Especialistas explicam que, no Dia Nacional da Saúde, o foco deve mudar de apenas aumentar a expectativa de vida para garantir que os brasileiros envelheçam com autonomia e bem-estar, prevenindo doenças crônicas desde cedo.
Os brasileiros estão vivendo mais, mas isso não significa que estejam envelhecendo com saúde. Enquanto a expectativa de vida ao nascer alcançou 76,6 anos, o maior índice da série histórica do IBGE, a população com 60 anos ou mais deverá representar 37,8% dos brasileiros até 2070. O avanço da longevidade ocorre ao mesmo tempo em que crescem as doenças crônicas e os desafios para preservar a autonomia durante o envelhecimento. No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, especialistas defendem que o foco da prevenção precisa deixar de ser apenas o tratamento das doenças e passar a priorizar a manutenção da saúde ao longo da vida.
- O Brasil tem uma expectativa de vida de 76,6 anos, mas muitos idosos enfrentam problemas de saúde que poderiam ser evitados.
- Até 2070, quase 40% da população brasileira terá 60 anos ou mais, o que exigirá mais atenção à saúde preventiva.
- Doenças como diabetes, pressão alta e problemas cardíacos são as principais causas de morte no país.
- Manter uma alimentação saudável, fazer exercícios e dormir bem são atitudes simples que ajudam a envelhecer com saúde.
- O médico Alexandre Duarte, especialista em saúde metabólica, explica que pequenas mudanças diárias podem fazer grande diferença.
Para Alexandre Duarte, médico, professor, pesquisador, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do Instituto Avantgarde, a medicina vive uma mudança importante de perspectiva. Segundo ele, prolongar a vida é uma conquista, mas preservar a capacidade física, cognitiva e metabólica será um dos principais desafios da saúde nas próximas décadas. "O objetivo não deve ser apenas aumentar a quantidade de anos vividos, mas garantir que esses anos sejam acompanhados de independência, disposição e qualidade de vida. Muitas doenças que aparecem depois dos 60 anos começam a se desenvolver silenciosamente décadas antes", afirma o médico.
O que dizem os especialistas
Esse cenário já preocupa organismos internacionais. O Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que o envelhecimento saudável depende principalmente da manutenção da capacidade funcional, conceito que reúne mobilidade, cognição, autonomia e bem-estar, e não apenas da ausência de doenças. A própria OMS define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, entendimento que reforça a necessidade de ampliar a prevenção para além do tratamento de enfermidades.
Prevenção começa cedo
Na avaliação do doutor Alexandre, um dos maiores equívocos é associar prevenção apenas à realização de exames ou ao início de tratamentos após o diagnóstico de alguma doença. Para ele, a deterioração metabólica costuma ocorrer de forma lenta, impulsionada por hábitos repetidos durante muitos anos.
"A perda de massa muscular, a resistência à insulina, o excesso de gordura visceral e o processo inflamatório não surgem de uma hora para outra. São alterações que podem permanecer silenciosas durante décadas. Quando aparecem limitações físicas ou doenças crônicas, recuperar plenamente a capacidade funcional se torna muito mais difícil", afirma Alexandre.
Na prática, o médico explica que preservar a saúde não exige medidas complexas, mas constância. Segundo ele, algumas atitudes acessíveis podem fazer diferença ao longo dos anos, como dar preferência a alimentos naturais e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, manter uma rotina de exercícios que inclua caminhadas e fortalecimento muscular, dormir entre sete e nove horas por noite, controlar o estresse, evitar o cigarro e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, realizar consultas e exames preventivos regularmente e manter a mente ativa por meio da leitura, do aprendizado contínuo e da convivência social. "São hábitos simples, mas que influenciam diretamente a saúde metabólica e aumentam as chances de chegar ao envelhecimento com autonomia."
Um novo olhar para a saúde pública
O envelhecimento da população brasileira também começa a transformar a agenda da saúde pública. Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças crônicas não transmissíveis, como enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, permanecem entre as principais causas de morte no país e respondem pela maior parte da demanda assistencial do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para o especialista, esse cenário exige uma mudança de mentalidade tanto entre profissionais quanto entre a população. "Esperar o aparecimento da hipertensão, do diabetes ou das primeiras limitações para mudar hábitos significa perder uma parte importante da oportunidade de prevenção. O envelhecimento saudável não começa aos 60 anos. Ele é resultado das escolhas feitas diariamente ao longo da vida", explica Alexandre.
No Dia Nacional da Saúde, a discussão sobre longevidade ganha um significado que vai além do aumento da expectativa de vida. Em um país que envelhece rapidamente, preservar a autonomia, a capacidade funcional e a qualidade de vida tende a se tornar um dos principais indicadores de sucesso das políticas de prevenção e promoção da saúde.
"O maior patrimônio que uma pessoa pode construir ao longo da vida é a capacidade de continuar independente. Envelhecer com saúde não acontece por acaso. É resultado das escolhas feitas diariamente muito antes da velhice chegar", conclui Alexandre Duarte.

Dr. Alexandre Duarte (Ajustada por IA)




