06 de agosto de 2026

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Erros que fazem empresas perder dinheiro antes da carga chegar

Geral Logística 06/08/2026 13:23 Carolina Lara (Lara Comunicação) - Saygo Group

Documentação inconsistente, desembaraço inadequado e falta de integração logística prolongam o capital parado em operações internacionais e reduzem a competitividade.

A alta do frete marítimo, os conflitos internacionais e as novas barreiras comerciais voltaram a pressionar empresas que dependem de operações de importação e exportação. Os conflitos armados em importantes rotas do comércio global têm afetado o transporte marítimo, provocado desvios de navegação e elevado os custos logísticos. Paralelamente, o tarifaço promovido pelos Estados Unidos obriga setores brasileiros a rever destinos, contratos e estratégias logísticas. Nesse contexto, o capital parado em operações internacionais se transforma em um custo capaz de comprometer o caixa antes mesmo de a mercadoria chegar ao estoque.

Para Ronaldo Felix, formado em Logística, sócio e diretor de Operações da Saygo Group, holding brasileira que oferece soluções em comércio exterior, câmbio e tecnologia para importadores e exportadores, muitas empresas ainda calculam o preço da mercadoria, do frete e dos tributos, mas deixam de mensurar o impacto financeiro do tempo. "O capital parado em operações internacionais não aparece apenas como um atraso logístico. Ele reduz a liquidez, compromete o planejamento financeiro e pode impedir a empresa de fechar uma nova compra ou aproveitar outra oportunidade de negócio", afirma.

  • Capital parado: dinheiro fica preso até a carga ser liberada e vendida, aumentando a necessidade de capital de giro.
  • Impacto dos atrasos: congestionamentos portuários, mudanças de rota e problemas documentais podem prolongar o período de imobilização.
  • Duplo prejuízo: frete mais caro e prazo maior fazem a empresa pagar mais e ainda esperar mais para transformar a mercadoria em receita.
  • Planejamento é chave: conferência de documentos e integração entre equipes evitam retenções e liberam capital mais rápido.
  • Dados como ferramenta: monitorar cada etapa e seu custo financeiro permite ajustar o caixa antes que o atraso prejudique a operação.

Capital parado amplia o custo do comércio exterior

Quando uma empresa paga antecipadamente por uma mercadoria, contrata o transporte e assume as despesas da operação, parte de seus recursos permanece imobilizada até que a carga seja liberada e possa ser vendida ou utilizada na produção. Quanto maior o intervalo entre o pagamento ao fornecedor e a disponibilidade do produto, maior tende a ser a necessidade de capital de giro.

Esse período pode ser prolongado por congestionamentos portuários, alterações de rota, exigências alfandegárias, divergências documentais, classificação fiscal incorreta e falhas na comunicação entre fornecedores, despachantes, transportadoras e compradores.

Para o especialista, o impacto dessas mudanças vai além do valor do transporte. "Quando o frete encarece e o prazo se alonga, a empresa sofre duas vezes. Ela paga mais pela movimentação da carga e permanece por mais tempo sem poder transformar aquela mercadoria em receita. Muitas vezes, o maior prejuízo não está em uma tarifa isolada, mas na soma entre atraso, armazenagem e dinheiro imobilizado", explica.

Planejamento reduz perdas financeiras

Ronaldo Felix afirma que boa parte das dificuldades pode ser evitada antes mesmo do embarque da mercadoria. Segundo o executivo, a previsibilidade depende de planejamento, conferência documental e integração entre todas as áreas envolvidas. "Quando as etapas são planejadas e as equipes trabalham com as mesmas informações, a empresa consegue identificar falhas antes que elas provoquem retenções. O planejamento operacional deixou de ser apenas uma questão logística e passou a ser uma ferramenta de gestão financeira", afirma.

Ele explica que os principais fatores que prolongam o ciclo financeiro das operações internacionais incluem documentação incompleta ou inconsistente, divergências entre pedidos, faturas e demais documentos da operação, classificação fiscal incorreta, falta de integração entre fornecedores, despachantes e importadores, planejamento inadequado do desembaraço aduaneiro e ausência de monitoramento contínuo da carga durante o transporte.

Para o profissional, a eliminação desses entraves começa antes mesmo de a mercadoria sair do país de origem. "Quanto mais cedo uma inconsistência é identificada, menor é o risco de transformar um problema operacional em prejuízo financeiro. No comércio exterior, eficiência também significa liberar capital de giro mais rapidamente", conclui.

Tarifaço exige mais previsibilidade das empresas

A nova política tarifária dos Estados Unidos adiciona outra camada de incerteza às operações internacionais. O movimento pode levar empresas brasileiras a buscar outros compradores, substituir fornecedores e organizar rotas de exportação. Essa diversificação, porém, também exige planejamento, pois a entrada em novos países envolve exigências sanitárias, tributárias, documentais e cambiais diferentes.

"Trocar de fornecedor ou de destino sem avaliar a operação completa pode apenas transferir o problema. A empresa precisa analisar prazo, câmbio, tributação, capacidade portuária, documentação e impacto sobre o caixa. A melhor alternativa comercial nem sempre é aquela que apresenta o menor preço de compra", alerta o empresário.

Dados transformam logística em decisão financeira

O acompanhamento isolado da localização da carga já não é suficiente para empresas que precisam preservar caixa e manter previsibilidade. A gestão deve relacionar cada etapa da operação ao custo financeiro, considerando o prazo de pagamento, o tempo de trânsito, a liberação aduaneira, a armazenagem e a disponibilidade do produto.

Nesse processo, a integração entre as áreas logística, financeira, fiscal e cambial permite que a empresa identifique desvios antes que o atraso comprometa todo o planejamento. Também ajuda a rever compras, ajustar estoques, renegociar prazos e evitar a contratação de crédito emergencial para cobrir despesas que não estavam previstas.

Para Ronaldo, empresas que transformam informações operacionais em indicadores financeiros conseguem reduzir o capital parado em operações internacionais e tomar decisões com mais rapidez. "Não basta saber onde a carga está. É preciso entender quanto cada dia adicional representa para a empresa. Quando a informação operacional chega rapidamente à área financeira, a companhia consegue ajustar o caixa antes que o atraso comprometa toda a operação", conclui.