24 de julho de 2026

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Escrever para crianças é escrever o futuro

Geral Literatura 24/07/2026 12:31 Goimar Dantas

No Dia do Escritor, a autora Goimar Dantas reflete sobre como a literatura infantil ajuda a formar crianças mais curiosas, sensíveis e preparadas para um futuro melhor. Ela defende que dar acesso aos livros é investir em uma sociedade mais humana e diversa.

Neste 25 de julho, quando celebramos o Dia do Escritor, talvez a melhor homenagem à literatura seja garantir às crianças o acesso ao maior número possível de livros. Afinal, escrever para as infâncias é espalhar sementes cujos frutos serão colhidos em uma safra ainda distante.

  • Cada história lida ajuda a formar leitores mais curiosos e cidadãos mais sensíveis.
  • A literatura infantil não tem temas proibidos, desde que tratados com cuidado e beleza.
  • Os livros ajudam as crianças a lidar com medos, perdas e dúvidas da vida.
  • Goimar Dantas usou suas memórias de infância para escrever seu primeiro livro.
  • Antonio Candido já dizia que histórias são essenciais para a vida humana.

Cada história lida ajuda a formar leitores mais curiosos, cidadãos mais sensíveis e uma sociedade mais humana para as novas gerações. Quando nos dedicamos a criar narrativas para os pequenos, contribuímos para traçar as linhas e as tramas do futuro.

Nessa tarefa desafiadora e gratificante, valendo-se de uma linguagem de simplicidade apenas aparente, os autores dialogam com um público exigente e questionador. Nesse universo, não há temas proibidos, pois o texto literário é como um teto sob o qual se abrigam os mais diversos assuntos, desde que tratados com sensibilidade e refinamento estético.

Por meio de palavras, imagens, símbolos e metáforas, escritores compartilham com os pequenos histórias que revelam alegrias, belezas e encantos, senso de pertencimento, coletividade e identidade, mas também medos, perdas, dúvidas existenciais e outros dramas próprios da experiência humana.

Em meu primeiro livro para crianças, Quem tem medo de papangu, publicado há quinze anos, recorri às minhas memórias de infância e à figura de meu avô, Pedro Horácio, tradicional papangu da cidade de Japi (RN), para apresentar um personagem do folclore nordestino.

Ao reverenciar nossas histórias e tradições, aprendemos a olhar com mais respeito para outros povos, culturas e modos de viver. Esses repertórios são essenciais para originar futuros compatíveis com o sonho de uma sociedade na qual se reconheça que a verdadeira riqueza reside na diversidade.

Histórias são essenciais à vida humana. Em seu ensaio O direito à literatura, Antonio Candido afirma ser impossível passarmos sequer um dia sem recorrermos a elas. Afinal, imaginar é uma necessidade profundamente humana.

Ao reler esse texto, recordo-me dos contos de fadas, cujos protagonistas atravessam mundos desconhecidos e enfrentam provações indispensáveis ao amadurecimento. O que os move é a esperança de que, ao fim da travessia, uma nova realidade os espera.

Assim são os livros para crianças: pontes para um repertório simbólico capaz de diverti-las, acalentá-las e, até mesmo, auxiliá-las a compreender emoções, atravessar situações difíceis, enfrentar conflitos e construir vínculos. Está aí a magia da literatura, alicerçada na força da palavra fator de integração entre os homens, como afirmou a professora Nelly Novaes Coelho em Contos de fadas Símbolos, mitos e arquétipos.

Neste Dia do Escritor, celebrar a literatura é acreditar que a ampliação do acesso das crianças aos livros pode ser o primeiro passo rumo à escrita de um futuro em que, entre outras conquistas, a educação de qualidade seja, enfim, um direito assegurado a todos.

Goimar Dantas é doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, com ênfase em Literatura Infantil e Juvenil, jornalista, roteirista e escritora, autora de Quem tem medo de papangu (Cortez Editora).