06 de agosto de 2026

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Quem plantou um tomateiro no meio da rua?

Geral Urbanismo 06/08/2026 15:32 Helena Degreas - Jovem Pan jovempan.com.br

Como urbanista, vício do ofício, acostumei-me a perguntar de onde veio cada árvore.

Caminhando pela rua com meu neto, encontrei um tomateiro no canteiro de uma calçada. Os frutos estavam maduros e viçosos. Talvez tenham brotado de sementes deixadas por um passarinho, ou talvez sejam obra da moradora risonha de bochechas vermelhas que mora em frente e observa a todos pela janela. Ela é uma das poucas pessoas que ainda vivem em casas, já que a maioria foi substituída por prédios.

No caminho, vi outras coisas estranhas: uma orquídea amarrada com barbante florescendo no tronco de uma árvore e um pinheiro de Natal descartado crescendo sozinho no canteiro. Não parecem plantios oficiais, mas sim gestos de alguém que deixou a natureza seguir seu curso.

  • O tomateiro foi encontrado em um canteiro de calçada.
  • Pode ter nascido de sementes deixadas por pássaros ou por uma moradora local.
  • Outros exemplos incluem uma orquídea amarrada a uma árvore e um pinheiro de Natal descartado.
  • Esses plantios não são oficiais, mas sim gestos de moradores.
  • A prefeitura planta seguindo normas, enquanto os anônimos seguem a tradição.

Como urbanista, meu hábito é perguntar de onde veio cada árvore. Por isso, entendo que a prefeitura tem um método de plantar: medem distâncias, escolhem espécies, seguem regras. Eles plantam para a cidade funcionar com planejamento. Já os plantadores anônimos aprendem observando os outros. Eles não assinam projetos, apenas fazem um gesto de carinho.

Na rua onde cresci, havia senhoras que adoravam pegar mudas. Nunca chamavam de roubo, diziam: Só estou tirando um galhinho. Voltavam para casa com um ramo embrulhado em jornal. Algumas mudas pegavam, outras morriam, e isso gerava discussões na feira de domingo.

Hoje, vejo grupos de pessoas que saem cedo com enxadas, mudas, lanches e água para todos. Alguns eu conheço, outros só vejo na hora do plantio. No começo eram poucos, mas com o tempo se multiplicaram. Eles até ensinaram os funcionários da prefeitura a não destruir as mudas ao roçar. Plantaram árvores e recuperaram canteiros.

Talvez não se conheçam todos, mas compartilham a vontade de plantar algo antes que o domingo termine.

Meses depois, alguém passa por uma rua e encontra um tomateiro carregado de frutos, uma orquídea presa ao tronco. E, como eu, sorri por um instante, explica ao neto como aquilo foi parar ali e continua caminhando.