07 de agosto de 2026

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Por que faltam médicos nos Estados Unidos? Entenda a crise

Geral Saúde 07/08/2026 09:25 Rafael Duarte, CEO e fundador do Grupo RD Medicine, via NB Press Comunicação

Os Estados Unidos enfrentam uma grave escassez de médicos, mesmo com alta demanda global. O problema vem de fatores como o envelhecimento da população, a falta de escolas de medicina e a proximidade da aposentadoria de muitos profissionais. O país já busca soluções, como aceitar médicos formados no exterior, incluindo brasileiros.

A escassez de médicos nos Estados Unidos está longe de ser um fenômeno recente ou inesperado. Trata-se de um desequilíbrio que vem se formando há anos e que se torna mais evidente à medida que a demanda por cuidados cresce em ritmo superior à capacidade do país de preparar e reter profissionais. O problema passa menos pelo interesse na carreira e mais por limitações estruturais que pressionam o sistema.

  • A população americana está envelhecendo e deve crescer 34% até 2036, aumentando a procura por médicos.
  • Cerca de 40% dos médicos americanos estão perto de se aposentar.
  • Os EUA têm apenas 190 escolas de medicina, enquanto o Brasil tem mais de 420.
  • Os EUA devem enfrentar um déficit de até 86 mil médicos até 2036.
  • 25% dos médicos nos EUA já são formados no exterior, e 18 estados já facilitam a atuação deles.

O principal fator vem da demografia. A população americana está envelhecendo rapidamente, com impacto direto sobre o sistema de saúde. Até 2036, o número de pessoas com 65 anos ou mais deve crescer 34%, enquanto a população acima de 75 anos pode avançar 54,7%, segundo projeções da AAMC de 2024. Esse grupo demanda até cinco vezes mais atendimentos médicos, o que amplia a procura por serviços e aumenta a complexidade dos cuidados.

Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que a própria força de trabalho passa por uma transição relevante. Dados recentes indicam que cerca de 40% dos médicos em atividade estão próximos da aposentadoria e que mais de dois em cada cinco profissionais terão 65 anos ou mais na próxima década. Na prática, o sistema precisa atender mais pacientes enquanto uma parcela significativa dos profissionais se aproxima do encerramento da carreira.

A situação se intensifica quando se observa a formação de novos médicos. Os Estados Unidos não expandiram sua estrutura educacional na mesma proporção que outros países. O Brasil, por exemplo, soma mais de 420 faculdades de medicina, tornando-se o segundo país com maior número de instituições desse tipo no mundo, enquanto os Estados Unidos contam com cerca de 190 escolas, mesmo atendendo uma população maior.

Projeções reforçam esse cenário. A Associação Americana de Faculdades de Medicina estima uma escassez de até 86 mil médicos até 2036, enquanto a HRSA aponta que o déficit pode chegar a 187.130 profissionais até 2037. Os números indicam uma tendência já em curso.

Diante desse quadro, o próprio sistema americano começa a se adaptar. Atualmente, cerca de 25% dos médicos em atividade no país se formaram no exterior, o que indica que a presença de profissionais estrangeiros passou a ter peso relevante no funcionamento da rede de saúde.

As mudanças regulatórias recentes sustentam essa direção. Pelo menos 18 estados permitem que médicos formados fora dos Estados Unidos atuem sem a necessidade de refazer toda a residência médica local, sinalizando uma flexibilização importante em um sistema historicamente rígido. Estados como Flórida, Texas, Illinois e Massachusetts já avançaram nesse sentido, criando caminhos mais acessíveis para a atuação de profissionais estrangeiros.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o cenário. O gargalo está na formação e reposição de profissionais, que não acompanham o avanço da demanda. Assim, o país passa a depender cada vez mais de talentos vindos de fora de suas fronteiras e ajusta suas regras para absorvê-los.

O que se desenha vai além de um desequilíbrio pontual. Há uma mudança gradual na dinâmica do mercado médico global, com abertura de espaço para profissionais estrangeiros nos Estados Unidos. E, como indicam os dados, essa janela tende a se ajustar conforme o sistema encontra novas formas de equilibrar oferta e demanda.