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Obesidade pode fazer pessoas saírem do trabalho, mostra estudo

Geral Obesidade 29/07/2026 12:44 Caíque Rocha - Compliance Comunicação

Uma pesquisa britânica mostrou que mais de 600 mil pessoas podem estar fora do mercado de trabalho por causa da obesidade. Isso acontece porque a doença afeta a saúde física e mental, dificultando a vida profissional. Uma nutricionista que estudou o assunto explica que é importante prevenir e tratar o problema para evitar esses impactos.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, e apresentado em um congresso sobre obesidade no México, descobriu que a obesidade pode estar tirando muitas pessoas do mercado de trabalho. A pesquisa, que foi feita na Grã-Bretanha, estima que mais de 600 mil pessoas em idade de trabalhar estão fora da força de trabalho por causa dos problemas causados pelo excesso de peso.

Os pesquisadores viram que as pessoas com obesidade têm 4,2 pontos percentuais a menos de chance de estar empregadas, mesmo quando outros fatores, como dinheiro e educação, são levados em conta. Isso mostra que a obesidade atrapalha a vida profissional de uma forma muito séria.

  • Mais de 600 mil britânicos podem estar desempregados por causa da obesidade.
  • Pessoas com obesidade têm menos chance de conseguir e manter um emprego.
  • No Brasil, a obesidade entre adultos mais que dobrou, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
  • O problema não é só estético: ele afeta a saúde, a produtividade e a economia do país.
  • Especialistas dizem que a prevenção e o tratamento da obesidade devem ser tratados como uma questão de saúde pública.

No Brasil, os dados também são preocupantes. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 60% dos adultos estão acima do peso. Nas capitais, a obesidade cresceu muito: em 2006, 11,8% dos adultos eram obesos, e em 2024, esse número já era de 25,7%. O aumento é grande e mostra que o problema está se espalhando.

Para a nutricionista Brunna Boaventura, que tem doutorado e pós-doutorado em obesidade pela Universidade de Harvard, os resultados do estudo mostram que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, que tem consequências que vão muito além do consultório médico. "A obesidade não aumenta só o risco de doenças do coração, diabetes ou problemas nos ossos e músculos. Ela pode atrapalhar a mobilidade, diminuir a disposição física e afetar a saúde mental. Tudo isso impacta diretamente a capacidade de trabalhar e de se manter ativo na economia", explicou a especialista.

Brunna também fez um alerta importante: é preciso ter cuidado para não culpar as pessoas que têm obesidade. "O estudo não diz que pessoas com obesidade são incapazes de trabalhar. Ele mostra que existe uma relação entre a doença e uma participação menor no mercado de trabalho, mas isso envolve muitos fatores, como as complicações da doença e, infelizmente, o preconceito que ainda existe no ambiente profissional", observou.

Os pesquisadores notaram que o impacto foi maior entre os homens. Eles acreditam que tanto os problemas físicos quanto a discriminação podem contribuir para esse resultado. Para a nutricionista, o estudo é um alerta importante para países como o Brasil, onde o excesso de peso também está crescendo.

"Quando falamos de obesidade, não estamos falando só de comida ou estética. Estamos falando de uma condição que afeta a produtividade, gera afastamentos do trabalho, aumenta os custos para a saúde pública e reduz a qualidade de vida das pessoas. A prevenção precisa ser tratada como uma estratégia de saúde pública e também de desenvolvimento econômico", disse.

Brunna também comentou sobre os novos remédios para tratar a obesidade, como os agonistas de GLP-1. Ela disse que eles são uma ferramenta importante, mas que não substituem a necessidade de hábitos saudáveis, acompanhamento de vários profissionais e políticas públicas que facilitem o acesso a uma alimentação de qualidade e à prática de exercícios. "O tratamento da obesidade exige uma abordagem completa e de longo prazo", afirmou.

Para a nutricionista, o principal mérito da pesquisa é mostrar que a obesidade tem impactos sociais muito grandes. "Durante muito tempo, a obesidade foi vista como um problema só de cada pessoa. Hoje sabemos que ela afeta famílias, empresas, sistemas de saúde e a economia. Quanto mais cedo a prevenção e o tratamento adequado começarem, maiores serão os benefícios para toda a sociedade", concluiu.