28 de julho de 2026

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Documentário revela sofrimento de Stan Lee nos últimos dias de vida

Geral Documentário 28/07/2026 10:56 AFP - O Tempo otempo.com.br

Um novo documentário mostra os últimos anos de Stan Lee, o criador do Homem-Aranha, e denuncia que ele foi explorado por pessoas próximas. O filme estreia hoje nos streamings e traz relatos de abuso e maus-tratos contra o lendário quadrinista.

O fã de quadrinhos Jon Bolerjack começou a filmar Stan Lee, então com mais de 90 anos, por volta de 2014. A ideia era mostrar um dia na vida da lenda que criou vários super-heróis da Marvel. Mas o que ele registrou foi algo muito diferente: o suposto abuso que o homem que mudou os quadrinhos sofria nos últimos anos de vida. A história serve como um alerta para toda a indústria do entretenimento.

  • Stan Lee criou heróis como Homem-Aranha, Pantera Negra e X-Men
  • O documentário foi filmado ao longo de vários anos, mostrando o dia a dia do criador
  • Duas pessoas que trabalhavam com Lee são acusadas de explorá-lo financeiramente
  • Uma delas foi processada por fraude e roubo em 2019, um ano após a morte de Lee
  • O diretor do filme diz que enfrentou pressão para não lançar o documentário

O filme 'Stan Lee: The Final Chapter' chega aos streamings nesta terça-feira (28/7). Ele mostra Lee sendo submetido a uma agenda muito puxada em seus últimos anos, com muitas sessões de autógrafos e participações em eventos.

O documentário reúne denúncias de pessoas próximas a Lee. Duas pessoas que trabalhavam como seus agentes são acusadas de explorá-lo. Um deles foi acusado de fraude, roubo e prisão ilegal em 2019, um ano depois da morte do criador de heróis como Homem-Aranha e Pantera Negra.

Bolerjack, que diz ter acompanhado Lee em seus últimos dias, contou em entrevista que foi pressionado para não lançar o material. Ele disse que um ex-administrador de Lee e algumas empresas, que preferiu não identificar, tentaram barrar o filme.

'Existe o fator vergonha: há quem soubesse de parte do que acontecia, mas desviavam o olhar', disse o diretor durante a Comic-Con de San Diego, onde o documentário foi exibido.

Ele explicou o dilema: 'Se você quer o rosto do Stan em uma lancheira, quer que as pessoas tenham pensamentos felizes em torno do Stan Ou quer que elas saibam que ele não era tão feliz É mais fácil vender o Stan se ele estiver feliz'.

Más decisões financeiras

Nascido em 1922 em Nova York, Stanley Martin Lieber começou a trabalhar ainda adolescente na empresa que viria a ser a Marvel. Lá, adotou o nome de Stan Lee e criou alguns dos super-heróis mais famosos do mundo.

Seus personagens eram imperfeitos, com superpoderes, mas também com problemas comuns, o que os tornou populares e criou legiões de fãs.

A câmera de Bolerjack mostra um Lee simpático, mas que não era bom em negócios. 'Ninguém tomou decisões comerciais piores do que eu', diz o escritor em uma cena. Ele conta que, em um acordo com a Disney, aconselhado por um advogado, recusou receber royalties pelos personagens da Marvel e aceitou 6 milhões de dólares, dos quais o advogado teria ficado com metade.

A Disney comprou a Marvel Entertainment em 2009 por 4 bilhões de dólares (cerca de 7,9 bilhões de reais na época). Mas Lee não guardava rancor, segundo Bolerjack: 'Ele sabia que tinha feito um mau negócio e nunca tentou culpar a Disney por isso'.

O documentarista revelou que o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, visitou Lee um mês antes de sua morte. 'Foi muito gentil. Sei que Stan gostou muito e se sentiu especial por ele ter se dado ao trabalho'.

Seus últimos dias foram 'em paz', disse o diretor, que ainda se pergunta se Lee realmente entendeu 'o que lhe aconteceu'. Bolerjack insiste que seu filme não é sobre um famoso que foi enganado, mas sobre uma situação que pode acontecer com qualquer pessoa. 'Isso sempre vai acontecer. Aconteceu com Elvis (Presley) e vai acontecer de novo', concluiu.