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Amamentação protege mãe e bebê: entenda os benefícios

Geral Amamentação 31/07/2026 10:36 Dr. Alexandre Rossi, via MK Comunicação

A amamentação não é boa apenas para o bebê, mas também protege a mãe contra o câncer de mama e outros problemas de saúde. Cada 12 meses de amamentação reduz o risco de câncer de mama em mais de 4%, e os benefícios aumentam com o tempo.

Quando se fala em amamentação, a maioria das pessoas pensa nos benefícios para o bebê. E eles são realmente importantes. Mas existe um lado dessa história que é pouco comentado e merece atenção: amamentar também protege a saúde da mãe, de forma comprovada pela ciência. No Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo ao aleitamento materno, o médico ginecologista Dr. Alexandre Rossi, que trabalha no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, quer espalhar essa mensagem.

"Amamentar é um ato de amor ao filho, sim, mas também é um jeito de cuidar da própria saúde. Os números que mostram a redução do risco de câncer de mama são fortes e precisam chegar até as mulheres, principalmente aquelas que têm histórico de câncer na família ou outros fatores de risco", explica o médico.

  • Redução do risco de câncer de mama: Cada 12 meses de amamentação diminui em 4,3% o risco de desenvolver a doença ao longo da vida. Esse efeito é cumulativo, ou seja, quanto mais tempo você amamenta, maior a proteção.
  • Proteção também contra outros cânceres: Amamentar também reduz o risco de câncer de ovário e ajuda o corpo da mulher a se recuperar mais rápido após o parto.
  • Benefícios para a saúde mental: O aleitamento materno fortalece o vínculo entre mãe e filho e pode ajudar a prevenir a depressão pós-parto.
  • Recomendação da OMS e do Ministério da Saúde: A orientação é amamentar exclusivamente até os 6 meses de vida do bebê e continuar amamentando junto com outros alimentos até os 2 anos ou mais.
  • Conversa com o médico: Mulheres que têm histórico de câncer de mama na família devem conversar com o ginecologista sobre como a amamentação pode ser uma estratégia de prevenção.

O dado que toda mulher precisa conhecer

Um estudo publicado na revista The Lancet, que analisou mais de 146 mil mulheres de 30 países diferentes, mostrou um número muito importante: cada 12 meses de amamentação reduz em 4,3% o risco de a mulher ter câncer de mama ao longo da vida. Esse efeito é cumulativo, ou seja, quanto mais tempo a mulher amamenta, maior a proteção. E a boa notícia é que a proteção fica ainda mais forte quando a amamentação é prolongada e acontece em mais de uma gravidez.

O motivo dessa proteção é bem conhecido pela ciência. Durante a amamentação, as células dos ductos mamários passam por um processo de amadurecimento que as torna mais fortes contra transformações malignas. Além disso, a amamentação ajuda a eliminar células que podem ter sofrido alterações durante a gravidez, funcionando como uma renovação do tecido mamário. A diminuição da exposição ao hormônio estrogênio, que acontece durante a amamentação, também contribui para essa proteção.

Uma pesquisa australiana, publicada em dezembro de 2025 no Jornal da USP, trouxe mais uma descoberta: mulheres que engravidaram e amamentaram tiveram um aumento de células de defesa específicas, sugerindo que a gravidez e a amamentação fortalecem o sistema imunológico contra o câncer de mama. É mais uma prova de que amamentar é um investimento na saúde da própria mãe.

Benefícios que vão além do câncer de mama

A proteção contra o câncer de mama é o dado mais forte, mas não é o único benefício da amamentação para a saúde da mulher. A Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) destaca que o aleitamento materno também reduz o risco de câncer de ovário, ajuda o útero a voltar ao tamanho normal mais rápido após o parto, auxilia no controle do peso e contribui para a prevenção da depressão pós-parto.

A ausência de menstruação durante a amamentação traz benefícios hormonais e metabólicos extras para a mulher. E o impacto emocional também é enorme: amamentar fortalece o vínculo entre mãe e filho e pode ser um fator de proteção importante para a saúde mental da mãe.

"A amamentação completa o desenvolvimento da mama, que começa ainda na vida embrionária e continua na gravidez. Não é só alimento para o bebê, é um processo biológico que faz muito bem para a saúde física e emocional da mãe", reforça o Dr. Alexandre Rossi.

O papel do ginecologista no incentivo à amamentação

O Dr. Alexandre Rossi acredita que a consulta com o ginecologista é um momento importante para falar sobre os benefícios da amamentação para a saúde da mulher, especialmente para aquelas que têm fatores de risco para câncer de mama, como histórico familiar, idade mais avançada na primeira gravidez ou uso prolongado de anticoncepcionais.

"Muitas mulheres chegam ao pré-natal sem saber que amamentar pode diminuir o risco de câncer de mama. Quando essa informação chega de forma clara e no momento certo, ela pode ajudar a mulher a decidir amamentar e por quanto tempo. É uma prevenção que começa muito antes do diagnóstico", afirma o especialista.

O Ministério da Saúde e a OMS recomendam amamentação exclusiva até os 6 meses de vida do bebê e complementada até os 2 anos ou mais. A meta da OMS é que pelo menos 50% dos bebês com até 6 meses sejam alimentados só com leite materno. O Brasil tem uma meta ainda mais alta: chegar a 70% até 2030.

O que toda mulher precisa saber neste Agosto Dourado

Cada 12 meses de amamentação reduzem em 4,3% o risco de câncer de mama ao longo da vida (The Lancet, estudo com 146 mil mulheres de 30 países)

A proteção é cumulativa: quanto mais tempo de amamentação ao longo da vida, maior o benefício

A amamentação também reduz o risco de câncer de ovário, ajuda o útero a se recuperar e previne a depressão pós-parto

O Ministério da Saúde recomenda amamentação exclusiva até os 6 meses e complementada até os 2 anos ou mais

Mulheres com fatores de risco para câncer de mama devem conversar com o ginecologista sobre a importância do aleitamento materno como estratégia de prevenção

Contraindicações ao aleitamento materno

Embora seja muito recomendado, o aleitamento materno tem algumas contraindicações específicas, que precisam ser avaliadas ainda no pré-natal. Por isso, a orientação médica e o planejamento da amamentação são fundamentais. As principais contraindicações absolutas são:

  • Infecção materna pelos vírus HIV, HTLV-1 e HTLV-2
  • Mulheres em tratamento contra o câncer, principalmente durante radioterapia ou uso de quimioterápicos, imunossupressores e iodo radioativo
  • Lesões de herpes zóster na aréola, enquanto houver risco de contágio
  • Em caso de hepatite B, até que o bebê receba imunoglobulina e vacina