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Projeto Ginga: arte e design acessíveis para todos

Geral Arte 22/07/2026 10:05 Alessandra Barbieri - a4&holofote comunicação

A Cadeira Bossa Nova e a A-PONTE, em parceria com o Instituto Hatus, lançaram o Projeto Ginga. A iniciativa transforma as capas das cadeiras em obras de arte, com curadoria de Fabio Szwarcwald e obras dos artistas Estela Sokol e Rafael Alonso. Parte da renda é destinada ao Instituto Hatus para levar cultura a crianças e jovens.

Existe uma palavra que resume o jeito brasileiro de driblar o óbvio. É dela que nasce o Projeto Ginga, iniciativa que transforma as capas intercambiáveis da Cadeira Bossa Nova em suporte para arte contemporânea e faz da sala de estar um espaço expositivo em constante movimento.

  • O Projeto Ginga usa capas de cadeiras para expor arte de artistas brasileiros.
  • As obras são criadas por Estela Sokol e Rafael Alonso, com curadoria de Fabio Szwarcwald.
  • Parte do dinheiro das vendas vai para o Instituto Hatus, que ajuda crianças e jovens.
  • São 150 cadeiras no total, com versões para adultos e crianças (Bossinha).
  • A cada 2 ou 3 meses, a coleção muda, trazendo novas obras de arte.

A ideia do Ginga parte de uma pergunta simples: e se um ícone do design nacional pudesse, também, carregar arte A iniciativa reúne três frentes: a Cadeira Bossa Nova, que cede sua estrutura ímpar; a curadoria do gestor cultural Fabio Szwarcwald, à frente da A-PONTE; e o Instituto Hatus, que traz a personificação da arte como parte do compromisso social.

Na prática, cada capa se torna suporte para obras originais de artistas convidados, em uma seleção que se renova a cada dois ou três meses sob curadoria permanente de Szwarcwald. A primeira edição leva a assinatura de Estela Sokol e Rafael Alonso, que desenvolveram entre duas e três cadeiras cada, distribuídas em 5 modelos da Cadeira Bossa Nova e 2 da Bossinha, versão infantil da peça original da marca. Todas as peças são numeradas e a coleção será limitada a 150 unidades finais, com exceção à Bossinha, que será produzida de acordo com a demanda.

Mais do que design colecionável, o Projeto Ginga carrega um compromisso social direto, já que parte do valor arrecadado com a venda das cadeiras é revertida ao Instituto Hatus, ampliando o acesso de crianças e jovens atendidos pela organização a experiências culturais.

Segundo Bruna Lucchesi, embaixadora do Instituto Hatus, a parceria vai além do apoio financeiro: "Quando a arte, o design e a responsabilidade social caminham juntos, todos saem fortalecidos. Ao mesmo tempo em que essa iniciativa evidencia o compromisso social dos artistas envolvidos, ela também amplia o acesso de crianças e jovens a experiências culturais que despertam sonhos e fortalecem a ideia de que a arte tem o poder de transformar vidas", afirma.

Já Fabio Szwarcwald, curador do projeto, destaca o caráter vivo da iniciativa: "O Ginga nasce para não ficar parado: a cada nova curadoria, a coleção se reinventa e a arte volta a circular por espaços que, normalmente, ela não ocupa. É o design que se transforma em plataforma cultural e em ferramenta de transformação social".

Quem assina a primeira edição

Estela Sokol tem a cor e a luz como elementos centrais de sua pesquisa, combinando materiais como cera de abelha, concreto, resina e latão a procedimentos de pintura como encáustica e veladuras. Já expôs em instituições como Paço das Artes, Centro Cultural São Paulo e Museu da Taipa (Macau), com obras em coleções como Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC USP e Itamaraty.

Rafael Alonso é graduado em Pintura e doutor em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ, onde também leciona Cenografia. Sua prática parte da banalidade e do ordinário para refletir sobre o espaço social, explorando cor, gesto e espaço sem abandonar o diálogo crítico com a tradição da pintura.

A curadoria

Fabio Szwarcwald é economista, colecionador, ex-diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e do MAM Rio, fundador da Tropix (primeira plataforma brasileira de NFT de arte) e atualmente à frente da A-PONTE, CultTech dedicada a conectar arte, educação e tecnologia. Integra conselhos como Osesp, New Museum de Nova York, Conselho da Cidade do Rio de Janeiro, além de ser colunista de artes visuais da Veja Rio.