05 de agosto de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Rio de Janeiro - RJ
??ºC Salvador - BA

Museu das Culturas Indígenas terá debates, filmes e festas em agosto

Geral Cultura Indígena 05/08/2026 11:47 Laiz Sousa / Agência Galo

Em agosto, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realiza uma programação especial com debates sobre o clima, lançamento de documentário, contação de histórias e celebrações. As atividades são gratuitas e acontecem no museu e em outros espaços de São Paulo, valorizando a cultura e os conhecimentos dos povos originários.

Em agosto, mês marcado pelo Dia Internacional dos Povos Indígenas, o Museu das Culturas Indígenas (MCI) realiza uma programação que junta conhecimentos tradicionais, emergência climática, comunicação, memória, audiovisual, educação e participação social. As atividades acontecem no museu e em espaços parceiros, com encontros gratuitos que ampliam a importância dos povos originários nas discussões sobre os desafios atuais. O MCI é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

Entre 4 e 7 de agosto, o MCI participa da São Paulo Climate Week 2026 com o ciclo Florestas e Sociobioeconomia: conservação, financiamento e negócios regenerativos. A iniciativa reúne lideranças comunitárias, representantes do poder público, pesquisadores, investidores e organizações da sociedade civil para discutir soluções voltadas à conservação ambiental, restauração de florestas, financiamento da sociobioeconomia e modelos de negócios regenerativos, em uma programação dedicada aos desafios da emergência climática e da transição sustentável.

No dia 8 de agosto, sábado, às 10h, o MCI promove, no Projeto Casulo, no Real Parque (São Paulo/SP), o pré-lançamento do documentário Pankararu: Entre Serras e Arranha-Céus, durante o Encontro Anual Pankararu 2026. O filme foi produzido a partir de uma pesquisa autônoma feita por jovens indígenas e mostra a trajetória da comunidade Pankararu que se estabeleceu no Real Parque, na Zona Sul de São Paulo, a partir das migrações iniciadas na década de 1940.

Com depoimentos de diferentes gerações, o documentário destaca especialmente o papel das mulheres como guardiãs dos ensinamentos dos encantados, das memórias familiares e das redes de cuidado. A obra também aborda a luta da comunidade por políticas públicas e por mais acesso à saúde no território. O filme mostra o território Pankararu como uma construção viva, sustentada pelos vínculos de parentesco, pela transmissão de saberes e pela resistência cultural, tanto no sertão pernambucano quanto na metrópole paulistana.

A programação do Encontro Anual Pankararu conta com danças e cantos tradicionais, como o toré, além de venda de artesanato e comidas feitas pela comunidade. Povos como Pankararé, Pankará, Fulni-ô, Jeripancó e Guarani também participam da celebração.

No mesmo dia, às 11h30, o MCI realiza uma oficina de introdução ao audiovisual, também no Projeto Casulo. A atividade é voltada à comunidade Pankararu e ao público presente no encontro, e será conduzida por Thiago Carvalho, responsável pela edição do documentário. O objetivo é apresentar ferramentas básicas de produção audiovisual e refletir sobre como o cinema pode ser usado pelos povos indígenas para valorizar seus saberes, combater estereótipos e ampliar suas vozes.

No dia 9 de agosto, domingo, às 15h, o MCI celebra o Dia Internacional dos Povos Indígenas com a atividade O Canto da Floresta no Coração da Metrópole, comandada pela Comitiva Pey Kawa, do povo Huni Kuin, do Acre. O grupo apresenta cantos sagrados Huni Meka, danças e conhecimentos passados de geração em geração, em uma vivência que transforma o MCI em espaço de encontro entre a floresta e a cidade. A atividade é para todas as idades e destaca a arte, a espiritualidade e o protagonismo indígena como formas de resistência, cura e fortalecimento cultural.

A Comitiva Pey Kawa é um dos coletivos culturais mais atuantes do povo Huni Kuin e promove intercâmbios entre os conhecimentos ancestrais da Floresta Amazônica e os centros urbanos do Brasil e do exterior. Sua atuação reúne música, produção audiovisual, pesquisas, exposições, grafismos e vivências culturais.

No dia 15 de agosto, sábado, das 10h às 12h, o MCI realiza o lançamento de Pankararu: Entre Serras e Arranha-Céus como parte da programação da 12ª Jornada do Patrimônio, que neste ano tem como tema São Paulo: Cada Olhar, Uma História. A exibição é seguida por uma apresentação do material educativo desenvolvido a partir do projeto e por uma conversa sobre memória, patrimônio cultural, educação, audiovisual e presença indígena no contexto urbano.

No dia 22 de agosto, às 11h, o Programa de Contação de Histórias MCI apresenta a atividade Muito Antes do Era Uma Vez: águas, árvores e serpentes que sustentam o mundo, com Emerson Baré, Fitsaká, Xipu Puri e Yriwana Teluira Karajá. Em uma edição especial do Agosto Indígena, quatro mestres de saberes compartilham narrativas ligadas às cosmologias dos povos Baré, Pankararu, Puri e Iny Mahãdu. As histórias falam sobre a criação de rios e cachoeiras, a relação entre seres humanos e árvores, a vida nas profundezas das águas e a proteção dos nomes e das memórias ancestrais.

Para encerrar o mês, no dia 28 de agosto, sexta-feira, às 14h, o MCI apresenta o processo de elaboração do novo Plano Museológico do MCI/Tava, com participação das equipes do Museu e do Conselho Indígena Aty Mirim. O encontro mostra como o documento que orienta os caminhos da instituição nos próximos anos foi construído de forma coletiva. O evento também marca o encerramento do projeto Formação em Museologia Intercultural para Lideranças Indígenas, que teve seis encontros, 12 aulas e 12 sessões de trabalho, reunindo membros do Conselho Aty Mirim e das equipes indígena e não indígena do MCI e do Instituto Maracá. O processo foi guiado pelos princípios da participação, da colaboração, do diálogo intercultural e do protagonismo indígena em todas as etapas do trabalho museológico.

Além disso, artesãos e artesãs indígenas de diferentes povos comercializam uma grande diversidade de artefatos tradicionais na Feira de Artes Manuais Indígenas, montada na área externa do MCI. Das 9h às 18h, o espaço promove artistas indígenas para incentivar e ampliar oportunidades socioprodutivas e econômicas.

  • O que: Museu das Culturas Indígenas promove agenda com debates, filmes e festas em agosto.
  • Quando: Durante todo o mês de agosto de 2026.
  • Onde: Museu das Culturas Indígenas (Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água Branca, São Paulo) e Projeto Casulo (Real Parque).
  • Quanto: Gratuito, com retirada de ingressos no site oficial.
  • Destaque: Lançamento de documentário Pankararu e apresentação da Comitiva Pey Kawa.

Exposições em cartaz

As exposições em cartaz celebram as riquezas e a diversidade cultural dos povos originários:

  • Hendu Porãrã - escutar com o corpo: uma imersão sensorial na cultura do povo Guarani a partir de linguagens ancestrais e contemporâneas.
  • Ayvu Porã - As Belas Palavras: convida o público a conhecer a força da palavra na cosmologia Guarani Mbya e a entender a língua como uma conexão entre a Terra, o Céu e os ancestrais.
  • Mymbai, pedindo licença aos espíritos, dialogando com a Mata Atlântica: um chamado para a reflexão sobre os impactos das ações humanas e a urgência de cuidar da natureza.
  • Nhe' ry - onde os espíritos se banham: explora dimensões espirituais, territoriais e simbólicas da relação dos povos indígenas com a Mata Atlântica.
  • Ocupação Decoloniza SP Terra Indígena: ocupa as áreas externas com grafismos Guarani e murais de onças, criados por artistas indígenas.

Serviço

Local: Museu das Culturas Indígenas Rua Dona Germaine Burchard, 451, Água Branca São Paulo/SP

Horário: Terça a domingo, das 9h às 18h; quintas-feiras até 20h

Ingressos: Gratuitos, retirada no site oficial

Contato: (11) 3873-1541 | [email protected]