Uma proposta vai ser discutida em um seminário no Rio para transformar o antigo prédio do DOPS, na Rua da Relação, em um centro de memória sobre a ditadura militar. O evento também vai debater como preservar os documentos sobre a repressão política e as violações de direitos humanos no Brasil.
O antigo prédio do DOPS, no Centro do Rio, pode ganhar uma nova função. A ideia é transformar o imóvel em um Centro de Memória, e o assunto vai ser debatido em um seminário na próxima quinta-feira (06/08). O evento faz parte da campanha Sem Memória Não Há Democracia e vai reunir representantes do governo, especialistas e entidades da sociedade civil.
- O prédio do DOPS é um dos principais símbolos da repressão política no Brasil.
- O local funcionou como centro de detenção e tortura durante a ditadura militar.
- Documentos importantes estavam guardados de forma errada, até em sacos de lixo.
- O Ministério Público Federal recomendou a transferência do acervo para o Arquivo Público do Estado.
- O seminário vai debater o futuro do imóvel e a preservação da memória histórica.
No encontro, também vão ser discutidas ações para recuperar, preservar e aumentar o acesso aos documentos sobre a repressão política no Brasil. Esse material é considerado um dos mais importantes registros de violações de direitos humanos durante o Estado Novo (1937-1945) e a Ditadura Militar (1964-1985).
O edifício fica na Rua da Relação, número 40, e foi inaugurado em 1910 como sede da Repartição Central de Polícia. Com o passar dos anos, virou um dos principais símbolos da repressão no país. Durante o Estado Novo, abrigou a Delegacia Especial de Segurança Política e Social. Já entre 1962 e 1975, foi a sede do DOPS, órgão que investigava e prendia quem era contra o regime militar. O lugar ficou marcado por interrogatórios, detenções sem motivo e denúncias de tortura contra presos políticos. O prédio também foi usado para apreender objetos de religiões de matriz africana, numa perseguição cultural feita pelo Estado.
Documentos foram transferidos
A discussão sobre o futuro do prédio acontece poucos meses depois do começo da mudança dos documentos que estavam no local para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (APERJ). A transferência foi feita depois que o Ministério Público Federal recomendou, por causa de problemas graves de conservação.
Durante as inspeções, feitas por causa de um inquérito aberto em dezembro de 2025, parte da documentação foi achada guardada de forma inadequada. Tinha papel espalhado pelo chão, dentro de sacos de lixo e sem identificação, o que aumentou o risco de perder registros históricos importantes.
Depois da ação do MPF, foi criado o Grupo de Trabalho DOPS, que é responsável por identificar, catalogar e preservar o acervo. A coordenação técnica é do APERJ.
Seminário para decidir o futuro do prédio
O seminário vai acontecer a partir das 15h, na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), no Flamengo. No evento, vão ter debates sobre o que fazer com o imóvel e sobre políticas públicas para preservar a memória e os direitos humanos.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


