30 de julho de 2026

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Interfarma lança guia sobre saúde baseada em valor

Geral Saúde 30/07/2026 14:36 Matheus Steinmeier e Juliana Catalão (Edelman Brasil)

A Interfarma, associação que representa a indústria farmacêutica de pesquisa, lançou um documento chamado 'Do custo ao valor: uma agenda para o futuro do sistema de saúde brasileiro'. O guia explica como o cuidado com a saúde pode ser melhorado ao focar nos resultados para os pacientes, em vez de apenas no número de exames e procedimentos. O objetivo é tornar o sistema de saúde mais sustentável e eficiente, colocando o paciente no centro das decisões.

A Interfarma - Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa lançou, em 28 de julho, o white paper "Do custo ao valor: uma agenda para o futuro do sistema de saúde brasileiro". O documento foi apresentado durante o 11º Fórum Latino-Americano de Qualidade e Segurança na Saúde, realizado pelo Einstein Hospital Israelita em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI), em São Paulo, e reúne conceitos, evidências e experiências práticas que ilustram como o cuidado baseado em valor pode contribuir para melhores resultados para os pacientes e para a sustentabilidade do sistema de saúde.

O material aborda o conceito de cuidado baseado em valor, também conhecido como Value-Based Healthcare (VBHC). A abordagem propõe que as decisões em saúde considerem os resultados alcançados para os pacientes ao longo de toda a jornada de cuidado, em relação aos recursos utilizados, em vez de se concentrarem exclusivamente no volume de serviços realizados ou no custo isolado de procedimentos e tecnologias. Assim, o material propõe que considerar o "custo de não tratar" ou de tratar tardiamente é fundamental para compreender o impacto das decisões sobre complicações, internações e sustentabilidade do sistema de saúde no longo prazo.

  • O documento foi lançado em um evento internacional sobre qualidade e segurança na saúde, em São Paulo.
  • Ele propõe cinco frentes prioritárias para melhorar o sistema de saúde no Brasil.
  • O foco é medir os resultados dos tratamentos e não apenas o volume de serviços.
  • Exemplos reais mostram que essa abordagem já funciona em hospitais do Brasil e do exterior.
  • A ideia é que o paciente seja o centro de todas as decisões de saúde.

"O valor é o benefício obtido pelo paciente. Quando falamos de valor, não estamos falando de uma tecnologia isolada, mas de toda a jornada de cuidado. O diálogo entre todos os atores do sistema é fundamental para construirmos um modelo que coloque o paciente no centro das decisões e considere o valor entregue ao longo dessa jornada", comenta Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma.

Agenda para o Brasil

O white paper apresenta cinco frentes consideradas prioritárias para o avanço do cuidado baseado em valor no país: a construção de uma agenda nacional coordenada; o fortalecimento da mensuração de resultados; a integração do cuidado apoiada pela transformação digital; o alinhamento de incentivos; e a avaliação das inovações a partir do valor gerado para os pacientes e para o sistema de saúde.

O documento também propõe ampliar a perspectiva adotada nos processos de avaliação e incorporação de tecnologias. Além do custo imediato e do impacto orçamentário, as decisões devem considerar os resultados clínicos, a qualidade de vida, os efeitos ao longo de toda a jornada de cuidado e os custos relacionados à ausência, ao atraso ou à inadequação do tratamento.

"Na mudança de lógica, precisamos olhar para os resultados e para o que isso vai gerar de fato. Enquanto continuarmos pagando por volume, não vamos mudar a realidade. Vamos continuar financiando desperdícios", reflete Helaine.

Da teoria à prática

Para mostrar como esses princípios podem ser aplicados, a publicação reúne experiências nacionais e internacionais. Entre os exemplos estão a Santeon, rede colaborativa de hospitais da Holanda que utiliza dados comparáveis para aprimorar o cuidado em mais de 20 áreas clínicas e reúne sete hospitais que compartilham indicadores e boas práticas; o Joinvasc, programa de atenção integrada ao acidente vascular cerebral no SUS, em Santa Catarina, que reduziu a letalidade em 30 dias de aproximadamente 26% para 11% e ampliou a recuperação funcional dos pacientes de cerca de 34% para 63%; e uma iniciativa da Unimed Porto Alegre voltada à jornada de pacientes com dor lombar, que registrou melhora de 67% na intensidade da dor, ganho de 71% na funcionalidade, melhora de 54% na qualidade de vida e índice de satisfação de 92% entre os pacientes acompanhados.

Embora tenham sido desenvolvidos em contextos diferentes, os casos compartilham elementos como a organização do cuidado em torno das necessidades do paciente, a integração entre equipes e serviços, o acompanhamento sistemático de resultados e o uso de dados para orientar decisões e ciclos de melhoria.

Os exemplos reunidos no documento mostram que a combinação entre organização do cuidado, uso estruturado de dados e mensuração de resultados pode gerar ganhos concretos para pacientes e para a eficiência do sistema, reforçando a viabilidade da adoção de modelos orientados a valor. Com a publicação, a Interfarma busca contribuir para uma agenda mais coordenada, capaz de transformar experiências ainda pontuais em iniciativas de maior escala e apoiar a construção de um sistema de saúde mais integrado, sustentável e orientado aos resultados que importam para os pacientes.