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Peça teatral usa humor e música para criticar a desigualdade social

Geral Teatro 28/07/2026 10:50 Renato Fernandes (Assessor de Imprensa) / Sesc Pinheiros

Uma adaptação do famoso texto 'Sermão de Santo Antônio aos Peixes', do padre Antônio Vieira, está em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo. A peça usa humor e música para falar de temas como exploração dos povos indígenas e ganância dos colonizadores, que ainda são muito atuais.

De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma crítica ácida à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, o texto Sermão de Santo Antônio aos Peixes, do padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos no auditório do Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical. A temporada vai até 8 de agosto com sessões de quinta a sábado, às 20h30. Sessões extras: dias 31/07 e 07/08, às 16h e às 20h30.

  • O texto original foi escrito em 1654, durante conflitos entre colonos e jesuítas sobre a escravização de indígenas.
  • Na peça, os peixes são usados como metáfora para discutir a exploração do homem pelo homem e a corrupção.
  • O diretor Moacir Chaves compara o padre Antônio Vieira a Shakespeare, por sua habilidade de escrever textos para serem falados.
  • O espetáculo já passou por temporadas no Rio de Janeiro, antes de chegar a São Paulo.
  • As sessões dos dias 31/07 e 01/08 terão tradução em Libras para pessoas surdas.

O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o 'Imperador da Língua Portuguesa'. No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.

Padre Antônio Vieira é o nosso Shakespeare. Como o inglês, Vieira escreveu textos para serem falados, alcançou enorme sucesso popular e sua obra permanece viva e atual. Vieira era performático. É impossível ler seus sermões sem imaginar sua atuação cênica. O púlpito era seu palco, sempre diante de uma audiência numerosa. Suas palavras são inteligentes, curiosas, engraçadas e dialogam com o nosso tempo, afirma o diretor.

Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.

Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.

Sermão de Santo Antônio aos Peixes realizou temporadas no Sesc Copacabana e no Centro Cultural Baukurs Botafogo, ambos no Rio de Janeiro. Nesta montagem, Moacir Chaves revisita a obra de Padre Antônio Vieira três décadas após sua primeira aproximação com o autor, quando dirigiu Sermão da Quarta-feira de Cinza, espetáculo protagonizado por Pedro Paulo Rangel (1948-2022).

Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história, conclui.