04 de agosto de 2026

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Amamentação sem mitos: entenda o que realmente importa

Geral Amamentação 04/08/2026 11:43 Dra. Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da FEBRASGO

A especialista da FEBRASGO esclarece as principais dúvidas sobre amamentação, explicando o que é mito e o que é verdade. Descubra como o tamanho das mamas, o tipo de parto e a dor influenciam na produção de leite, e aprenda dicas práticas para uma amamentação tranquila e saudável.

O tamanho das mamas interfere na produção de leite A cesariana impede o aleitamento Sentir dor intensa nos primeiros dias é normal Essas são dúvidas frequentes entre gestantes e mulheres que acabaram de dar à luz. Muitas vezes, informações erradas aumentam a insegurança justamente quando a mulher mais precisa de acolhimento e orientação.

No Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, e no Dia Mundial da Amamentação, celebrado em 1º de agosto, a médica Dra. Silvia Regina Piza, presidente da Comissão Nacional Especializada em Aleitamento Materno da FEBRASGO, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema. Confira abaixo um resumo com os pontos principais:

  • Mito: Ter pouco aumento das mamas na gravidez não significa produzir menos leite. O volume não determina a capacidade de produção.
  • Verdade: A cesariana pode atrasar a descida do leite, mas não impede a amamentação. Contato pele a pele e amamentação na sala de parto ajudam.
  • Mito: Dor intensa nos primeiros dias não é normal e precisa ser avaliada por um profissional.
  • Verdade: Obesidade, diabetes e síndrome dos ovários policísticos podem dificultar o início da amamentação, mas é possível superar com acompanhamento.
  • Verdade: Oferecer fórmula na maternidade sem necessidade pode atrapalhar a amamentação exclusiva.
  • Verdade: A pega correta é mais importante que o formato do mamilo. O bebê deve abocanhar não só o mamilo, mas boa parte da aréola.

1. Mulheres que tiveram pouco aumento das mamas na gravidez produzem menos leite

Mito. Durante a gestação, as mamas passam por alterações na circulação, nos ductos e nos tecidos, preparando-se para o aleitamento. No entanto, o volume mamário não determina a capacidade de produção de leite. "A produção está diretamente relacionada ao estímulo provocado pela sucção do recém-nascido. Quanto maior e mais adequado esse estímulo, maior tende a ser a produção", explica a médica.

2. A cesariana pode atrasar a descida do leite

Verdade. O parto cesáreo pode atrasar a apojadura, que é o aumento da produção e a descida do leite nos primeiros dias, mas isso não significa que a amamentação será prejudicada. Segundo a especialista, algumas medidas ajudam a favorecer o processo, como evitar sedação excessiva na assistência ao parto, realizar o contato pele a pele e o aleitamento ainda na sala de parto, preferencialmente antes da primeira hora de nascimento.

"O contato imediato e a busca espontânea do bebê pela mama já contribuem para os estímulos hormonais envolvidos na produção de leite", afirma.

3. Dor intensa nos primeiros dias deve ser considerada normal

Mito. Algum desconforto inicial pode ocorrer por causa da descida do leite, do ingurgitamento das mamas ou da adaptação da mãe e do bebê. Dor forte, porém, não deve ser ignorada. "A dor intensa precisa ser avaliada, pois pode indicar pega inadequada, favorecendo a ocorrência de fissuras, inflamação ou outras dificuldades que exigem correção e acompanhamento", orienta Dra. Silvia.

4. Obesidade, diabetes e síndrome dos ovários policísticos podem dificultar o início da amamentação

Verdade. Alterações hormonais e metabólicas associadas à obesidade, ao diabetes e à síndrome dos ovários policísticos podem interferir no início da produção de leite. Porém, isso não significa que essas mulheres não possam amamentar. "Com acompanhamento, orientação e medidas adequadas, essas dificuldades podem ser superadas", ressalta a especialista.

5. Oferecer fórmula na maternidade pode interferir na amamentação exclusiva

Verdade. Em partos de risco habitual, quando mãe e bebê apresentam boas condições clínicas, a recomendação é manter o recém-nascido em alojamento conjunto e oferecer o peito sempre que houver sinais de fome. A introdução de fórmula sem indicação clínica pode reduzir a frequência das mamadas e, consequentemente, o estímulo necessário para a produção de leite.

"O bebê deve permanecer próximo da mãe e ser amamentado em livre demanda, desde o nascimento até a alta hospitalar. A fórmula só deve ser utilizada quando houver necessidade devidamente avaliada", explica Dra. Silvia.

6. A pega correta é mais importante do que o formato do mamilo

Verdade. O formato do mamilo pode gerar preocupação, especialmente nos casos de mamilos planos ou invertidos, mas não é, por si só, um impedimento para amamentar. O bebê precisa abocanhar não apenas o mamilo, mas boa parte da aréola. Uma pega adequada favorece a retirada do leite, evita dor e lesões e aumenta as chances de continuidade do aleitamento.

"Com orientação correta, é possível ajustar a posição e a pega, inclusive quando existem características anatômicas que inicialmente parecem dificultar a amamentação", conclui.

A FEBRASGO reforça a importância do apoio profissional e do acompanhamento adequado para que todas as mulheres possam vivenciar a amamentação de forma tranquila e saudável.