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Alergia grave: entenda a anafilaxia, uma reação que pode matar

Geral Alergia 22/07/2026 15:20 ASBAI

A anafilaxia é uma reação alérgica muito forte e perigosa que pode acontecer em minutos e levar à morte se não for tratada a tempo. Ela é causada principalmente por alimentos, medicamentos e picadas de insetos. No Brasil, um novo registro de casos foi criado para entender melhor o problema e ajudar a salvar vidas.

A anafilaxia é a reação alérgica mais grave que existe e pode ser fatal se não for identificada e tratada rapidamente com uma injeção de adrenalina. De acordo com a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), essa condição é uma resposta alérgica que afeta o corpo todo e pode levar a pessoa a óbito se não houver socorro a tempo. Ela explica que medicamentos, alimentos, picadas de insetos e látex estão entre as principais causas do problema.

Os sintomas aparecem de forma rápida e afetam várias partes do corpo ao mesmo tempo. Entre os sinais mais comuns estão: coceira, vermelhidão, manchas e inchaço no rosto e na pele; sensação de sufocamento, tosse, chiado no peito, rouquidão e até parada respiratória. Também podem ocorrer náuseas, vômitos, cólicas e diarreia; queda forte da pressão, desmaios e alterações no coração; além de tontura, confusão mental, crises convulsivas e sensação de que vai morrer.

  • A anafilaxia pode matar em minutos se não for tratada com adrenalina.
  • Alimentos como leite, ovo e amendoim são as causas mais comuns em crianças.
  • Medicamentos e picadas de insetos também provocam a reação.
  • No Brasil, apenas 8% dos pacientes têm a caneta de adrenalina em casa.
  • Dois projetos de lei querem facilitar o acesso ao tratamento pelo SUS.

Apesar de ser grave, a anafilaxia ainda é pouco conhecida e muitas vezes não é diagnosticada corretamente no Brasil, o que dificulta saber quantos casos realmente acontecem. Isso acontece porque a reação alérgica mais perigosa de todas ainda é mal compreendida por muitos profissionais de saúde e pela população.

Por causa do aumento de casos percebido por especialistas, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), um projeto novo para coletar e analisar dados sobre essa condição médica em todo o país. A anafilaxia é uma reação alérgica que afeta vários órgãos ao mesmo tempo, começa de repente e pode ser fatal.

De acordo com o último levantamento, os alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações, sendo o leite de vaca (12,9%), os mariscos (6,9%), o ovo (5,6%), o trigo (3,1%) e o amendoim (3,1%) os mais comuns.

Já 32,4% dos casos estavam relacionados a medicamentos, incluindo agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). As picadas de insetos representaram 23,9% dos casos, com destaque para a formiga, que causou 8,4% das reações. A anafilaxia ao látex foi identificada em 11 casos.

O levantamento mostrou que 55,5% das crianças do sexo masculino são a maioria dos casos de anafilaxia, e entre os adultos, 59,2% dos casos ocorreram em mulheres.

O Registro Brasileiro de Anafilaxia conta com 318 pacientes, dos quais 163 são mulheres. A idade média é de 27 anos, variando de 2 a 81 anos. Pacientes de 20 dos 27 estados brasileiros participam, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste: São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%).

O objetivo do registro

A ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia para entender melhor o perfil da doença entre os brasileiros. Com esses dados, será possível criar políticas públicas para prevenir e tratar a anafilaxia, que é a reação alérgica mais grave e pode levar à morte, explica a Dra. Mara Morelo, diretora de pesquisa adjunta e coordenadora do estudo, ao lado do Prof. Dr. Dirceu Solé, diretor de pesquisa da ASBAI.

A falta da adrenalina autoinjetável no tratamento imediato

O Registro Brasileiro de Anafilaxia também mostrou que apenas 8,2% dos pacientes tinham o kit de emergência, ou seja, 43 pacientes possuíam a caneta de adrenalina autoinjetável. Atualmente, esse dispositivo só pode ser comprado por importação, com um custo muito alto. O Brasil ainda não tem esse produto, que está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Já 96,2% dos pacientes com anafilaxia receberam algum tipo de tratamento, com uso de adrenalina em 50,3% dos casos, mas a aplicação do medicamento foi feita por profissionais em 42,1% dos casos, ou seja, dentro do hospital.

Quinze pacientes precisaram ser intubados (11 adultos, 2 idosos, 2 crianças) e 10 foram reanimados (6 adultos, 3 idosos, 1 criança).

A adrenalina autoinjetável é o remédio de emergência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa a óbito, sem tempo nem para chegar ao pronto-socorro, explica Dra. Mara Morelo.

Existem dois projetos de lei apoiados pela ASBAI e em tramitação no Congresso que são muito importantes para os pacientes com anafilaxia. O PL 1945/21 trata da Notificação Obrigatória, que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua frequência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes. Já o PL 85/24 prevê o fornecimento gratuito da caneta de adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para que as pessoas tenham acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em casa e nas escolas, sem depender apenas do atendimento hospitalar, informa Dra. Fátima Fernandes, presidente da ASBAI.