O livro 'Iorubahia' reúne doze ensaios do etnógrafo Pierre Verger, a maioria inédita em português, sobre a cultura iorubá e as ligações entre o Brasil e o golfo do Benim. A obra será lançada em agosto em Salvador e em setembro em São Paulo, com a participação de pesquisadores.
Doze textos de Pierre Verger, produzidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1980, foram reunidos no livro Iorubahia: Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim. Boa parte dos ensaios é inédita em português.
Organizada pela pesquisadora Angela Lühning, que trabalhou com Verger desde a criação da fundação dedicada a ele, em 1988, a coletânea aborda as relações históricas entre o golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas, o sistema de adivinhação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.
- O livro foi organizado por Angela Lühning, que trabalhou ao lado de Pierre Verger por muitos anos.
- Os textos são de difícil acesso e muitos nunca foram publicados em português antes.
- A obra aborda temas como a religião dos orixás, o transe e as tradições orais iorubás.
- O lançamento acontece em duas cidades: Salvador e São Paulo, com entrada gratuita.
- Pierre Verger foi um fotógrafo e pesquisador que se tornou babalaô, um sacerdote na cultura iorubá.
O livro terá lançamento no dia 8 de agosto, durante a Flipelô, em Salvador, e em 16 de setembro, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.
Iorubahia: Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim (Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger, 2026) reúne doze textos de Pierre Fatumbi Verger (1902-1996), boa parte inédita em português, produzidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1980.
Parceria com a Fundação Pierre Verger, Iorubahia é uma publicação do Instituto Çarê, organização cultural sem fins lucrativos que se dedica a preservar e a fomentar manifestações culturais brasileiras de relevo. O livro nasceu do processamento do acervo da editora soteropolitana Corrupio, adquirido em 2003 pelo Çarê. Com organização de Angela Lühning, tem projeto gráfico de Oga Mendonça e posfácio de Tiganá Santana.
Para marcar a chegada da publicação, o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger promovem dois lançamentos públicos. Salvador recebe o primeiro encontro, no dia 8 de agosto, durante a programação da 10ª Flipelô, Festa Literária Internacional do Pelourinho. Em seguida, no dia 16 de setembro, o livro será apresentado em São Paulo, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade. Nos dois encontros, os pesquisadores Ângela Lühning, Angela Fileno e Tiganá Santana discutem a trajetória de Verger e os temas presentes na obra.
Resultado de pesquisas realizadas entre a África Ocidental, a Bahia e outros territórios da diáspora africana, os ensaios abordam temas que acompanharam Verger ao longo de décadas, como as relações históricas entre o golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas, o sistema de adivinhação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.
No período em que escreveu esses textos, Verger viveu entre Salvador e a Nigéria, pesquisou arquivos coloniais europeus e brasileiros, tornou-se doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris, foi pesquisador associado da Universidade de Ibadan e professor visitante da Universidade de Ilê-Ifé. Também percorreu cidades e vilas do território iorubá para acompanhar rituais e registrar relatos orais de babalaôs.
"Os textos reunidos em Iorubahia representam faces relevantes da trajetória multitemática e multiespacial do pesquisador Verger, que ele manteve em processo de construção constante, além da carreira do fotógrafo já consagrado", afirma Ângela Lühning.
A coletânea está organizada em três eixos temáticos. O primeiro, Aspectos históricos das relações transatlânticas, dialoga com a pesquisa que deu origem à tese de doutorado de Verger sobre o tráfico de escravizados entre o golfo do Benim e a Bahia. O segundo, Religião iorubá: fundamentos e diáspora, aborda o papel da religião dos orixás na Nigéria e no Brasil e o fenômeno do transe religioso. Já Cultura, conhecimento e oralidade iorubá reúne reflexões sobre conhecimentos transmitidos oralmente, plantas litúrgicas e o sistema de adivinhação Ifá.
No posfácio, o pesquisador, curador e multiartista Tiganá Santana destaca a contribuição de Verger para os estudos africanos e afro-brasileiros e observa que sua obra rompe hierarquias entre o conhecimento produzido na África e na diáspora, propondo uma compreensão mais ampla das conexões culturais entre os dois lados do Atlântico. "Verger convoca que se esteja, seriamente, lá (em algum locus existencial do continente africano) e que se redimensione, por conseguinte, o que é nascer/viver cá", escreve. "Em última análise, que se repense o 'lá' e o 'cá'. Nada é simples em toda essa história; muito menos deve ser a nossa inserção nela, a nossa recepção dela."
Inaugurada em 1979 por um grupo de mulheres liderado pela fotógrafa Arlete Soares, a editora Corrupio foi criada para editar a obra de Verger. Em quatro décadas, construiu um catálogo dedicado à presença negra na formação da cultura brasileira e às relações históricas entre o Brasil e a África. A aquisição desse acervo pelo Instituto Çarê possibilitou a retomada de manuscritos de Verger e deu origem a Iorubahia.



