Trump fala em reabertura iminente do Estreito de Ormuz, mas Teerã nega conversas em andamento
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo teve "discussões muito boas" com o Irã durante negociações que duraram o dia todo na terça-feira (4), alimentando expectativas de um fim iminente para a guerra que já dura cinco meses.
Teerã negou, no início da semana, a afirmação de que as negociações estão em andamento.
Os preços do petróleo caíram e as ações subiram nas negociações asiáticas desta quarta-feira (5), depois que Wall Street atingiu níveis recordes com a esperança de que um acordo pudesse ser alcançado em breve para restabelecer o tráfego pelo bloqueado Estreito de Ormuz.
- Trump disse que as negociações com o Irã foram "muito boas" e que o Estreito de Ormuz "será aberto muito em breve".
- O Irã nega que esteja negociando diretamente com os EUA, mas admite conversas com Omã sobre a segurança da navegação.
- Os preços do petróleo caíram e as ações subiram com a esperança de um acordo para reabrir o estreito.
- O Catar atua como mediador e relatou progresso nas negociações para encerrar o conflito.
- O Estreito de Ormuz é uma rota crucial por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo.
"Eles tiveram uma negociação que durou o dia todo", disse Trump ao programa "@ Night", da Fox News. O Estreito de Ormuz "vai ser aberto muito em breve", acrescentou Trump. "Se eles recuarem novamente, sofrerão um golpe muito duro."
O presidente americano frequentemente ameaçou realizar ataques de grande escala caso Teerã não chegasse a um acordo e, posteriormente, mencionou avanços nas negociações que, até o momento, não conseguiram encerrar as hostilidades.
Acordo provisório
O site Axios, citando duas fontes regionais e uma autoridade americana, noticiou que os Estados Unidos e o Irã estão próximos de um acordo provisório para reabrir o estreito, com a anuência de Omã, que controla parte da via navegável.
A reportagem indicou que Washington pretendia fazer um anúncio nesta quarta-feira (5).
No entanto, a mídia estatal iraniana, citando uma fonte bem informada, afirmou que um acordo com Omã sobre o estreito sofrerá atrasos "enquanto os Estados Unidos continuarem a ameaçar o Irã".
Catar relata progresso nas negociações
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início do conflito: desmantelar o programa nuclear do Irã, conter sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.
O Irã interrompeu a maior parte do tráfego em Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio a navios e portos ligados ao país.
O Catar havia afirmado anteriormente que mediadores estavam avançando nos esforços para encerrar o conflito, mesmo depois de Teerã negar que houvesse negociações em curso.
Trump e o emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad Al Thani, discutiram esforços para reduzir as divergências entre Washington e Teerã e melhorar as perspectivas de um acordo duradouro durante um telefonema na terça-feira (4), informou o gabinete do emir do Catar.
Negociações Irã-Omã
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações com Omã sobre o trânsito pelo estreito foram positivas e continuam em andamento, com foco no estabelecimento de rotas de navegação seguras, segundo a mídia estatal.
Ele acrescentou que a rota em negociação visa garantir os direitos soberanos e a segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã.
O Irã reivindica há muito tempo o controle do Estreito de Ormuz, o qual sustenta que deveria ser compartilhado com Omã, situado na margem oposta.
No entanto, Teerã rejeitou, na semana passada, uma proposta do Omã que permitiria a supervisão conjunta e a cobrança de taxas voluntárias das embarcações.
Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo.
Um projétil atingiu uma embarcação de bandeira indiana perto do Iêmen, fazendo-a virar e afundar; no entanto, todos os 14 tripulantes a bordo foram resgatados, informaram autoridades indianas, em um ataque que o Iêmen atribuiu aos Houthis.
Vítimas da guerra
A Organização Marítima Internacional das Nações Unidas relatou pelo menos 17 mortes de marinheiros em 64 ocorrências no Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Esses números somam-se aos dados do governo iraniano de 50 mortos e 500 feridos em ataques dos EUA desde a retomada das hostilidades no final de junho, um balanço divulgado antes do Irã informar que um ataque americano em Qeshm, no final de julho, matou um casal e seu filho de dois anos.
Ao todo, o Irã relatou mais de 3.400 mortes desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra, em 28 de fevereiro, enquanto os EUA registraram 18 militares mortos.

Banner com uma foto do presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado de um sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã, Irã, em 30 de julho de 2026. Majid Asgaripour/WANA via REUTERS





