Uma peça de guerra usada no conflito entre Brasil e Paraguai, no século XIX, está em exposição gratuita no Museu Histórico Nacional, no Centro do Rio. O governo do Paraguai quer que o Brasil devolva o objeto, que é considerado um símbolo importante para a história do país vizinho.
O governo do Paraguai voltou a pedir a devolução do 'El Cristiano', uma peça de artilharia usada na Guerra do Paraguai que está em exposição gratuita no Museu Histórico Nacional, na Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro.
Nesta sexta-feira, 31 de julho, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai informou que o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano entregaram ao embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, uma nota em que rejeitam declarações do presidente Lula. No documento, o governo paraguaio também pede a devolução de troféus de guerra levados pelo Brasil no século XIX, incluindo o 'El Cristiano'.
Aqui estão 5 pontos importantes sobre essa história para você entender melhor:
- O 'El Cristiano' é um canhão (ou obuseiro) de 12 toneladas que foi usado na Guerra do Paraguai.
- Ele está no Brasil desde 1870 e está exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, desde 1922.
- O nome 'El Cristiano' vem do fato de a peça ter sido feita com o bronze de sinos de igrejas paraguaias.
- O governo do Paraguai já havia pedido a devolução da peça em 2023, mas o pedido não foi atendido.
- O canhão é considerado um patrimônio histórico brasileiro e é tombado pelo Iphan, o que torna a disputa ainda mais complexa.
O pedido de devolução não é novo. Em 2023, o presidente paraguaio Santiago Peña já havia mostrado interesse em trazer a peça de volta para o país, que é considerada um símbolo da memória nacional do Paraguai. Com 153 anos, o 'El Cristiano' pesa 12 toneladas e recebeu esse nome por ter sido feito com o bronze de sinos de igrejas paraguaias, trazendo a inscrição 'Da religião ao Estado'. Embora seja popularmente chamado de canhão, especialistas explicam que se trata de um obuseiro, um tipo de arma projetada para disparar granadas.
A peça está no Brasil desde 1870 e faz parte do acervo do Museu Histórico Nacional desde 1922. Além de ser considerada parte da memória brasileira, ela é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), enquanto o Paraguai defende sua devolução por seu valor histórico e simbólico. A discussão sobre a devolução de troféus de guerra continua sem um acordo entre especialistas.

Reprodução do G1



