05 de agosto de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Rio de Janeiro - RJ
??ºC Salvador - BA

Burnout vira disputa trabalhista e gera indenizações

Geral Burnout 05/08/2026 14:20 Lorena Oliveira (LC Agência)

A síndrome de burnout, marcada pelo esgotamento extremo causado pelo trabalho, virou um grande ponto de disputa entre empregados e empregadores. Com o aumento dos afastamentos por problemas de saúde mental e a nova regra que obriga as empresas a cuidarem do bem-estar dos funcionários, a advogada Priscila Arraes Reino lançou um livro para ensinar como conseguir seus direitos. Ela explica que só ter um laudo médico não basta: é preciso juntar provas. Entre elas, mensagens fora do horário, cobranças abusivas e até registros de crises de ansiedade. Essas evidências podem ser decisivas em um processo trabalhista e garantir indenizações para quem adoeceu por causa do trabalho.

O esgotamento extremo ligado ao trabalho, conhecido como burnout, deixou de ser um assunto vergonhoso e virou motivo de briga na Justiça. Cada vez mais, trabalhadores que adoecem por causa do emprego buscam indenizações, mas muitos perdem o processo por falta de provas.

Quem usa isso no dia a dia é a advogada Priscila Arraes Reino, que escreveu o livro Burnout tem lei. Ela explica que a Justiça do Trabalho não julga apenas o sofrimento, mas olha tudo o que o trabalhador conseguiu mostrar por escrito, em áudio ou em mensagens. Por isso, quem está sofrendo precisa começar a guardar tudo ainda enquanto trabalha, muito antes de pedir afastamento ou ser demitido.

  • Conversas de WhatsApp que mostram cobranças fora do horário são provas fortes
  • Metas impossíveis de cumprir, registradas por e-mail, ajudam a comprovar assédio
  • Atestados médicos e receitas de remédios são documentos importantes
  • prints de mensagens e áudios podem ser usados, mas é preciso cuidado com a forma de obtê-los
  • Postar fotos ou comentários em redes sociais durante uma ação trabalhista pode prejudicar o caso

Priscila diz que o adoecimento vem aos poucos. Mensagens fora do horário, pressão constante, metas impossíveis, crises de ansiedade e até afastamentos curtos fazem parte da história. O laudo médico é importante, mas não é o único documento que vale na Justiça.

O que guardar e como registrar

Segundo a advogada, o trabalhador deve guardar todos os e-mails, mensagens e até bilhetes que mostrem o dia a dia no trabalho. Ela orienta que o funcionário anote quando aconteceu cada cobrança abusiva ou marcação de meta. Se houver assédio moral, como xingamentos ou ameaças, tudo deve ser registrado.

Também é importante não cometer ilegalidades na hora de guardar as provas. Não se pode invadir sistemas da empresa nem gravar conversas sem saber se é permitido. O correto é guardar aquilo que já faz parte da rotina, como e-mails e comunicados.

A nova regra e o papel das empresas

Uma regra nova, chamada NR-1, passou a exigir que as empresas cuidem dos riscos emocionais no trabalho. Isso mudou o jogo, porque deixou claro que o bem-estar mental é uma responsabilidade do empregador. A autora afirma que muitos trabalhadores só percebem o problema quando já estão sem forças para trabalhar, e que a informação é a melhor forma de proteção.

O livro Burnout tem lei foi escrito com uma linguagem simples, para que qualquer pessoa entenda. Ele mostra, passo a passo, o que fazer diante dos primeiros sinais de esgotamento, como funcionam os processos e quais direitos podem ser exigidos. Priscila defende que entender isso antes de a situação piorar pode evitar rupturas na vida profissional e emocional.

A obra chega em um momento em que saúde mental virou um tema importante dentro das empresas, e elas precisam levar isso a sério. O livro traz ensinamentos para não deixar que uma situação se torne um problema grave, e cobra das empresas uma postura mais responsável.