O médico ortopedista Fábio Elói explica que se exercitar, mesmo depois dos 60 anos, fortalece os músculos, lubrifica as articulações e ajuda a evitar dores, cirurgias e a perda da capacidade de fazer coisas simples do dia a dia, como andar e subir escadas.
Existe uma ideia de que, depois de certa idade, o corpo já não responde bem aos exercícios e que eles deveriam ter sido começados na juventude. Essa ideia está errada e custa caro: em forma de dor, perda de movimento, dependência de outras pessoas e, em muitos casos, cirurgia.
Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril e especialista em ortopedia, mexer o corpo é um dos maiores cuidados que uma pessoa pode ter com suas articulações, e nunca é tarde para começar.
- Músculos fortes tiram o peso das articulações, evitando o desgaste dos ossos.
- O movimento faz o corpo produzir um líquido que lubrifica as juntas, como um óleo.
- Manter o peso controlado diminui a pressão sobre o quadril, os joelhos e a coluna.
- Fazer exercícios melhora o equilíbrio e evita quedas, que são perigosas para os mais velhos.
- Mesmo quem nunca fez atividade física pode ganhar saúde e qualidade de vida a partir dos 60 ou 70 anos.
"A falta de atividade física é um dos maiores inimigos das articulações. O músculo que não é trabalhado fica fraco, a cartilagem que não recebe estímulo se desgasta mais rápido e a articulação que não é movimentada perde a mobilidade. O sedentarismo não protege o corpo, pelo contrário, ele envelhece mais rápido", alerta o Dr. Fábio.
O que a atividade física faz pelas articulações
As articulações, especialmente o quadril, que é uma das que mais trabalham no corpo, precisam de músculos fortes e ativos para funcionar bem. Os músculos ao redor da articulação distribuem as forças do movimento, absorvem os impactos e estabilizam a estrutura dos ossos. Quando essa musculatura está fraca, a articulação trabalha sozinha e o desgaste da cartilagem acelera.
Além disso, o movimento estimula a produção de líquido sinovial, o fluido que lubrifica e nutre a cartilagem. Articulações que se movem regularmente são articulações mais saudáveis, independentemente da idade da pessoa.
"Quando um paciente me pergunta se deve continuar se exercitando por causa da dor no quadril, a resposta quase sempre é sim, com as adaptações certas. O movimento adequado, orientado por um profissional, é parte do tratamento, não um fator de risco", explica o Dr. Fábio.
Os benefícios da atividade física para a saúde das articulações incluem: fortalecimento da musculatura, manutenção da amplitude de movimento, controle do peso, estímulo à produção de líquido sinovial e melhora do equilíbrio.
Em todas as fases da vida
A relação entre atividade física e saúde das articulações começa muito antes da terceira idade. Os hábitos construídos na infância e na vida adulta determinam, em grande parte, as condições das articulações nas décadas seguintes. Mas o corpo tem uma capacidade incrível de responder ao estímulo, e essa janela de adaptação permanece aberta muito além do que a maioria das pessoas imagina.
Na infância e adolescência, a atividade física ajuda no desenvolvimento saudável dos ossos e músculos, criando uma base sólida para a saúde das articulações ao longo da vida. Na vida adulta, ela mantém a musculatura ativa e o peso sob controle, dois fatores que estão diretamente ligados ao risco de artrose. Na terceira idade, mesmo quem nunca foi ativo pode se beneficiar de forma significativa ao adotar um programa de exercícios adequado à sua condição.
"É possível, mesmo aos 60 ou 70 anos, e sem nenhum histórico de atividade física, com orientação adequada, transformar completamente sua saúde articular e sua qualidade de vida com uma nova rotina de exercícios. O corpo humano é surpreendentemente responsivo. A questão não é a idade, é começar."
Longevidade ativa: independência como meta
O conceito de longevidade ativa vai além de viver mais anos. Trata-se de viver com autonomia, mobilidade e qualidade. A capacidade de se mover com independência está diretamente ligada à saúde das articulações e à força muscular mantidas ao longo da vida.
Estudos mostram que adultos fisicamente ativos têm menor risco de desenvolver artrose grave, menor probabilidade de precisar de cirurgia de substituição articular e, quando precisam operar, apresentam melhores resultados no pós-operatório e recuperação mais rápida. A atividade física é, ao mesmo tempo, prevenção e preparação.
Para o Dr. Fábio, a independência funcional, que é a capacidade de realizar as atividades do dia a dia sem precisar de ajuda, deve ser vista como uma meta de saúde, não como algo garantido.
"A maioria das pessoas só percebe o valor de conseguir subir uma escada, caminhar na rua ou se levantar de uma cadeira sem ajuda quando começa a perder essa capacidade. Preservar a independência funcional é uma das razões mais importantes para se manter ativo. A boa notícia é que nunca é tarde demais para trabalhar nisso."
Quais atividades são recomendadas
A escolha da atividade física ideal depende da condição de cada pessoa, da presença ou não de sintomas nas articulações e do nível de condicionamento atual. De forma geral, as modalidades mais recomendadas para a saúde das articulações são aquelas de baixo impacto, que fortalecem a musculatura sem agredir a cartilagem, como por exemplo:
Caminhada em terrenos planos: acessível, eficaz e de baixo risco para as articulações. Natação e hidroginástica: o ambiente aquático reduz drasticamente o impacto sobre as articulações, sendo ideais para quem já tem dor ou desgaste. Ciclismo: fortalece a musculatura das pernas com baixo impacto sobre o quadril e os joelhos. Musculação e treinamento funcional: quando bem orientados, são fundamentais para fortalecer a cadeia muscular de suporte das articulações. Pilates e ioga: trabalham mobilidade, equilíbrio e consciência corporal, complementando o trabalho de fortalecimento.
O momento certo é agora
Seja aos 30, 50 ou 70 anos, o melhor momento para começar a se movimentar é o presente. Pequenas mudanças de hábito, como caminhadas diárias, aulas de hidroginástica ou um programa de fortalecimento muscular, têm impacto real e mensurável sobre a saúde das articulações e a qualidade de vida.
Para quem já sente dores nas articulações ou tem dúvidas sobre qual atividade praticar, a orientação é buscar avaliação médica antes de iniciar ou intensificar o exercício. O médico ortopedista pode indicar o tipo e a intensidade de atividade mais adequados para cada caso, levando em conta a condição atual das articulações e os objetivos da pessoa.
"Qualidade de vida não é luxo, é direito. E ela começa com a decisão de se mover, no ritmo certo, com orientação, mas sem esperar o momento perfeito, pois o momento perfeito é agora."

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