Pesquisa revela que 59% dos brasileiros vivem em estado de cansaço constante, e as universidades precisam se adaptar para formar profissionais mais resilientes, indo além do conhecimento técnico.
A rotina cada vez mais acelerada, a pressão por resultados e a insegurança em relação ao futuro estão mudando a forma como as pessoas vivem, aprendem e se preparam para o mercado de trabalho. Uma pesquisa chamada "O Brasil de Agora", feita pelo Instituto Aerah House com dois mil brasileiros, mostra um cenário de exaustão que afeta vários setores da sociedade, incluindo as universidades.
Segundo a pesquisa, 59% dos brasileiros dizem que vivem cansados o tempo todo. Outros 69% acham que a vida exige mais do que antes, e 66% afirmam que, mesmo se organizando, continuam preocupados com a própria estabilidade. Entre os jovens, 38% se sentem sobrecarregados tentando dar conta de tudo.
- A pesquisa "O Brasil de Agora" ouviu dois mil brasileiros.
- 59% dos brasileiros vivem em estado de cansaço constante.
- 38% dos jovens se sentem sobrecarregados com as responsabilidades.
- Universidades precisam ensinar habilidades emocionais, não só técnicas.
- O mercado de trabalho busca profissionais resilientes e adaptáveis.
Para o reitor do Centro Universitário ESAMC Santos, Pedro Smolka, esse problema já é visto dentro das salas de aula. Antes, o papel da universidade era só passar conhecimento técnico. Agora, é preciso ensinar também habilidades humanas, como lidar com um ambiente cada vez mais complicado e imprevisível.
Mudança no papel das universidades
Smolka conta que os alunos estão demonstrando muito mais ansiedade, dificuldade de concentração e outros problemas emocionais do que há vinte anos. "Muitos procuram professores para conversar, apresentam laudos e demonstram dificuldades que impactam o aprendizado. A universidade precisa entender essa realidade para continuar formando profissionais preparados", afirma.
Na visão do educador, o conhecimento técnico continua essencial, mas não é mais suficiente para o mercado de trabalho. Habilidades como inteligência emocional, liderança, comunicação, organização, adaptação e trabalho em equipe se tornaram tão importantes quanto o conhecimento específico de cada profissão.
"Conhecimento técnico continua sendo indispensável, mas ele, sozinho, já não basta. O profissional precisa saber lidar com pessoas, administrar conflitos, tomar decisões, trabalhar sob pressão e aprender continuamente. Essas competências também precisam fazer parte da formação universitária", explica.
O novo papel do professor
O papel do professor também mudou. Mais do que dar aula, ele deve ser uma referência para orientar os estudantes na construção da carreira. "O professor não deve ser apenas alguém que entra na sala para dar aula. Ele precisa ter uma conexão com o aluno, ser alguém que escuta, orienta e acompanha o desenvolvimento. Isso não significa reduzir a exigência acadêmica. É possível acolher o estudante e, ao mesmo tempo, manter a qualidade do ensino", diz.
Carreiras consistentes
Para o reitor, preparar profissionais para o futuro também significa estimular maturidade, autonomia e responsabilidade. "Vivemos um momento em que muitos jovens buscam sucesso imediato, principalmente pelas redes sociais. Mas carreiras consistentes são construídas com conhecimento, experiência e desenvolvimento profissional. O sucesso financeiro é consequência, não o ponto de partida", alerta.
No fim, a universidade tem a missão de formar pessoas completas. "Quando consegue desenvolver profissionais tecnicamente competentes e, ao mesmo tempo, cidadãos mais preparados para enfrentar desafios, colaborar, liderar e transformar a realidade, ela cumpre seu verdadeiro papel na sociedade", conclui.

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