirmarem a tendência mostrada pelos alertas do DETER, o país poderá registrar a menor taxa de desmatamento de sua história. Isso mostra que o Brasil tem ferramentas capazes de conter o avanço da destruição da floresta e que o desmatamento zero deixou de ser um sonho distante para se tornar uma meta totalmente possível. No cenário internacional, esse resultado também mostra que o Brasil, se continuar fazendo sua parte, pode liderar a agenda global de proteção das florestas, afirma Ana Clis Ferreira, porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil.
Ameaças no Congresso e papel do STF
O Greenpeace Brasil alerta que, mesmo estando mais perto da meta de desmatamento zero até 2030, retrocessos aprovados no Congresso, como a Nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, podem atrapalhar esse progresso.
Estar mais perto não significa que essa trajetória está garantida, principalmente quando o Congresso segue aprovando retrocessos que desmontam os instrumentos de fiscalização responsáveis por esse resultado, em um ano em que o cenário eleitoral pressiona a agenda ambiental e a chegada de um possível Super El Niño deve intensificar as secas e, por isso, o risco de incêndios florestais na Amazônia no segundo semestre, completa Ferreira.
No próximo dia 12, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a chamada Agenda Verde, um conjunto de ações que vai analisar a constitucionalidade de leis aprovadas pelo Congresso sobre três temas ambientais: Moratória da Soja, Marco Temporal para terras indígenas e Licenciamento Ambiental.
O Greenpeace Brasil acredita que este é o momento certo para o país mostrar que é protagonista na proteção ambiental e acelerar o caminho rumo ao desmatamento zero, com políticas efetivas que vão além da fiscalização e do controle e que também garantam a proteção das florestas, o respeito aos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Isso inclui:
- Eliminar o desmatamento das cadeias produtivas, principalmente de grãos e gado.
- Ter mais rigor nos fluxos financeiros que ainda permitem que crédito chegue a infratores ambientais.
- Planejar a infraestrutura para a Amazônia considerando os impactos ambientais, evitando novas frentes de desmatamento e degradação da floresta e não aumentando a insegurança e os conflitos na região.

Desmatamento Imagem gerada por IA


