05 de agosto de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Rio de Janeiro - RJ
??ºC Salvador - BA

EUA e Irã divergem sobre negociações; entenda o cenário atual

Geral Guerra 05/08/2026 08:21 Tala Ramadan e Kanishka Singh, da Reuters cnnbrasil.com.br

Trump fala em reabertura iminente do Estreito de Ormuz, mas Teerã nega conversas em andamento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo teve "discussões muito boas" com o Irã durante negociações que duraram o dia todo na terça-feira (4), alimentando expectativas de um fim iminente para a guerra que já dura cinco meses.

Teerã negou, no início da semana, a afirmação de que as negociações estão em andamento.

Os preços do petróleo caíram e as ações subiram nas negociações asiáticas desta quarta-feira (5), depois que Wall Street atingiu níveis recordes com a esperança de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para restabelecer o tráfego pelo bloqueado Estreito de Ormuz.

  • Trump disse que as negociações com o Irã foram "muito boas" e que o Estreito de Ormuz "será aberto muito em breve".
  • O Irã nega que esteja negociando diretamente com os EUA, mas admite conversas com Omã sobre a segurança da navegação.
  • Os preços do petróleo caíram e as ações subiram com a esperança de um acordo para reabrir o estreito.
  • O Catar atua como mediador e relatou progresso nas negociações para encerrar o conflito.
  • O Estreito de Ormuz é uma rota crucial por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo.

"Eles tiveram uma negociação que durou o dia todo", disse Trump ao programa "@ Night", da Fox News. O Estreito de Ormuz "vai ser aberto muito em breve", acrescentou Trump. "Se eles recuarem novamente, sofrerão um golpe muito duro."

O presidente americano frequentemente ameaçou realizar ataques de grande escala caso Teerã não chegasse a um acordo e, posteriormente, mencionou avanços nas negociações que, até o momento, não conseguiram encerrar as hostilidades.

Acordo provisório

O site Axios, citando duas fontes regionais e uma autoridade americana, noticiou que os Estados Unidos e o Irã estão próximos de um acordo provisório para reabrir o estreito, com a anuência de Omã, que controla parte da via navegável.

A reportagem indicou que Washington pretendia fazer um anúncio nesta quarta-feira (5).

No entanto, a mídia estatal iraniana, citando uma fonte bem informada, afirmou que um acordo com Omã sobre o estreito sofrerá atrasos "enquanto os Estados Unidos continuarem a ameaçar o Irã".

Catar relata progresso nas negociações

Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início do conflito: desmantelar o programa nuclear do Irã, conter sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.

O Irã interrompeu a maior parte do tráfego em Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio a navios e portos ligados ao país.

O Catar havia afirmado anteriormente que mediadores estavam avançando nos esforços para encerrar o conflito, mesmo depois de Teerã negar que houvesse negociações em curso.

Trump e o emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad Al Thani, discutiram esforços para reduzir as divergências entre Washington e Teerã e melhorar as perspectivas de um acordo duradouro durante um telefonema na terça-feira (4), informou o gabinete do emir do Catar.

Negociações Irã-Omã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações com Omã sobre o trânsito pelo estreito foram positivas e continuam em andamento, com foco no estabelecimento de rotas de navegação seguras, segundo a mídia estatal.

Ele acrescentou que a rota em negociação visa garantir os direitos soberanos e a segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã.

O Irã reivindica há muito tempo o controle do Estreito de Ormuz, o qual sustenta que deveria ser compartilhado com Omã, situado na margem oposta.

No entanto, Teerã rejeitou, na semana passada, uma proposta do Omã que permitiria a supervisão conjunta e a cobrança de taxas voluntárias das embarcações.

Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo.

Um projétil atingiu uma embarcação de bandeira indiana perto do Iêmen, fazendo-a virar e afundar; no entanto, todos os 14 tripulantes a bordo foram resgatados, informaram autoridades indianas, em um ataque que o Iêmen atribuiu aos Houthis.

Vítimas da guerra

A Organização Marítima Internacional das Nações Unidas relatou pelo menos 17 mortes de marinheiros em 64 ocorrências no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

Esses números somam-se aos dados do governo iraniano de 50 mortos e 500 feridos em ataques dos EUA desde a retomada das hostilidades no final de junho, um balanço divulgado antes do Irã informar que um ataque americano em Qeshm, no final de julho, matou um casal e seu filho de dois anos.

Ao todo, o Irã relatou mais de 3.400 mortes desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra, em 28 de fevereiro, enquanto os EUA registraram 18 militares mortos.