Com a expectativa de vida aumentando, é essencial garantir que os anos a mais sejam vividos com bem-estar e independência. Uma especialista em Terapia Ocupacional dá dicas práticas para idosos e suas famílias, mostrando como pequenas mudanças na rotina podem fazer toda a diferença para um envelhecimento saudável e feliz.
A expectativa de vida dos brasileiros chegou a 76,6 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mundo, a maior longevidade é de Mônaco (86,5 anos), seguido por San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4).
Mas viver mais também traz o desafio de ter qualidade de vida nesses anos extras. Mais do que fazer aniversários, o objetivo atual da saúde para idosos é garantir que a terceira idade seja vivida com o máximo de bem-estar, independência e segurança. Pensando nisso, e com a proximidade do Dia dos Avós (26 de julho), a busca por um envelhecimento saudável se tornou um assunto muito importante para milhares de famílias brasileiras.
- Medo comum: O maior medo dos idosos é perder a capacidade de fazer coisas simples do dia a dia, como tomar banho, se vestir ou cozinhar.
- Prevenção é a chave: Muitos problemas físicos e mentais da velhice podem ser evitados ou diminuídos com acompanhamento preventivo.
- Terapia Ocupacional: Essa área ajuda os idosos a continuarem realizando suas atividades diárias, mantendo a memória e a socialização em dia.
- Adaptação da casa: Pequenas mudanças no lar, como colocar barras de apoio e melhorar a iluminação, previnem quedas e aumentam a segurança.
- Família unida: O apoio da família é fundamental, mas é importante incentivar o idoso a fazer o que ainda pode, para não perder a autonomia.
O medo de perder a capacidade de realizar tarefas simples como tomar banho, vestir-se ou cozinhar é um dos maiores receios da população idosa. No entanto, muitas das limitações físicas e mentais associadas à velhice podem ser significativamente atenuadas ou evitadas com o acompanhamento preventivo adequado, explica a coordenadora e professora de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Jéssica Bianca de Souza.
Benefícios da Terapia Ocupacional
É nesse cenário de preservar a autonomia que a Terapia Ocupacional (TO) atua de forma decisiva. Diferente de áreas focadas apenas na reabilitação física, a TO olha para as atividades do dia a dia. Ela atua, por exemplo, estimulando a memória, a atenção e o raciocínio; proporcionando uma rotina de socialização para evitar o isolamento e a depressão; e reduzindo drasticamente os custos com internações de longa permanência.
O terapeuta avalia o contexto de cada idoso e cria estratégias personalizadas para que ele continue ativo e participativo pelo maior tempo possível. As intervenções ajudam a resgatar a segurança nas ações diárias, além de devolver a autoconfiança para quem teme a dependência de terceiros.
Nas residências, os cuidados envolvem desde ações simples como a adaptação do ambiente (cadeiras, utensílios, apoio para calçados, banheiro acessível) para facilitar a rotina e preservar a integridade física até a elaboração de planos de atividades terapêuticas individualizadas.
Quando a Terapia Ocupacional é recomendada
Ela pode ser recomendada em diferentes momentos do envelhecimento, tais como quando o idoso começa a apresentar sinais de dificuldade em realizar tarefas básicas ou em situações de leve perda de mobilidade ou coordenação.
Vale lembrar que não é preciso haver uma condição de saúde específica para que a Terapia Ocupacional seja benéfica. Ela pode e deve ser parte da rotina saudável de qualquer idoso ativo, enfatiza a coordenadora, ressaltando que esse nicho de trabalho está em plena ascensão na área da saúde no Brasil.
5 dicas para envelhecer com saúde
Segundo a professora de Terapia Ocupacional, os pilares fundamentais para alcançar a longevidade com vigor envolvem uma rotina equilibrada e estímulos constantes. Veja as cinco principais recomendações:
1. Alimentação e mobilidade: Manter uma dieta balanceada e praticar atividades físicas regularmente para preservar a força muscular e a saúde cardiovascular.
2. Estímulo cognitivo: Exercitar o cérebro diariamente com leitura, jogos de memória, quebra-cabeças, palavras cruzadas ou artesanato, ajudando a retardar o declínio mental.
3. Adaptação do lar: Modificar o ambiente doméstico para prevenir quedas, retirando tapetes escorregadios, melhorando a iluminação e instalando barras de apoio no banheiro.
4. Socialização e lazer: Participar de grupos de convivência, oficinas e atividades comunitárias para combater o isolamento social e fortalecer a autoestima.
5. Cuidado preventivo: Iniciar o acompanhamento profissional e médico precocemente, antes mesmo do surgimento de doenças ou de grandes limitações funcionais.
Parceria familiar
Para que esse processo dê resultados positivos, o suporte dos familiares é indispensável. A especialista do Centro Universitário Integrado alerta que a sociedade ainda confunde o cuidar com o excesso de zelo, o que pode ser prejudicial.
A orientação é que os parentes estimulem o idoso a realizar aquilo que ainda consegue fazer sozinho, respeitando seu tempo e ritmo, em vez de assumir as tarefas por ele. Essa postura vigilante, porém, emancipadora, valida a dignidade do indivíduo, ressalta Jéssica.
Mercado de trabalho em crescimento
O mercado para a Terapia Ocupacional no Brasil vive um período de forte expansão e alta empregabilidade. Historicamente marcada por um déficit de profissionais para suprir a demanda nacional, a profissão consolidou um ritmo acelerado de contratações nos últimos anos, impulsionado pelo envelhecimento populacional, pela alta nos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento e pelo fortalecimento de políticas públicas.
Para quem gosta da área da saúde, do cuidado com as pessoas, deseja construir uma carreira com propósito e ter a satisfação de transformar vidas todos os dias, essa profissão é a ideal, destaca a professora.

Práticas de Terapia Ocupacional ajudam a envelhecer de forma saudável


