As hepatites B e C podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gravidez ou no parto, mas com exames simples no pré-natal e medidas preventivas, como vacina e tratamento, é possível evitar complicações e proteger a saúde dos dois.
As hepatites virais são infecções que afetam o fígado e, quando ocorrem durante a gravidez, podem trazer riscos para a saúde da mãe e do bebê. Muitas vezes essas doenças não apresentam sintomas, mas as hepatites B e C podem ser passadas da gestante para o filho durante a gestação ou no parto. Por isso, descobrir o problema cedo é uma das melhores formas de evitar complicações.
Por esse motivo, os exames para detectar essas infecções fazem parte do pré-natal de rotina. Segundo o ginecologista Dr. Regis Kreitchmann, presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), identificar o vírus logo no início permite tomar medidas que protegem tanto a gestante quanto o recém-nascido.
- As hepatites B e C são as principais hepatites virais que podem afetar a gravidez e o bebê.
- Essas doenças são transmitidas principalmente por contato com sangue contaminado ou sexo sem proteção.
- O diagnóstico precoce no pré-natal ajuda a evitar a transmissão da mãe para o filho.
- Existe vacina para a hepatite B, mas ainda não há vacina para a hepatite C.
- A hepatite C tem cura com medicamentos orais, mas o tratamento não pode ser feito durante a gravidez.
"As hepatites B e C são as principais hepatites virais que podem afetar a gestação e atingir o bebê. Ambas são transmitidas principalmente por contato com sangue contaminado ou por relações sexuais sem proteção. O diagnóstico deve ser realizado em todas as gestantes para que possamos instituir o tratamento ou as medidas preventivas adequadas, preservando a saúde da mãe e da criança", explica.
Riscos para o bebê
O especialista destaca que a transmissão do vírus para o bebê pode ter consequências sérias. Quando a infecção acontece nos primeiros momentos da vida, há maior chance de a doença se tornar crônica, aumentando o risco de cirrose e câncer de fígado ao longo dos anos. "O grande problema da transmissão vertical é que o bebê contaminado tem uma chance muito maior de desenvolver hepatite crônica, o que pode comprometer sua saúde no futuro. Por isso, prevenir essa transmissão é uma prioridade do pré-natal", afirma.
Diagnóstico
O diagnóstico das hepatites B e C é feito por exames de sangue que fazem parte do pré-natal. Além dos exames de laboratório comuns, também existem testes rápidos que precisam apenas de uma gota de sangue e dão o resultado em cerca de 15 minutos. "São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê", ressalta o médico.
Vacina e tratamento
Entre as hepatites que podem afetar a gravidez, apenas a hepatite B tem vacina. O Brasil, desde 1998, inclui a vacina no calendário infantil, com uma cobertura de quase 98%, o que ajudou a reduzir muito os casos da doença no país. A primeira dose deve ser dada nas primeiras horas de vida do bebê, seguida pelas outras doses durante o primeiro ano. Adultos que não foram vacinados na infância também podem tomar três doses da vacina, garantindo proteção duradoura.
Quando a gestante tem hepatite B crônica, pode ser necessário usar o medicamento antiviral tenofovir, que é seguro durante a gravidez e a amamentação. Após o nascimento, o bebê deve receber a vacina e a imunoglobulina específica, uma combinação que reduz bastante o risco de infecção.
O Dr. Regis explica que a hepatite C pode ser curada, mas o tratamento deve ser feito fora da gestação. Diferente da hepatite B, a hepatite C ainda não tem vacina. No entanto, existem hoje medicamentos orais com altas taxas de cura. O tratamento não pode ser feito durante a gravidez, sendo indicado antes da gestação ou após o nascimento do bebê. "Hoje dispomos de tratamentos altamente eficazes para a hepatite C. Por isso, o ideal é que mulheres diagnosticadas sejam tratadas antes de engravidar ou após o parto. Dessa forma, protegemos a saúde da mulher e reduzimos o risco de transmissão em futuras gestações", conclui.

Hepatites Imagem gerada por IA


