A busca por transparência e interação impulsiona as vendas ao vivo e redefine a estratégia de marcas que querem fortalecer o relacionamento com o consumidor.
O live commerce deixou de ser uma estratégia complementar para se consolidar como um dos principais canais de relacionamento entre marcas e consumidores no varejo digital. A combinação entre demonstração em tempo real, possibilidade de esclarecer dúvidas e interação direta durante a compra vem mudando o comportamento dos clientes e fortalecendo o social commerce. A tendência acompanha a expansão do social commerce no Brasil. Segundo o Brazil Social Commerce Market Intelligence Report 2025, da Research and Markets, o setor movimentou US$ 3,58 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 6,92 bilhões em 2030, quase o dobro em seis anos.
- O live commerce no Brasil deve crescer quase 100% até 2030, passando de US$ 3,58 bilhões para US$ 6,92 bilhões.
- Transmissões ao vivo permitem que o cliente veja detalhes do produto e tire dúvidas na hora, como numa loja física.
- Setores como joias se beneficiam, pois a confiança é essencial para compras de alto valor.
- Especialistas recomendam que marcas mostrem seus fundadores e especialistas nas lives para gerar credibilidade.
- O futuro do varejo digital será mais humano, com foco em interação e relacionamento.
Para Débora De Landa, empresária, especialista em mercado, joalheiro e fundadora da joalheria Kether, empresa especializada em joias em ouro 18 quilates comercializadas por loja física, e-commerce e live commerce, a mudança está diretamente ligada à necessidade de confiança. "O live commerce devolve ao consumidor aquilo que muitas vezes falta no comércio eletrônico tradicional, a possibilidade de conversar, observar detalhes, fazer perguntas e sentir que existe uma pessoa do outro lado. Quando alguém investe em uma joia, não compra apenas um produto. Compra segurança, credibilidade e relacionamento."
Live commerce aproxima o digital da experiência presencial
Embora o e-commerce tenha ampliado a conveniência para o consumidor, ele também criou uma distância entre cliente e vendedor. O live commerce busca reduzir essa barreira ao reproduzir características do atendimento presencial, permitindo demonstrações ao vivo, comparação entre produtos e respostas imediatas.
Segundo a profissional, esse formato se tornou especialmente relevante em segmentos nos quais a confiança influencia diretamente a decisão de compra, como o mercado de joias. "Quem compra uma joia quer ver brilho, acabamento, proporção, quer entender o peso da peça e sentir segurança sobre a procedência. Uma fotografia dificilmente entrega tudo isso. Durante a transmissão conseguimos mostrar cada detalhe e responder exatamente aquilo que o cliente quer saber."
A empresária afirma que, depois de milhares de horas conduzindo transmissões ao vivo, passou a perceber mudanças importantes no comportamento do consumidor. "As perguntas mudaram. Hoje as pessoas pesquisam mais, comparam mais e chegam muito bem informadas. A live não serve apenas para vender. Ela funciona como um espaço de construção de confiança."
Transparência passou a influenciar a decisão de compra
A busca por transparência acompanha uma transformação mais ampla na relação entre consumidores e marcas. A possibilidade de observar quem apresenta o produto, como ele é demonstrado e de que forma as dúvidas são respondidas influencia diretamente a percepção de credibilidade.
Para Débora, essa mudança explica por que empresas passaram a investir na presença dos próprios fundadores e especialistas durante as transmissões. "O consumidor percebe quando existe conhecimento técnico e quando existe apenas uma apresentação comercial. Mostrar o produto ao vivo exige preparo, domínio do assunto e disposição para responder qualquer pergunta sem roteiro. É justamente isso que gera confiança."
O futuro do varejo passa pela interação
Com a chegada de novas plataformas de social commerce e o fortalecimento dos formatos de compra dentro das redes sociais, especialistas apontam que a interação tende a ganhar ainda mais espaço na jornada de consumo.
Na avaliação da empresária, vender ao vivo deixou de ser apenas uma ferramenta comercial e passou a representar uma nova forma de relacionamento entre empresas e clientes. "O consumidor não quer apenas clicar em um botão de compra. Ele quer participar da experiência, entender quem está vendendo, criar vínculo e sentir segurança antes de tomar uma decisão. O live commerce aproxima pessoas, reduz inseguranças e torna a compra digital muito mais humana."

(Ajustada por IA)




