06 de agosto de 2026

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Jaguatirica cava toca e ataca filhote de tatu-canastra em MS

Geral Animais 06/08/2026 07:21 Geisy Garnes - Primeira Página primeirapagina.com.br

Um estudo inédito registrou uma jaguatirica cavando uma toca para capturar um filhote de tatu-canastra no Cerrado de Mato Grosso do Sul. A descoberta surpreendeu pesquisadores e muda o que se sabia sobre a segurança dos filhotes, que antes eram considerados protegidos dentro das tocas.

Um novo estudo feito por pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS) mostrou que os filhotes de tatu-canastra não estão seguros nem dentro de suas tocas, que antes eram consideradas um dos refúgios mais protegidos da espécie.

Câmeras escondidas instaladas em uma área de Cerrado, no Mato Grosso do Sul, flagraram uma jaguatirica cavando e arrancando um filhote de 11 dias de dentro da toca. Foi a primeira vez que algo assim foi registrado.

  • Uma jaguatirica foi filmada cavando uma toca de tatu-canastra e capturando um filhote de 11 dias.
  • O registro inédito foi feito em junho de 2025 no Cerrado do Mato Grosso do Sul.
  • Até agora, pesquisadores achavam que os filhotes estivessem protegidos dentro da toca.
  • Além desse caso, outro filhote de 54 dias desapareceu durante uma mudança de toca no Pantanal.
  • O tatu-canastra tem uma das menores taxas reprodutivas entre os mamíferos da América do Sul.

O estudo foi desenvolvido pelo ICAS dentro do Programa de Conservação do Tatu-Canastra. A mãe tatu deixou a toca depois de selar a entrada com terra. Cerca de uma hora depois, uma jaguatirica apareceu, investigou o local e voltou no dia seguinte. Após cavar por aproximadamente quatro minutos, o felino entrou na toca e saiu carregando um filhote na boca.

Descoberta surpreendente

Foi a primeira vez que pesquisadores registraram uma jaguatirica escavando a entrada de uma toca. Antes, eles achavam que a troca de tocas era o momento de maior vulnerabilidade, porque o filhote precisa acompanhar a mãe lentamente. O novo estudo mostrou que nem dentro da toca os filhotes estão totalmente seguros.

Arnaud Desbiez, presidente do ICAS e um dos autores do estudo, disse que o registro foi muito surpreendente. "Sempre acreditamos que o filhote estivesse muito protegido dentro da toca. Ver uma jaguatirica cavar, entrar e retirar o filhote foi algo que jamais imaginávamos observar", contou.

As imagens também mostraram um comportamento que emocionou a equipe. Nas noites seguintes, a mãe voltou várias vezes à toca, entrando e saindo, e ficou por vários dias no local. "Somos cientistas, mas também somos humanos. Ver a mãe voltar repetidamente foi muito marcante. Parecia que ela estava procurando pelo filhote", disse Arnaud.

Outro caso de predação

O estudo também descreve um segundo caso de provável predação envolvendo um filhote de 54 dias, no Pantanal. O filhote desapareceu durante uma longa travessia entre duas tocas. Depois disso, apenas os rastros da mãe foram encontrados, e o filhote nunca mais apareceu nas câmeras.

Esses deslocamentos entre tocas são normais e acontecem a cada duas ou três semanas. Agora, os pesquisadores sabem que esse também é um momento de risco.

Riscos para a espécie

O tatu-canastra tem uma das menores taxas reprodutivas entre os mamíferos sul-americanos. As fêmeas só atingem a maturidade sexual entre seis e oito anos de idade e têm apenas um filhote por gestação. O filhote depende do leite da mãe por seis a oito meses e continua usando as tocas por cerca de um ano e meio.

Os pesquisadores destacam que entender as causas de mortalidade dos filhotes é importante para saber como proteger a espécie. Mas, apesar do registro impressionante, os maiores riscos para o tatu-canastra ainda são a perda de habitat, atropelamentos, caça predatória e incêndios florestais.