O governo dos Estados Unidos decidiu manter por mais um ano a emergência nacional declarada contra o Brasil em 2025. O documento diz que ações do governo brasileiro ainda são uma ameaça aos interesses americanos.
A Casa Branca anunciou que vai manter por mais um ano a emergência nacional dos Estados Unidos contra o Brasil. A decisão renova o decreto assinado pelo presidente americano em 30 de julho de 2025. Naquele documento, ele disse que as políticas e ações do governo brasileiro são uma ameaça "incomum e extraordinária" para a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos.
O comunicado foi divulgado nesta terça-feira (28) e será publicado na quarta-feira (29) no Federal Register, que é o diário oficial do governo americano. O texto também será enviado ao Congresso dos Estados Unidos. Com a renovação, a emergência nacional vai continuar valendo até, pelo menos, 30 de julho de 2027.
- Os Estados Unidos renovaram a emergência nacional contra o Brasil por mais um ano.
- A medida mantém o decreto assinado pelo presidente Donald Trump em julho de 2025.
- O governo americano diz que o Brasil ainda representa uma ameaça aos interesses dos EUA.
- As críticas incluem ações do governo brasileiro e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
- A renovação acontece depois de um ano de aumento das tensões entre os dois países.
Na justificativa, o governo dos Estados Unidos afirma que os motivos que levaram à criação da Ordem Executiva 14323 ainda existem. Segundo o texto, integrantes do governo brasileiro estariam adotando políticas que interferem na economia americana, violam direitos humanos, limitam a liberdade de expressão de cidadãos dos EUA e prejudicam os interesses do país na proteção de seus cidadãos e empresas.
O documento também menciona as ações do Supremo Tribunal Federal (STF). A Casa Branca diz que decisões da Corte sobre a remoção de conteúdos da internet e a prisão de pessoas por manifestações seriam exemplos de "censura" e continuariam a ser uma ameaça aos interesses americanos.
Acusações de perseguição política
O governo dos Estados Unidos também repete a afirmação de que um ex-presidente brasileiro, sua família e seus apoiadores estariam sendo perseguidos politicamente. Segundo a Casa Branca, isso contribuiria para o enfraquecimento do Estado de Direito e para violações de direitos humanos no Brasil.
Escalada das tensões
A renovação da emergência nacional pelos EUA acontece depois de um ano de aumento das tensões entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. Desde a criação da ordem executiva, em julho de 2025, o governo de Donald Trump adotou várias medidas contra o país. Isso inclui a abertura de investigações comerciais, a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e críticas às decisões do STF sobre moderação de conteúdo em plataformas digitais e aos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em resposta, o governo brasileiro intensificou as negociações diplomáticas com autoridades americanas e contestou as medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil alega que as tarifas violam as regras do comércio internacional. Integrantes do governo brasileiro também têm repetido que o Judiciário do país atua de forma independente. O STF afirma que suas decisões seguem a Constituição e as leis nacionais. Apesar das conversas e das declarações oficiais, as medidas adotadas pelo governo Trump foram mantidas e ampliadas ao longo do último ano.
Até a publicação desta reportagem, o governo brasileiro não havia se manifestado sobre a renovação da emergência nacional anunciada nesta terça-feira (28) pela Casa Branca.

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