28 de julho de 2026

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Tratamento errado do olho seco na menopausa é comum

Geral Menopausa 28/07/2026 15:19 Fabiane Berta, ginecologista e pesquisadora, via Máxima Assessoria de Imprensa

Uma em cada duas mulheres na menopausa sofre com olho seco, mas o problema não é falta de água e sim de óleo nos olhos, causado pela queda de testosterona. A ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta explica que o tratamento hormonal com estrogênio pode não resolver, e que exames específicos e nutrição são essenciais para aliviar os sintomas.

Ardência, sensação de areia nos olhos e visão que embaça ao anoitecer costumam ser atribuídas ao cansaço ou às telas. Mas, segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a causa raramente investigada é hormonal.

  • Uma em cada duas mulheres na menopausa tem olho seco, mas poucas sabem que a culpa é hormonal.
  • O problema real não é falta de água, mas sim de óleo nos olhos, que evapora rápido.
  • Quem segura a lágrima no olho é a testosterona, não o estrogênio, como muitos pensam.
  • Exames como TBUT (tempo de ruptura do filme lacrimal) são essenciais para o diagnóstico correto.
  • Nutrientes como ômega-3, vitamina D e vitamina A ajudam a melhorar a qualidade da lágrima.

O olho é um órgão-alvo hormonal e quem sustenta a lágrima na superfície ocular é a testosterona e não o estrogênio, como o senso comum supõe. Uma em cada duas mulheres na transição menopausal tem algum grau de desconforto ocular, e a queixa quase nunca aparece na consulta de climatério, pois a maioria pensa que olho seco é falta de água, e nem sempre é isso. A mulher pode produzir lágrima e, ainda assim, não conseguir mantê-la estável na superfície do olho, e é aí que o desconforto continua", explica Fabiane.

De acordo com a especialista, a lágrima tem três camadas: água, que hidrata; muco, que fixa essa água ao olho; e uma fina camada de óleo, que evita a evaporação. "Quando esse equilíbrio hormonal oscila na menopausa, o óleo muda de qualidade, o canal da glândula entope e a lágrima evapora mais rápido. É por isso que muitas mulheres lacrimejam justamente quando estão com olho seco, já que o olho tenta compensar produzindo mais água, que evapora de novo", afirma Fabiane.

Segundo a pesquisadora, o diagnóstico completo depende de dois exames: o teste de Schirmer, que mede a quantidade de lágrima, e o TBUT (tempo de ruptura do filme lacrimal), que mede quanto tempo essa lágrima resiste antes de se romper.

É o segundo, menos pedido nos exames de rotina, que costuma revelar o problema real. O estrogênio, usado na terapia hormonal, melhora o volume de lágrima produzido, mas não estabiliza esse tempo de forma consistente, já que ele repõe a água mas não segura o filme lacrimal. Quem faz isso é a camada de óleo, e ela responde à testosterona. Tratar olho seco pensando só em estrogênio é tratar metade do problema", resume Fabiane.

Como suporte ao tratamento, de acordo com a pesquisadora, três frentes nutricionais têm respaldo científico: ômega-3 (especialmente EPA), que melhora a qualidade da secreção oleosa; vitamina D, associada a um filme lacrimal mais estável; e vitamina A, matéria-prima do muco que fixa a lágrima ao olho.

"Não existe o olho seco da mulher, mas existem os olhos secos das mulheres, a mesma queixa nasce de mecanismos diferentes, por isso o tratamento é individual. Lágrima artificial sem conservante, higiene da pálpebra e revisão de medicamentos que ressecam o olho costumam vir antes de qualquer prescrição hormonal", diz Fabiane.

Ela alerta que merecem atenção médica a ardência ou sensação de areia nos olhos, visão que embaça e melhora ao piscar, piora ao fim do dia ou diante de telas, lacrimejamento paradoxal e desconforto ao usar lentes de contato antes bem toleradas. "A mulher que enxerga mal ao anoitecer não precisa de paciência, precisa que a superfície ocular seja investigada como parte do climatério. O erro raramente é não tratar, mas é não perguntar", finaliza a pesquisadora.