A cidade do Recife, representada pela organização ARIES, participou do 2º Encontro Nacional Periferias Verdes Resilientes, em Ilhéus (BA). O evento reuniu governo, universidades e sociedade civil para discutir soluções baseadas na natureza que ajudam a reduzir os riscos de enchentes, deslizamentos e outros problemas causados pelas mudanças climáticas em áreas pobres das cidades.
Recife, julho de 2026 A ARIES representa o Recife no 2º Encontro Nacional Periferias Verdes Resilientes, realizado na última semana de junho, em Ilhéus (BA). O evento reuniu representantes do Governo Federal, universidades públicas, organizações da sociedade civil e lideranças locais para trocar experiências sobre Soluções Baseadas na Natureza (SbN) aplicadas à redução de riscos socioambientais em periferias urbanas. A instituição integra a rede nacional do programa como representante do Recife e leva ao encontro o trabalho desenvolvido no bairro do Cajueiro, onde coordena um laboratório voltado à implantação de soluções verdes para enfrentar desafios ambientais e urbanos ligados às mudanças climáticas.
- O encontro aconteceu em Ilhéus, na Bahia, e juntou representantes de 20 cidades brasileiras para discutir adaptação climática.
- A ARIES, organização do Recife, apresentou o projeto do bairro do Cajueiro, que usa a natureza para evitar enchentes e deslizamentos.
- Em 2025, os desastres climáticos no Brasil afetaram mais de 336 mil pessoas e causaram prejuízos de R$ 3,9 bilhões, segundo o Cemaden.
- Cerca de 87% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que aumenta o risco de problemas como enchentes e ondas de calor.
- O projeto do Recife tem um laboratório aberto para a comunidade testar e participar das soluções, chamado CAJULab.
Dayse Vital, analista de projetos da ARIES e arquiteta que faz parte da equipe técnica do projeto SbN Cajueiro, destacou que a participação no encontro permitirá observar experiências já realizadas em outros lugares e trazer aprendizados para o trabalho no Recife. Estamos em plena atividade no território do Cajueiro, no Recife, com um laboratório de Soluções Baseadas na Natureza aberto à experimentação e à participação comunitária. Por isso, poder conhecer de perto a experiência do Alto do Coqueiro é extremamente valioso. Um dos grandes diferenciais do nosso projeto é o protagonismo da comunidade, e ver como esse engajamento foi fortalecido e gerou resultados concretos em Ilhéus nos inspira e amplia nosso olhar. Essas trocas desenvolvem novas ideias, trazem outras perspectivas e reforçam que a construção em rede é fundamental para que possamos levar soluções cada vez mais efetivas aos nossos territórios.
O encontro acontece em um cenário de agravamento dos impactos climáticos nas cidades brasileiras. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os eventos climáticos extremos registrados em 2025 afetaram mais de 336 mil pessoas e causaram prejuízos estimados em R$ 3,9 bilhões. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 87,4% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que amplia a exposição a problemas como enchentes, deslizamentos e ondas de calor. Nesse contexto, as Soluções Baseadas na Natureza têm sido incorporadas a programas públicos por aliarem redução de riscos, recuperação ambiental e melhoria das condições urbanas.
O 2º Encontro Periferias Verdes Resilientes reúne representantes de quatro instituições públicas responsáveis por políticas urbanas, ambientais e de redução de riscos, cinco universidades públicas e 13 organizações da sociedade civil que atuam em 20 cidades distribuídas por 12 estados e o Distrito Federal. A programação inclui visitas ao projeto do Alto do Coqueiro, em Ilhéus, reconhecido dentro do programa por sua atuação na recuperação de áreas de encosta a partir da mobilização comunitária e da aplicação de Soluções Baseadas na Natureza.
Para Renata Wogeley, analista de projetos da ARIES, também arquiteta e urbanista que atua no projeto SbN Cajueiro, o principal resultado do encontro está na circulação de experiências entre territórios que enfrentam desafios semelhantes. Os impactos das mudanças climáticas atingem cidades de diferentes portes e regiões do país. Quando gestores, pesquisadores e organizações compartilham o que funcionou, os obstáculos encontrados e os resultados alcançados, cada território ganha condições de avançar com mais consistência. Esse intercâmbio contribui para aprimorar projetos locais e fortalece a formulação de políticas públicas voltadas à adaptação climática.
A participação da ARIES reforça a presença do Recife em uma articulação nacional voltada à adaptação climática em áreas urbanas vulneráveis. Ao integrar uma rede formada por governos, universidades e organizações da sociedade civil, a instituição contribui para levar ao debate nacional a experiência acumulada no Cajueiro e retorna com referências práticas que podem apoiar o desenvolvimento de iniciativas voltadas à redução de riscos socioambientais na capital pernambucana.

Gabriel Moreira




