05 de agosto de 2026

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MIACENA 2026: festival de artes gratuito ocupa 19 espaços de São Paulo

Geral Festival 05/08/2026 16:44 Adriana Balsanelli - Assessoria de Imprensa

A terceira edição da Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos (MIACENA) acontece de 11 a 22 de agosto de 2026, com mais de 50 atividades gratuitas de teatro, dança, circo e performance em locais como CCBB, Minhocão, Praça Roosevelt e o prédio da Prefeitura. A programação inclui ações formativas, feira e sarau.

A MIACENA, Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos, realiza sua 3ª edição de 11 a 22 de agosto de 2026, em São Paulo. Ao longo de 12 dias, a programação reúne mais de 50 atividades gratuitas em 19 espaços, entre apresentações de teatro, dança, circo e performance, ações formativas, feira e sarau. A abertura será com o espetáculo de dança do grupo de breaking M.O.S. (Mantendo a Origem Sempre), às 19h30, no CCBB SP.

  • O festival ocupa locais como CCBB, Minhocão, Praça Roosevelt, Mosteiro de São Bento e o prédio da Prefeitura.
  • Todas as atividades são gratuitas, com ingressos retirados no local uma hora antes.
  • A curadoria convidada é formada por Celso Curi, Federico Irazábal, Malu Barsanelli e Wesley Kawaai.
  • Entre os destaques estão espetáculos de grupos de diversos estados e países, como Argentina, Colômbia e Equador.
  • A mostra integra a Jornada do Patrimônio, fortalecendo a relação entre arte, cidade e memória.

Idealizada por André Acioli e Dani Angelotti, a mostra promove o encontro entre artes cênicas e a cidade ao ocupar ruas, praças, prédios históricos, centros culturais, cafés e outros pontos da capital. Os trabalhos são concebidos ou adaptados para dialogar com a arquitetura, a memória e a circulação de cada local.

A edição 2026 também integrará a Jornada do Patrimônio, fortalecendo São Paulo como um território vivo de cultura, memória, inovação e intercâmbio artístico. A programação deste ano foi concebida a partir da relação entre arte, cidade e patrimônio. Mais do que apresentar espetáculos em espaços não convencionais, queremos que cada obra dialogue com a arquitetura, a memória e a dinâmica urbana de São Paulo, transformando a cidade em parte da narrativa artística. As performances urbanas, as intervenções em edifícios históricos e as ações de dança em espaços públicos traduzem essa proposta, afirmam os idealizadores.

A programação passa pelo Centro Cultural Banco do Brasil, Centro de Referência da Dança, Centro Cultural Fiesp - SESI Paulista, Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), Biblioteca Mário de Andrade, Praça Ramos de Azevedo, Praça Roosevelt, Minhocão, Vila Itororó, Casa Farofa, Mosteiro São Bento, Capela dos Aflitos, Instituto de Arquitetos do Brasil, Hunicah Café, Secretaria de Cultura Municipal, Prefeitura de São Paulo, Complexo Cultural Oswald de Andrade e Instituto Cervantes, além de outros pontos da cidade.

Ações formativas e feira

As ações formativas abordam sustentabilidade, formação de público em festivais, circulação em lugares não convencionais e o catálogo do Mercado MIA. A programação inclui ainda a leitura Matei Jasão, com Fabiana Cozza e Cleber Silveira, e termina em 22 de agosto com atividades em seis espaços, entre elas Baile Urbano: Uma performance participativa, no iBT.

Os eixos formativos e de mercado ampliam a experiência para além das apresentações, ao promover encontros entre artistas, gestores, programadores e público. Essas ações reforçam a vocação da MIACENA de estimular novas formas de ocupação da cidade, aproximar diferentes linguagens artísticas do cotidiano urbano e incentivar o intercâmbio entre criação, reflexão e circulação cultural, completam os idealizadores.

Integrada à programação da MIACENA, a MIA FEIRA (15/08, no Centro Cultural FIESP) reúne artistas, designers, artesãos e makers que transformam criatividade em produtos autorais. A curadoria destaca processos de criação, sustentabilidade, economia circular e inovação, valorizando o fazer manual e a produção independente. Como um espaço de exposição, vendas e conexões, a feira aproxima criadores e público, fortalece a economia criativa e amplia a experiência do festival para além das artes cênicas.

Destaques da programação

Criado em Nova Iorque, Anamnesis será apresentado pela primeira vez no Brasil. A performance foi desenvolvida por Robson Catalunha no The Watermill Center, sob supervisão artística de Bob Wilson. Situada entre a performance, a instalação, o teatro imersivo e a exposição viva, a obra investiga os mecanismos pelos quais determinados corpos são observados, classificados e expostos pela sociedade. A criação estabelece relações entre humano e animal, realidade e ficção, liberdade e confinamento, além de abordar questões ligadas à biotecnologia, à inteligência artificial e às novas formas de controle da vida.

Em La Gravedad de las Burbujas, de Buenos Aires, sete personagens vivem quatro histórias simultâneas dentro de uma mesma casa, uma hora antes de um grande apagão. Amizade, casamento, sexo e vocação conduzem as narrativas, que acontecem em diferentes ambientes, mas ocupam o mesmo espaço cênico. Cabe ao espectador escolher onde concentrar o olhar e construir sua própria leitura sobre os vínculos e conflitos apresentados.

De Natal, no Rio Grande do Norte, a S.E.M. Cia. de Teatro apresenta Um Depoimento Real, criado a partir de um processo de pesquisa e intercâmbio entre Brasil e Argentina. A montagem reúne a atuação do brasileiro José Neto Barbosa, a direção da argentina Monina Bonelli e a dramaturgia de Paola Traczuk, também argentina. O espetáculo aborda os silenciamentos relacionados à violência contra crianças e propõe uma experiência que combina atuação, desenho e conversa com o público.

Do Amazonas, o grupo Panorando apresenta Aboio: O Auto do Boi Cansado, montagem que parte das tradições do Boi-Bumbá e do Bumba-meu-Boi para discutir trabalho, exaustão e sobrevivência. Na história, cansado do ciclo de festas e rituais, o Boi decide tirar férias, mas sua ausência ameaça a continuidade da celebração. A obra reúne referências do Boi Falô, da vaquejada e de outras manifestações da cultura popular para questionar as forças que exigem o retorno do personagem.

Do Rio de Janeiro, Clínica do Encantamento, da Fábrica de Sonhos Produções, é uma performance relacional que convida os transeuntes a avaliar sua capacidade de se relacionar com os pequenos acontecimentos do cotidiano. Utilizando objetos e instrumentos poéticos, dois performers conversam com cada participante e elaboram, em conjunto, a prescrição de uma atividade a ser realizada durante a semana. Os registros dessas ações passam a integrar um arquivo coletivo que acompanha o trabalho pelas cidades onde é apresentado.

Também do Rio de Janeiro, em Carangueja, uma mulher de origem e tempo desconhecidos é atravessada por vozes que surgem de seu próprio corpo. Enquanto tenta compreender o que acontece, ela passa por uma metamorfose que a coloca no limite entre o humano e o crustáceo. A partir do manguezal, o solo com texto e atuação de Tereza Seiblitz aborda diferentes formas de ser mulher e temas como maternidade, gênero, antropocentrismo e desigualdade social.

De Santos, no litoral paulista, a Cia. PlastikOnírica combina boneco híbrido, objetos e kamishibai (teatro de papel) em Memórias dOmar. Sem texto falado, o espetáculo acompanha um velho pescador em um barco sobre rodas que funciona como cenário e suporte para pequenas cenas. O público escolhe objetos que acionam histórias inspiradas em poemas de autores santistas e em referências ligadas ao mar, à passagem do tempo e à memória caiçara. Criada para espaços públicos e pequenos grupos de espectadores, a montagem utiliza sons, música e imagens para estabelecer uma relação direta com os espectadores.

De São Paulo, a Zózima Trupe apresenta TrabalhaDORES, ópera marginal criada a partir de pesquisa e escuta com motoristas, cobradores e passageiros de ônibus. Com encenação e dramaturgia de Anderson Maurício, o espetáculo homenageia os trabalhadores que mantiveram a cidade em movimento durante a pandemia e aborda questões como desigualdade social, transporte público, memória e luto. A montagem acontece dentro do ônibus da companhia e combina teatro, música ao vivo, canto lírico, percussão e projeções de vídeo. Na MIACENA, o público embarca na Praça Roosevelt para uma apresentação em trânsito pela cidade.

O Núcleo Teatro de Imersão apresenta Traição, montagem em que o público circula por quatro ambientes para acompanhar um triângulo amoroso entre moradores de um mesmo condomínio nos anos 1960. Adaptado da obra de Harold Pinter por Adriana Câmara e dirigido por Glau Gurgel, o espetáculo elimina a separação entre palco e plateia e envolve os espectadores nos cenários, nas sonoridades e nos acontecimentos da trama. A história é contada em cronologia invertida, começando após o fim do relacionamento e retornando ao momento em que ele teve início. O trabalho integrou a seleção ZESCAR, na categoria Melhor Direção, e foi indicado ao Prêmio Arcanjo na categoria Teatro Contemporâneo.

A Cia. Base transforma a arquitetura urbana em espaço para dança e circo em Corpo Graffiti. Bailarinas aéreas e acrobatas se movimentam vertical e horizontalmente em fachadas de edifícios, criando coreografias que dialogam com as linhas, formas e dimensões das construções. Concebido e dirigido por Cristiano Cimino, o espetáculo investiga a presença do corpo feminino na cidade e sua ocupação de estruturas tradicionalmente inacessíveis. Na MIACENA, a apresentação acontece no prédio da Prefeitura.

Indicada ao Prêmio APCA 2024 na categoria Projeto/Difusão, Fantasias Brasileiras recupera a história do Balé IV Centenário, criado em 1954 para as comemorações dos 400 anos da capital paulista. Com concepção e direção de Renan Marcondes, cinco artistas recriam quatro coreografias do antigo repertório em versões concebidas para as ruas. As apresentações são acompanhadas por locuções e mediações que contextualizam o balé e discutem suas inovações, contradições e estereótipos.

Da Cia. Os Crespos, coletivo de São Paulo criado em 2005, Sonhos parte da frase Eu tenho um sonho, associada a Martin Luther King Jr., para discutir direitos, identidade negra, moradia e liberdade. Os personagens compartilham seus desejos e distribuem pães doces ao público, que também é convidado a revelar suas expectativas para o futuro. Com direção e dramaturgia de Lucelia Sergio, o trabalho propõe o sonho como exercício coletivo de transformação e mobilização. A companhia desenvolve pesquisas cênicas e audiovisuais relacionadas à negritude, ao racismo e à identidade.

Do Grupo XIX de Teatro, coletivo de São Paulo criado em 2001, Hysteria acompanha cinco mulheres internadas como histéricas em um hospício feminino no final do século XIX. O espetáculo separa homens e mulheres na plateia e convida o público feminino a interagir com as atrizes, construindo uma dramaturgia que combina improvisação e textos previamente elaborados. Desde 2001, o grupo desenvolve uma pesquisa autoral baseada na criação colaborativa, na ocupação de espaços não convencionais e na relação direta com o público.

Do Núcleo Inverso de Teatro, Shangri-lá, uma distopia tecnobrega imagina um Brasil futurista comandado por um rei autoritário. A trama acompanha frequentadores de um bar e karaokê que tentam libertar um amigo preso injustamente. Escrita e dirigida por André Sun, a montagem combina o teatro de rua brasileiro com referências do Topeng, dança dramática de máscaras balinesa, e da Ópera de Pequim, tendo o brega como matriz musical e visual.

De Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo, a Trupe Trapaceiros reúne circo e música em Forró Circense. Ao som de sanfona, voz e percussão, artistas apresentam números de contorção, malabarismo, equilíbrio, tecido aéreo, trapézio, bambolê e roda Cyr. A montagem coloca o protagonismo feminino no centro do picadeiro e reúne artistas circenses, palhaças e musicistas em diferentes modalidades.

A Cia. Bendita utiliza a estrutura das fábulas para discutir educação e as relações entre adultos e crianças, fortes e fracos, passado e presente em Elagalinha. Escrita e dirigida por Marcelo Romagnoli, a história acompanha uma galinha de seis anos que é presa por um monstro quando vai à escola pela primeira vez. A jaula se transforma em sala de aula, enquanto dois críticos comentam os acontecimentos em uma narrativa paralela.

Criada por Roberto Alencar, Incunábula reúne o artista e Renata Aspesi no interior de dois grandes tecidos desenhados à mão. Ao compartilharem a mesma estrutura, os intérpretes precisam negociar cada movimento, alterando continuamente o equilíbrio, as imagens e as formas produzidas pelas malhas. Concebida para praças, escadarias, galerias e áreas de convivência, a performance não utiliza palco, iluminação ou trilha sonora. A arquitetura, os ruídos do entorno e a circulação das pessoas passam a integrar a obra.

Em Escola Modelo, os performers Pedro Granato e Letícia Calvosa cruzam suas experiências pessoais para discutir racismo estrutural, privilégios e ações afirmativas no campo da educação. Com dramaturgia de Bruno Lourenço e direção de Fernando Vilela, a montagem utiliza elementos de uma sala de aula e recursos da contação de histórias para abordar a política de cotas, a resistência às medidas de inclusão e a necessidade de mudanças no ambiente escolar. A encenação parte de referências do teatro épico de Bertolt Brecht, expõe ao público seus mecanismos e convida os espectadores a participar da reflexão proposta pela obra.

A atividade formativa Produzir o improvável: a criação teatral em espaços não convencionais reúne Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem, e Ricardo Karman, do Centro da Terra, para discutir a criação de obras em igrejas, prédios, ruas e outros territórios. A partir de suas experiências, os convidados abordam os desafios e as estratégias envolvidos na ocupação desses espaços e as relações entre produção, cidade e dramaturgia. A mediação será de Federico Irazábal, do FIBA, Festival Internacional de Buenos Aires, e Bernardo Galegale.

Histórico

A primeira edição da MIACENA aconteceu em setembro de 2024 e reuniu 90 artistas em mais de 30 apresentações nacionais e internacionais. A programação contou ainda com 24 palestrantes e 15 expositores. A edição gerou mais de 200 empregos e atraiu um público de 10 mil pessoas.

A edição 2025 da MIACENA reuniu mais de 40 apresentações nacionais e internacionais, ocupando ruas, praças, museus, bares e espaços culturais do centro histórico de São Paulo. A mostra recebeu artistas de cinco estados brasileiros e projetos de Portugal, Argentina e França, além de promover ações formativas, debates sobre Cultura Circular e atividades de economia criativa.

Serviço

MIACENA, Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos. De 11 a 22 de agosto de 2026. Entrada gratuita. Ingressos: retirada no local, uma hora antes da apresentação. Limite de dois por pessoa. Programação completa e mais informações no site www.miacena.com. Instagram: @miacena_br.