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Plataforma brasileira detecta deepfakes e certifica arquivos digitais

Geral Tecnologia 06/08/2026 11:45 Luiz Lamim - Virei Notícia

A startup InspireIP lançou uma plataforma que verifica se imagens e documentos foram feitos por inteligência artificial, além de registrar a autenticidade e a origem dos arquivos.

Uma nova plataforma brasileira promete ajudar a provar se uma imagem, vídeo ou documento é real ou foi feito por inteligência artificial. A empresa InspireIP, que trabalha com proteção de propriedade intelectual, lançou oficialmente nesta quinta-feira (6) a ferramenta chamada SIGNAIP. Ela combina várias tecnologias para verificar a origem, detectar se houve uso de IA e até registrar quem criou o arquivo, como se fosse um 'certificado de autenticidade'.

A plataforma foi criada para ajudar artistas, empresas, jornalistas e outras pessoas que precisam provar que seu conteúdo é original e não foi alterado. Ela funciona de duas formas: primeiro, ela registra a data e a autoria do arquivo em um tipo de registro chamado blockchain, que é muito seguro; segundo, ela analisa o próprio arquivo para ver se há sinais de que ele foi feito ou modificado por inteligência artificial.

  • A plataforma foi desenvolvida por uma startup brasileira que já trabalha com proteção de propriedade intelectual.
  • Ela usa um padrão internacional chamado C2PA, que também é adotado por grandes empresas como Adobe, Google e Meta.
  • Além de detectar deepfakes, ela permite que os criadores digam se querem que seus conteúdos sejam usados para treinar IAs.
  • A ferramenta não substitui a investigação jornalística ou a análise de um perito, mas ajuda como uma evidência adicional.
  • Depois de um período de testes, a plataforma já está disponível para uso no Brasil, mas ainda é preciso pedir acesso.

Como funciona o registro de autenticidade

Quando uma pessoa registra um arquivo na SIGNAIP, a plataforma insere dentro do próprio arquivo uma espécie de etiqueta digital com informações sobre o autor, a data de registro, as características técnicas e as regras de uso que o criador escolheu. Esse registro é guardado na blockchain, que é um tipo de banco de dados descentralizado e muito difícil de adulterar. Assim, qualquer pessoa pode verificar depois se o arquivo foi alterado em relação ao que foi registrado originalmente.

Detecção de inteligência artificial

A ferramenta também faz uma análise técnica para descobrir se o arquivo foi criado, editado ou reescrito por IA. Ela olha metadados, características visuais e padrões de linguagem, entre outros pontos. Por exemplo, em imagens, ela pode identificar marcas deixadas por modelos de geração de imagens como o Midjourney ou DALL-E. Em textos, ela procura por padrões de escrita comuns em textos gerados por IA, como repetições ou estilo muito uniforme. Os resultados são apresentados em um relatório que mostra a probabilidade de uso de IA.

Limitações importantes

A própria empresa reforça que essas análises não são uma prova definitiva. Elas são apenas indicadores que devem ser usados em conjunto com outras evidências. Por exemplo, um texto revisado por uma ferramenta de correção ortográfica pode ser confundido com um texto gerado por IA. Além disso, o relatório probabilístico não pode determinar sozinho quem criou algo ou afirmar que um arquivo foi feito por IA.

Preferências de uso para IA

Outro recurso interessante é que os autores podem dizer, na hora de registrar, se autorizam ou não o uso de seu conteúdo para treinar inteligências artificiais. São oferecidas quatro opções: treinar modelos gerativos (como os que criam imagens), treinar modelos não gerativos (como os que classificam imagens), minerar dados e fazer inferências. Essas preferências ficam registradas na etiqueta digital do arquivo, mas a plataforma lembra que o respeito a essas regras depende dos sistemas que usarem o conteúdo.

Lançamento e público-alvo

A plataforma já está no ar e pode ser acessada em https://signaip.inspireip.io/. Nesta primeira fase, o acesso é concedido após uma análise dos pedidos. A ferramenta é voltada para ilustradores, fotógrafos, agências, produtoras, veículos de imprensa, advogados de propriedade intelectual, marcas e qualquer organização que precise comprovar a autenticidade de seus arquivos digitais.

A SIGNAIP aceita imagens, textos, PDFs, áudios e vídeos. Depois do período de testes, a plataforma já acumula experiências com casos reais em que a origem de mídias foi questionada. A empresa acredita que a ferramenta ajuda a preencher um vazio importante no mercado, criando confiança em uma época em que é cada vez mais difícil saber se o que vemos é real ou não.