21 de julho de 2026

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Pesquisadores negros se reúnem para discutir desigualdade racial no Brasil

Geral Desigualdade 20/07/2026 14:55 Sara Puerta

O Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA) vai apresentar um estudo sobre as diferenças de renda, trabalho e educação entre brancos e negros em Santa Catarina durante o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, em Brasília. O estudo mostra que a desigualdade racial no estado é um problema antigo e que dura até hoje, e que acabar com as cotas raciais nas universidades pode piorar ainda mais essa situação.

BRA 1

O CEDRA (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais) vai participar do XIV COPENE (Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as), em Brasília, no dia 29 de julho. Lá, eles vão mostrar estudos e análises sobre como os dados sobre raça são importantes para entender o Brasil. A mesa de debate se chama "Analisando a sociedade desigual: dados raciais como ferramentas de análise, debate e incidência em políticas públicas baseada em evidências". Vão participar Hélio Santos (presidente do Conselho do CEDRA), Marcelo Tragtenberg (conselheiro do CEDRA), Wania Sant'anna (conselheira do CEDRA) e Cristina Lopes (diretora executiva do CEDRA). Eles vão falar sobre como as desigualdades raciais no Brasil podem ser vistas quando a gente junta diferentes dados, e como esses estudos ajudam a criar políticas públicas.

O CEDRA também vai apresentar um estudo sobre as diferenças de renda, trabalho e escolaridade em Santa Catarina. Essa análise foi feita de forma inédita pela organização e se tornou ainda mais urgente por causa de uma lei estadual (Lei Estadual nº 19.722/2026) que queria diminuir as cotas raciais nas universidades do estado. Essa lei foi considerada inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

  • A desigualdade racial em Santa Catarina não é um problema passageiro, mas sim algo que faz parte da estrutura da sociedade e que dura há muito tempo.
  • Mesmo quando a população negra consegue estudar mais, ela ainda enfrenta várias barreiras para conseguir educação, renda e trabalho.
  • Reduzir ou acabar com as políticas de cotas raciais aumenta a diferença entre a população branca e a negra, piorando um problema que ainda não foi resolvido.
  • O estudo foi feito para mostrar como os dados podem ajudar a entender e combater a desigualdade racial.
  • A lei que queria acabar com as cotas em Santa Catarina foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal.

O debate no congresso

Os especialistas vão mostrar como as desigualdades raciais no Brasil podem ser vistas a partir da análise de dados. Eles vão explicar como esses estudos ajudam a criar políticas públicas que podem ajudar a diminuir as diferenças entre brancos e negros.

O estudo sobre Santa Catarina

O estudo sobre as desigualdades em Santa Catarina foi feito de forma inédita pelo CEDRA. Ele mostra que a desigualdade racial no estado é um problema que não é de agora, mas que vem de muito tempo. Segundo Marcelo Tragtenberg, coordenador do estudo, "Mesmo quando há avanço educacional, a população negra acumula um conjunto de barreiras de acesso à educação em todos os níveis, e por conseguinte à renda e às oportunidades de trabalho. Reduzir ou eliminar políticas de ação afirmativa de recorte racial é aumentar a desigualdade entre a população branca e negra e aprofundar um problema que está longe de ser superado".

Serviço do evento

O XIV COPENE - Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as vai ter o debate do CEDRA no dia 29 de julho de 2026, às 10h30, no Anfi 11 (BT 450) ICC NORTE, UnB.

Sobre o CEDRA

O CEDRA - Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais junta pensadores, especialistas em dados, estatísticos, economistas e cientistas sociais. Eles trabalham para mostrar, a partir de dados oficiais, informações que ajudem a entender melhor as desigualdades raciais no Brasil. Uma das iniciativas do CEDRA é uma plataforma aberta de dados raciais, que pode ser usada por ativistas, organizações do movimento negro, jornalistas, pesquisadores, estudantes e o público em geral. O objetivo é ajudar a criar estudos e políticas sobre questões raciais. Atualmente, o CEDRA é apoiado pelo Instituto Çarê, Instituto Ibirapitanga, e Bem-Te-Vi Diversidade, além de doações de pessoas físicas e parcerias com Amazon Web Services (AWS), Bain & Company, Daniel Advogados e Observatório da Branquitude.