O uso excessivo de telas e redes sociais prejudica o aprendizado e o rendimento escolar em crianças e adolescentes. A informação consta em um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com base em dados do relatório PISA 2022 alerta que a distração e a substituição de atividades cognitivas são agravadas pelo imediatismo dos conteúdos rápidos. Com isso, os estudantes tendem a apresentar notas significativamente menores em disciplinas fundamentais como matemática, leitura e ciências.
O uso excessivo de telas e redes sociais prejudica o aprendizado e o rendimento escolar em crianças e adolescentes. A informação consta em um relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Já a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com base em dados do relatório PISA 2022 alerta que a distração e a substituição de atividades cognitivas são agravadas pelo imediatismo dos conteúdos rápidos. Com isso, os estudantes tendem a apresentar notas significativamente menores em disciplinas fundamentais como matemática, leitura e ciências.
- O relatório da Unesco mostra que o uso excessivo de telas prejudica o aprendizado de crianças e adolescentes.
- A OCDE, com base no PISA 2022, alerta que a distração com conteúdos rápidos piora o desempenho em matemática, leitura e ciências.
- O excesso de tempo em dispositivos digitais causa déficit de atenção, privação do sono e aumento da ansiedade entre os estudantes.
- Vídeos curtos e rolagem infinita agem como uma metralhadora de estímulos, reduzindo a capacidade de foco em tarefas longas.
- Especialistas recomendam que escolas e famílias criem acordos para limitar o uso de telas e incentivar atividades como leitura e esportes.
A mecânica do tédio digital
A especialista ressalta que o formato atual das mídias sociais, estruturado em vídeos de poucos segundos e rolagem infinita, opera como uma verdadeira metralhadora de estímulos para os jovens. Essa enxurrada constante de notificações e vídeos curtos reduz a capacidade do cérebro de manter o foco em tarefas mais longas e complexas, como a leitura de um livro ou a resolução de problemas matemáticos.
Como o cérebro se acostuma com a rapidez
Como o cérebro dos adolescentes está em fase de desenvolvimento, especialmente o córtex pré-frontal, área ligada ao controle de impulsos, ele acaba condicionado aos picos rápidos de dopamina obtidos por meio de curtidas e interações virtuais, diz Ana Paula. Quando esse jovem precisa ler um texto longo ou resolver um problema matemático complexo, o cérebro dele sente tédio rapidamente, porque não há a recompensa imediata à qual foi acostumado.
Os três principais impactos do excesso de telas
Para facilitar o entendimento sobre os principais impactos do excesso de telas para crianças e adolescentes, a especialista cita três pontos críticos:
1. Déficit de atenção: Os alunos se tornam mais imediatistas e têm dificuldade em manter o foco em atividades que exigem esforço prolongado.
2. Privação do sono: O uso de dispositivos até altas horas afeta o ciclo circadiano, resultando em estudantes sonolentos, cansados e com menor capacidade de retenção de conteúdo no dia seguinte.
3. Ansiedade: A busca por validação social (curtidas e comentários) gera picos de neurotransmissores que tornam a rotina da sala de aula menos atraente, elevando os níveis de ansiedade.
Ferramenta versus distração
Para enfrentar esse cenário, o Colégio Integrado traça uma linha divisória clara entre a tecnologia como aliada pedagógica e o aparelho eletrônico como elemento de dispersão sistemática. A estratégia adotada evita a proibição isolada e aposta na educação digital direcionada. Enquanto ferramentas de pesquisa guiada e plataformas de gamificação são incentivadas em aula para estimular o raciocínio, o uso de celulares em momentos não pedagógicos passa por regras rígidas e debates conscientes.
Explicamos aos estudantes a engenharia por trás dos algoritmos das redes sociais, que são feitos especificamente para prender a atenção deles, destaca a gestora. O objetivo do projeto de orientação educacional é fazer com que as turmas entendam de forma crítica que o hábito de checar mensagens e jogos durante o período de estudos fragmenta a absorção do conhecimento. Valorizamos o esporte, a leitura de livros físicos, a arte e a convivência face a face e mostramos que o mundo real oferece conexões tão ou mais ricas que o virtual.
Parceria com as famílias
O enfrentamento da questão, contudo, ultrapassa os muros da escola. Diante de uma crise de atenção que atinge proporções globais, a cooperação com os lares se mostra indispensável para o sucesso das ações. A recomendação da especialista inclui o estabelecimento de acordos domésticos e a criação de momentos totalmente desconectados, como durante as refeições e nas horas que antecedem o sono. Quando a escola e a família se unem para dizer 'menos telas, mais aprendizado', não estamos tirando a diversão do estudante. Estamos devolvendo a ele a capacidade de pensar por si mesmo, de se concentrar e de desenvolver plenamente suas habilidades socioemocionais e cognitivas, conclui a diretora do Colégio Integrado de Campo Mourão (PR), Ana Paula Previate.

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