O novo álbum 'Reality Awaits' aposta em um som mais experimental e diferente, mas acaba soando irregular. As letras falam sobre envelhecer e criticam a falta de interesse dos jovens de hoje.
A história dos Strokes em seus álbuns, desde a obra-prima de estreia 'Is This It', em 2001, até o sexto e fraco disco 'The New Abnormal', lançado há seis anos, mostra um grupo que tenta se libertar do sucesso inicial. Nem que para isso o quinteto tenha que fazer álbuns tão diferentes que não mostram nem um pouco do talento que a banda tem.
- O novo álbum 'Reality Awaits' tem um som mais experimental e ousado, mas soa irregular.
- As letras falam sobre envelhecimento e criticam a apatia dos jovens de hoje.
- A banda tocou no festival Coachella há quatro meses e mostrou mais energia.
- O vocalista Julian Casablancas usa uma voz processada e artificial em várias músicas.
- O disco tem momentos eletrizantes, mas também faixas que se perdem em efeitos exagerados.
Essa busca sem sucesso por outra joia do rock foi acompanhada de muitos shows chatos e sem graça, prejudicados também por uma atitude de tédio diante do público. Por isso, a participação deles no Coachella, há quatro meses, deixou todo mundo interessado no sétimo álbum, 'Reality Awaits'. No palco do festival californiano, os Strokes voltaram a brilhar e mostrar vontade de tocar.
Valeu a pena esperar pelo álbum recém-lançado Mais ou menos. Nele, o grupo de Nova York não tenta reproduzir 'Is This It' nem ganhar dinheiro com a nostalgia em torno de sua estreia. O disco mostra uma tentativa de ampliar o som experimental da fase recente da banda. Acaba soando irregular, mas no bom sentido.
Um som mais ousado e cheio de surpresas
Embora tenha momentos simplesmente eletrizantes, o novo trabalho traz menos refrões fáceis de cantar e mais desvios, mudanças de textura e ideias estranhas, aparentemente incompatíveis, às vezes até dividindo a mesma faixa. Se os Strokes eram originalmente mais simples e enxutos na construção das músicas, agora parecem um pouco o Voidz, projeto paralelo do vocalista Julian Casablancas.
Os riffs famosos das guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond Jr. continuam fortes, e Nikolai Fraiture e Fabrizio Moretti fazem uma base rítmica poderosa, quase militar. É por causa deles que, mesmo nos momentos mais ousados de mudança sonora, tudo ainda parece o Strokes de antigamente.
'Psycho Shit' abre o disco com camadas leves e um crescendo de cinco minutos. Sem o riff forte para uma entrada triunfal fácil, o grupo prefere criar tensão. E tudo soa estranho na voz de Casablancas, que reconstrói seu canto com um processamento sonoro claramente falso. Esse tratamento vocal está em todo o álbum, e dele provavelmente vão sair reclamações pesadas de fãs que podem não gostar de um cantar artificial e com um falsete às vezes irritante.
Essa tensão entre espontaneidade e exagero define 'Reality Awaits'. 'Dine N'Dash' tem uma batida de música disco, num paralelo com o que os Rolling Stones faziam em momentos dançantes nos anos 1970.
Críticas e letras sobre o mundo de hoje
Já que o nome dos Stones apareceu na conversa, o momento 'Satisfaction' dos Strokes no álbum vem com 'Going Shopping', uma crítica ao capitalismo e à produção destrutiva de bens descartáveis. Tem mais desilusão política em 'Going to Babble On', na qual os Strokes parecem chegar o mais perto que conseguem de criticar a apatia dos jovens de 2026.
Quem superar a barreira sonora que as mixagens exageradas causam no vocal de Casablancas pode até descobrir que as letras estão preocupadas com envelhecimento e insatisfação. 'Lonely in the Future' parte para o confronto direto com críticos e fãs que não aceitam as mudanças mais ousadas do grupo. Ponto fraco do disco, parece uma reclamação inútil vinda de uma banda que sempre gravou o que quis.
Por isso mesmo, há faixas que se enfraquecem na própria grandiosidade, perdidas em excesso de efeitos, como 'Tyrants on the Mellow Moon'. Ainda assim, os Strokes definitivamente não estão acomodados.
Quando as coisas se encaixam, as guitarras preservam sua elegância, a base rítmica sustenta as mudanças mais estranhas e Casablancas encontra emoção. O lamento crescente de 'Psycho Shit' e o ciclo de sofrimento narrado em 'Liar's Remorse' mostram a capacidade do quinteto para combinar tristeza e alegria.
'Reality Awaits' é propositalmente estranho. Mas a recusa em oferecer uma repetição confortável também lhe dá vitalidade. Sempre comparados a seus primeiros acordes, numa perseguição crítica de 25 anos, os Strokes respondem não olhando para trás, mas aceitando o risco de soar exagerados e até ridículos. Talvez seja o início de uma versão futura deles mesmos.
'Reality Awaits'
- Avaliação: Bom
- Onde: Disponível nas plataformas digitais
- Gravadora: Sony Music
- Artista: The Strokes

Música Imagem gerada por IA


