03 de agosto de 2026

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Solidão aumenta mesmo com tanta gente por perto, diz pesquisa

Geral Solidão 03/08/2026 10:18 Assessoria de imprensa - SantosPress

Pesquisa mostra que muitos brasileiros se sentem sozinhos mesmo tendo família e amigos por perto. Psicólogo explica que a qualidade das relações é mais importante que a quantidade de contatos.

Nunca foi tão fácil conversar com pessoas de qualquer lugar do mundo. Redes sociais, aplicativos de mensagens e chamadas de vídeo aproximaram distâncias e mudaram a forma como nos comunicamos. Mesmo assim, a sensação de solidão continua presente para muitos brasileiros.

Uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Aerah House com 2 mil pessoas em todo o país mostrou esse paradoxo: embora a maioria das pessoas afirme ter alguém com quem contar, o sentimento de solidão é alto. No grupo mais vulnerável, 43,7% dizem se sentir sozinhos mesmo cercados de outras pessoas. Além disso, 22,4% acham que não têm controle sobre a própria vida, um número mais que o dobro da média geral (10,4%).

  • 43,7% das pessoas mais vulneráveis se sentem sozinhas mesmo com companhia.
  • 22,4% sentem que não controlam a própria vida, contra 10,4% da média geral.
  • Qualidade dos relacionamentos é mais importante que a quantidade.
  • Redes sociais podem aumentar a comparação e o isolamento.
  • Psicólogo recomenda procurar ajuda se a solidão virar rotina.

Para o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia do Centro Universitário ESAMC Santos, Rogério Martins, esses dados mostram que a solidão vai muito além de estar sem companhia.

Ter pessoas por perto não significa se sentir acolhido. Muitos convivem com familiares, colegas e amigos, mas não encontram espaço para falar dos sentimentos ou ser aceitos sem esconder quem são. A conexão surge quando existe escuta, compreensão e segurança emocional, explica.

Qualidade dos vínculos é o que importa

Segundo o especialista, um grande erro é achar que o número de relações define o bem-estar emocional. O que realmente importa é a qualidade dos laços.

Não é a quantidade de contatos que evita a solidão, mas a profundidade das relações. Quando os vínculos são superficiais ou não dão segurança, a sensação de isolamento pode aparecer até em lugares cheios, afirma.

Conectados, mas nem sempre próximos

A tecnologia trouxe facilidade para a comunicação, mas também mudou a forma como os relacionamentos são construídos. Para Rogério, a facilidade de conversar online nem sempre cria conexões verdadeiras.

Nunca foi tão fácil falar com muitas pessoas e, ao mesmo tempo, nunca sentimos tanta falta de relações verdadeiras. As redes sociais facilitam o contato, mas muitas vezes trocam conversas profundas por interações rápidas, explica.

Ele também nota situações comuns: famílias, casais e amigos dividindo o mesmo espaço, mas cada um focado na tela do celular. Além disso, a exposição constante às redes sociais aumenta as comparações.

As pessoas veem só os melhores momentos da vida dos outros. Isso faz parecer que todos são mais felizes, têm relacionamentos melhores ou vivem experiências mais interessantes, reforçando a sensação de isolamento.

Quando a solidão afeta a saúde mental

A pesquisa ainda mostra que quem mais sente solidão também sente que não controla a própria vida. Para o psicólogo, essa relação não é por acaso.

Quando alguém fica emocionalmente sozinho por muito tempo, é comum perder a confiança em si. Isso afeta a autoestima, reduz a vontade de buscar novas relações e cria um ciclo ruim. A pessoa se isola mais, perde o interesse e a saúde mental piora, explica.

Esses sinais podem passar despercebidos: evitar situações sociais, perder o prazer em atividades, tristeza frequente, desânimo e dificuldade para dormir. Se isso afeta trabalho, estudos, relacionamentos ou qualidade de vida, é hora de buscar ajuda.

O especialista lembra que ainda existe preconceito com atendimento psicológico, mas procurar um profissional não é fraqueza. Procurar um psicólogo é cuidar da saúde emocional antes que o sofrimento aumente. Quanto antes, melhores as chances de recuperação e fortalecimento dos vínculos.

Profissionais preparados para a nova realidade

O aumento de questões emocionais e de relacionamento reforça a importância de profissionais preparados. No Centro Universitário ESAMC Santos, o curso de Psicologia forma bacharéis para atuar em áreas como Clínica, Organizacional, Escolar, Hospitalar, Neuropsicologia e Social. O curso tem aulas práticas, professores experientes e atividades ligadas ao mercado, com 90% de empregabilidade entre os formados.