21 de julho de 2026

??ºC São Paulo - SP
??ºC Salvador - BA
??ºC Cuiabá - MT

Reação alérgica grave: entenda o que é anafilaxia e como agir

Geral Anafilaxia 21/07/2026 09:19 Marisa Rosimeire Ribeiro, Coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da ASBAI

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e rápida que pode levar à morte se não for tratada com injeção de adrenalina. Medicamentos, alimentos como leite e amendoim, picadas de insetos e látex são as causas mais comuns. No Brasil, o problema é pouco conhecido e o remédio de emergência não está disponível no SUS, mas projetos de lei tentam mudar essa realidade.

BRA 1

A anafilaxia é considerada a reação alérgica mais grave e pode ser fatal quando não identificada e tratada rapidamente com adrenalina. Segundo a Dra. Marisa Rosimeire Ribeiro, Coordenadora do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a condição é uma resposta alérgica sistêmica que pode levar o paciente à morte se não houver intervenção a tempo. Ela explica que medicamentos, alimentos, ferroadas de insetos e látex estão entre as principais causas do problema.

Os sintomas surgem de forma rápida e envolvem diferentes sistemas do corpo ao mesmo tempo. Entre as manifestações possíveis estão alterações na pele e mucosas como coceira, vermelhidão, manchas e inchaço no rosto, além de sintomas respiratórios, como sensação de sufocamento, tosse, chiado no peito, rouquidão e até parada respiratória. O quadro também pode incluir náuseas, vômitos, cólicas e diarreia; queda acentuada da pressão arterial, desmaios e alterações nos batimentos cardíacos; além de tontura, confusão mental, crises convulsivas, sensação de morte iminente e outros sinais de alarme.

  • A anafilaxia é a reação alérgica mais perigosa que existe, podendo matar em minutos.
  • Os principais causadores são alimentos (como leite, ovo e amendoim), medicamentos e picadas de insetos.
  • No Brasil, apenas 8% dos pacientes têm a caneta de adrenalina, que é o único remédio que salva.
  • A adrenalina autoinjetável ainda não é vendida no país e precisa ser importada, custando caro.
  • Dois projetos de lei no Congresso querem que o SUS forneça a caneta de graça e que os casos sejam notificados.

Apesar de ser uma condição grave, a anafilaxia ainda é pouco conhecida e frequentemente subdiagnosticada no Brasil, o que dificulta o real mapeamento dos casos. A anafilaxia ainda é pouco conhecida e, consequentemente, subdiagnosticada no Brasil, o que impacta no mapeamento da reação alérgica considerada a mais grave de todas e que pode levar à morte.

Diante do aumento de casos percebidos por especialistas que tratam as alergias, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia (RBA-ASBAI), uma iniciativa pioneira para coletar e analisar dados nacionais sobre essa condição médica. A anafilaxia é uma reação alérgica multissistêmica grave, de início agudo e potencialmente fatal.

De acordo com o último levantamento, os alimentos foram responsáveis por 42,1% das reações, com leite de vaca (12,9%), mariscos (6,9%), ovo (5,6%), trigo (3,1%) e amendoim (3,1%) sendo os mais comuns.

Já 32,4% dos casos de anafilaxia estavam relacionados a medicamentos, incluindo agentes biológicos (10,4%), anti-inflamatórios (7,2%) e antibióticos (3,8%). Anafilaxia por insetos representou 23,9% das anafilaxias, destacando-se a formiga com 8,4% dos casos. Anafilaxia ao látex foi identificada em 11 casos.

O levantamento apontou que 55,5% das crianças do sexo masculino são maioria dos casos de anafilaxia e em adultos, 59,2% dos casos ocorreram em mulheres.

O Registro Brasileiro de Anafilaxia conta com 318 pacientes, dos quais 163 são mulheres. A média de idade é de 27 anos, abrangendo faixas etárias de 2 a 81 anos. Pacientes de 20 dos 27 estados brasileiros participam, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste: São Paulo (22%), Minas Gerais (17,6%), Paraná (14,5%) e Rio de Janeiro (13,5%).

A ASBAI criou o Registro Brasileiro de Anafilaxia com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o perfil da doença entre os brasileiros para que políticas públicas possam ser implementadas no que diz respeito à prevenção e ao tratamento da anafilaxia, considerada a reação alérgica mais grave e que pode levar à morte, explica a Dra. Mara Morelo, Diretora de Pesquisa Adjunta e Coordenadora do estudo, ao lado do Prof. Dr. Dirceu Solé, Diretor de Pesquisa da ASBAI.

A falta da adrenalina autoinjetável no tratamento imediato

O Registro Brasileiro de Anafilaxia mostrou também que apenas 8,2% dos pacientes possuíam o kit de emergência, ou seja, 43 pacientes tinham a caneta de adrenalina autoinjetável. Atualmente, a apresentação da adrenalina autoinjetora só pode ser adquirida por importação, a um custo alto. O Brasil ainda não tem esse dispositivo, que está em fase de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Já 96,2% dos pacientes com anafilaxia receberam algum tipo de tratamento, com uso de adrenalina em 50,3% dos casos, porém, com a administração do medicamento feita por profissionais em 42,1% dos casos, ou seja, em âmbito hospitalar. Quinze pacientes necessitaram de intubação (11 adultos, 2 idosos, 2 crianças) e 10 foram reanimados (6 adultos, 3 idosos, 1 criança).

A adrenalina autoinjetável é o medicamento de urgência, precisa ser aplicado assim que os sinais da anafilaxia começam. A demora na medicação pode levar a pessoa à morte, sem tempo mesmo para chegar ao pronto-atendimento, explica Dra. Mara Morelo.

Existem dois projetos de lei apoiados pela ASBAI e em tramitação no Congresso que são de fundamental importância para os pacientes com anafilaxia. O PL 1945/21 discorre sobre a Notificação Obrigatória que permitirá coletar dados oficiais sobre anafilaxia, entender sua prevalência e impactos, e fundamentar políticas públicas eficazes. Já o PL 85/24 dispõe sobre fornecimento gratuito da caneta de adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de modo a permitir o acesso rápido e autônomo ao tratamento, especialmente em ambientes domésticos e escolares, sem depender exclusivamente de atendimento hospitalar, informa Dra. Fátima Fernandes, Presidente da ASBAI.