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Frutas comuns no quintal ajudam a combater o envelhecimento; veja quais

Geral Envelhecimento 19/07/2026 07:20 Thauana Luares, Primeira Página primeirapagina.com.br

Um estudo da USP mostrou que frutas nativas brasileiras como jabuticaba, açaí, guaraná, cambuci e marolo têm compostos que protegem as células, combatem inflamações e previnem doenças como problemas no coração, diabetes e Alzheimer.

Aquela jabuticabeira carregada no quintal da avó ou o açaí que faz parte da rotina de muitos brasileiros podem valer mais do que se imagina. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) revelou que frutas nativas do Brasil, muitas vezes pouco valorizadas, apresentam compostos naturais com potencial para ajudar na prevenção de doenças associadas ao envelhecimento.

A pesquisa analisou dezenas de estudos científicos sobre frutas como jabuticaba, açaí, guaraná, cambuci e marolo e encontrou evidências de que os compostos bioativos presentes nesses alimentos ajudam a combater a inflamação e o estresse oxidativo, dois processos ligados ao envelhecimento celular e ao surgimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

  • A jabuticaba foi a fruta que mais se destacou, com forte ação antioxidante.
  • O guaraná pode ajudar a proteger o cérebro contra doenças como Alzheimer e Parkinson.
  • As sementes do açaí, que geralmente são jogadas fora, também têm benefícios.
  • Os compostos dessas frutas ajudam a neutralizar os radicais livres, que danificam as células.
  • O estudo ainda precisa de mais testes em humanos para confirmar os resultados.

Os superpoderes escondidos nas frutas brasileiras

Segundo os pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos atuam como uma espécie de escudo natural para o organismo. Elas ajudam a neutralizar radicais livres, reduzem inflamações e fortalecem os mecanismos de defesa das células.

De acordo com a nutricionista e pesquisadora Maria Carolina Zsigovics Alfino, controlar a inflamação crônica e o estresse oxidativo é fundamental para combater processos relacionados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças crônicas.

Jabuticaba lidera as descobertas

Entre todas as frutas avaliadas, a jabuticaba foi a grande destaque do estudo. Pesquisas apontam que compostos presentes na casca, na polpa e até nos galhos da planta possuem forte ação antioxidante e podem ajudar a reduzir marcadores relacionados à:

  • Obesidade;
  • Resistência à insulina;
  • Inflamações intestinais;
  • Problemas cardiovasculares.

Os efeitos são atribuídos principalmente às antocianinas, aos flavonoides e ao ácido elágico, substâncias que ajudam a proteger as células contra danos causados pelos radicais livres.

Guaraná pode beneficiar a saúde do cérebro

O guaraná, outro símbolo da biodiversidade brasileira, chamou a atenção pelo potencial neuroprotetor. De acordo com a revisão científica, a combinação de cafeína e catequinas pode contribuir para proteger o cérebro, reduzindo danos causados pelo estresse oxidativo e pela inflamação, fatores associados a doenças como Alzheimer e Parkinson.

Os pesquisadores também identificaram evidências de que compostos presentes no fruto ajudam a reduzir processos inflamatórios no sistema nervoso, reforçando seu potencial para a manutenção da saúde cerebral.

Açaí vai além da polpa

Já o açaí apresentou resultados promissores não apenas na polpa, mas também nas sementes, normalmente descartadas. Pesquisas indicam que elas concentram compostos antioxidantes capazes de ajudar no controle de processos inflamatórios relacionados a doenças metabólicas, cardiovasculares e renais.

O aproveitamento dessas partes da fruta pode ampliar os benefícios à saúde e ainda contribuir para o uso mais sustentável dos alimentos.

Benefícios também chegam ao intestino

Além dos efeitos observados no coração e no cérebro, os cientistas destacaram um possível impacto positivo dessas frutas sobre a microbiota intestinal. O consumo de compostos bioativos pode favorecer bactérias benéficas do intestino, fortalecendo a chamada conexão intestino-cérebro e contribuindo para a saúde geral do organismo.

Nesse cenário, o guaraná se destacou pelos efeitos neuroprotetores, enquanto a jabuticaba apresentou resultados promissores no controle da inflamação intestinal.

Apesar dos resultados animadores, os autores fazem um alerta: a maior parte das evidências ainda vem de estudos realizados em laboratório ou em animais. Por isso, são necessários mais ensaios clínicos com seres humanos para confirmar os efeitos observados.

Para a professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, da USP, identificar alimentos acessíveis e ricos em compostos bioativos pode contribuir para estratégias de promoção da saúde pública e prevenção de doenças crônicas.