03 de agosto de 2026

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Uso excessivo de telas prejudica o rendimento escolar de crianças e adolescentes

Geral Educação 03/08/2026 11:26 Assessoria de imprensa do Colégio Integrado | Mem Comunicação

Relatórios da Unesco e da OCDE mostram que o excesso de telas e redes sociais prejudica a concentração e as notas. Especialista explica como os vídeos curtos afetam o cérebro dos jovens e dá dicas para famílias e escolas.

O uso excessivo de telas e redes sociais prejudica o aprendizado e o rendimento escolar em crianças e adolescentes. A informação consta em um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com base em dados do relatório PISA 2022, alerta que a distração e a substituição de atividades cognitivas são agravadas pelo imediatismo dos conteúdos rápidos. Com isso, os estudantes tendem a apresentar notas significativamente menores em disciplinas fundamentais como matemática, leitura e ciências.

  • Crianças e adolescentes que passam mais tempo em redes sociais têm notas menores em matemática, leitura e ciências.
  • Vídeos curtos e rolagem infinita funcionam como uma "metralhadora de estímulos", reduzindo a capacidade de concentração.
  • O uso de telas até altas horas atrapalha o sono, causando sonolência e dificuldade de aprender no dia seguinte.
  • A busca por curtidas e comentários nas redes sociais pode aumentar a ansiedade dos jovens.
  • Especialistas recomendam que famílias e escolas criem momentos sem telas, como durante as refeições e antes de dormir.

A mecânica do tédio digital

A especialista ressalta que o formato atual das mídias sociais, estruturado em vídeos de poucos segundos e rolagem infinita, opera como uma verdadeira "metralhadora de estímulos" para os jovens. Essa enxurrada constante de notificações e vídeos curtos reduz a capacidade do cérebro de manter o foco em tarefas mais longas e complexas, como a leitura de um livro ou a resolução de problemas matemáticos.

"Como o cérebro dos adolescentes está em fase de desenvolvimento, especialmente o córtex pré-frontal, área ligada ao controle de impulsos, ele acaba condicionado aos picos rápidos de dopamina obtidos por meio de curtidas e interações virtuais", diz Ana Paula Previate, diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Linguística.

"Quando esse jovem precisa ler um texto longo ou resolver um problema matemático complexo, o cérebro dele sente tédio rapidamente, porque não há a recompensa imediata à qual foi acostumado", complementa.

Para facilitar o entendimento sobre os principais impactos do excesso de telas para crianças e adolescentes, a especialista cita três pontos críticos:

1. Déficit de atenção

Os alunos se tornam mais imediatistas e têm dificuldade em manter o foco em atividades que exigem esforço prolongado.

2. Privação do sono

O uso de dispositivos até altas horas afeta o ciclo circadiano, resultando em estudantes sonolentos, cansados e com menor capacidade de retenção de conteúdo no dia seguinte.

3. Ansiedade

A busca por validação social (curtidas e comentários) gera picos de neurotransmissores que tornam a rotina da sala de aula "menos atraente", elevando os níveis de ansiedade.

Ferramenta versus distração

Para enfrentar esse cenário, o Colégio Integrado traça uma linha divisória clara entre a tecnologia como aliada pedagógica e o aparelho eletrônico como elemento de dispersão sistemática. A estratégia adotada evita a proibição isolada e aposta na educação digital direcionada. Enquanto ferramentas de pesquisa guiada e plataformas de gamificação são incentivadas em aula para estimular o raciocínio, o uso de celulares em momentos não pedagógicos passa por regras rígidas e debates conscientes.

"Explicamos aos estudantes a engenharia por trás dos algoritmos das redes sociais, que são feitos especificamente para prender a atenção deles", destaca a gestora. O objetivo do projeto de orientação educacional é fazer com que as turmas entendam de forma crítica que o hábito de checar mensagens e jogos durante o período de estudos fragmenta a absorção do conhecimento.

"Valorizamos o esporte, a leitura de livros físicos, a arte e a convivência face a face e mostramos que o mundo real oferece conexões tão ou mais ricas que o virtual", enfatiza a diretora.

Parceria com as famílias

O enfrentamento da questão, contudo, ultrapassa os muros da escola. Diante de uma crise de atenção que atinge proporções globais, a cooperação com os lares se mostra indispensável para o sucesso das ações. A recomendação da especialista inclui o estabelecimento de acordos domésticos e a criação de momentos totalmente desconectados, como durante as refeições e nas horas que antecedem o sono.

"Quando a escola e a família se unem para dizer 'menos telas, mais aprendizado', não estamos tirando a diversão do estudante. Estamos devolvendo a ele a capacidade de pensar por si mesmo, de se concentrar e de desenvolver plenamente suas habilidades socioemocionais e cognitivas", conclui a diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), Ana Paula Previate.