06 de agosto de 2026

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Burnout parental: como a busca pela perfeição afeta a saúde mental

Geral Saúde 06/08/2026 14:03 Gabriela Inthurn (UNIASSELVI)

Especialista da UNIASSELVI alerta sobre o esgotamento físico e emocional de pais e mães, intensificado pela comparação com imagens irreais das redes sociais.

Com a aproximação do Dia dos Pais, comemorado em agosto, o debate sobre a saúde mental na parentalidade ganha destaque diante do impacto do excesso de informações e da rotina exibida nas redes sociais. A proliferação de conteúdos sobre a criação "ideal" de filhos tem consolidado uma estética inatingível de perfeição, levando pais e mães ao esgotamento físico e emocional, fenômeno conhecido como burnout parental.

Gabriela Inthurn, professora do curso de Psicologia da UNIASSELVI, explica que o burnout parental é um termo recente focado nos cuidados e responsabilidades com os filhos.

  • O burnout parental é diferente do cansaço comum: está ligado especificamente à criação dos filhos.
  • As redes sociais mostram um recorte editado da realidade, gerando comparações injustas.
  • Pais que tentam ser perfeitos sofrem com culpa, autocobrança e cansaço extremo.
  • O estresse contínuo pode afetar o relacionamento com os filhos e causar sintomas físicos.
  • Especialistas recomendam buscar apoio e aceitar que a parentalidade tem desafios.

"Ele se diferencia do cansaço comum porque está relacionado a um aspecto específico da vida da pessoa. O que é mostrado nas redes sociais é um recorte, muitas vezes editado da realidade, que leva os pais a se compararem com pessoas em situações financeiras e redes de apoio diferentes, achando que deveriam estar fazendo mais ou que não são bons o suficiente", aponta a especialista.

Sinais de alerta e questões de gênero

O estresse contínuo ultrapassa os limites saudáveis e manifesta sinais clínicos e comportamentais claros no cotidiano da família. Entre os principais sintomas de esgotamento estão a dificuldade no relacionamento com os filhos, o cansaço extremo que não passa ao dormir ou tentar relaxar, a sensação frequente de sobrecarga, a culpa excessiva, a autocrítica elevada, dores de cabeça sem explicação e dificuldade de concentração.

Segundo a professora da UNIASSELVI, essa pressão também é atravessada por questões de gênero. "As redes sociais são um reflexo da sociedade em que vivemos. Se na sociedade atual a cobrança é realizada de forma desproporcional sobre a mulher, as redes sociais seguirão esse mesmo comportamento", analisa Gabriela.

Impacto no desenvolvimento infantil e a romantização da rotina

A busca por manter uma performance de perfeição afeta diretamente o ambiente da casa e o desenvolvimento das crianças. A cobrança excessiva pode gerar sentimentos de inadequação nos filhos quando estes não atingem as expectativas depositadas. A infância e a adolescência são períodos do desenvolvimento mais suscetíveis à criação de crenças negativas sobre si mesmo.

Além disso, a romantização em excesso oculta desafios reais que exigem atenção. "A romantização pode dar a falsa impressão de que exercer a parentalidade é uma tarefa simples, quando na verdade é um trabalho cansativo que envolve aprendizado, paciência e o 'abrir mão' de algumas coisas. Por mais que os pais amem seus filhos, em alguns momentos se sentirão cansados ou culpados, e isso faz parte da experiência. Romantizar como algo perfeito leva a uma grande frustração no contato com a realidade", pondera a docente.

Dicas para abraçar a paternidade real e imperfeita

Para vivenciar a paternidade de forma mais leve e sem culpa, a especialista sugere estudar sobre parentalidade e desenvolvimento infantil para compreender que cada criança é única. Cultivar uma vida além dos filhos, mantendo amizades e cuidando da própria saúde, também é fundamental.

"É importante construir uma rede de apoio e estar próximo de outros pais para compartilhar experiências reais, sem os recortes da internet. Entender que a parentalidade é um aprendizado contínuo, tanto para os adultos quanto para a criança, ajuda a reconhecer que haverá fases mais fáceis e outras mais complexas", conclui Gabriela Inthurn.