18 de julho de 2026

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Yara vê lucros crescerem com alta de fertilizantes, mas guerra reduz vendas

Geral Fertilizantes 18/07/2026 10:48 Luiz Fernando Sá - AgFeed agfeed.com.br

A gigante norueguesa de fertilizantes Yara teve um aumento de 39% no lucro, mas vendeu menos do que o esperado por causa da guerra no Oriente Médio. Os agricultores estão adiando as compras por causa dos preços altos, o que preocupa o mercado.

A gigante norueguesa de fertilizantes Yara foi atingida por estilhaços da guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Com a turbulência no mercado causada pelo conflito, a companhia registrou, no segundo trimestre de 2026, um resultado abaixo do que o mercado esperava.

  • O lucro da Yara cresceu 39% em relação ao ano passado, mas ficou 20% abaixo do que os analistas esperavam.
  • As vendas caíram 17% porque os agricultores estão adiando as compras de fertilizantes, que estão mais caros.
  • A guerra no Oriente Médio fez o preço dos fertilizantes disparar, o que prejudicou as vendas.
  • A empresa acredita que as compras podem voltar ao normal em julho, mas ainda há incertezas.
  • Os custos com gás natural, matéria-prima importante para fazer fertilizantes, devem aumentar nos próximos meses.

O balanço do período, divulgado na sexta-feira, 17 de maio, mostra uma situação estranha criada pelo aumento dos preços dos fertilizantes depois do início dos combates e do fechamento do Estreito de Ormuz: as margens de lucro ficaram maiores, mas as vendas caíram e os clientes estão adiando as compras.

Assim, o Ebitda ajustado (que exclui itens extraordinários) somou US$ 906 milhões no período, uma alta de 39% na comparação anual, mas cerca de 20% abaixo dos US$ 1,13 bilhão esperados pelos analistas. O fluxo de caixa operacional trimestral caiu para US$ 682 milhões, contra US$ 878 milhões um ano antes.

Enquanto as margens subiam, as vendas iam no sentido contrário. As entregas da companhia caíram 17% no trimestre, reflexo direto da disparada nos preços do nitrogênio, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O efeito nos números

O efeito não foi igual para tudo. Se as margens mais altas aumentaram o Ebitda em US$ 520 milhões na comparação anual, a combinação de volumes menores e mudanças nos produtos reduziu o resultado em US$ 240 milhões.

A explicação está no comportamento dos compradores. Com os preços no pico no momento em que muitos agricultores não tinham necessidade imediata de aplicar nos campos, as compras foram adiadas. O atraso gerou acúmulo de estoques e pressionou o fluxo de caixa da empresa.

"Se você não precisa do produto para aplicar imediatamente e pode adiar sua decisão de compra, é isso que provavelmente está acontecendo e é o que estamos vendo", disse o presidente da empresa, Svein Tore Holsether, em entrevista a jornalistas.

Recuperação e incertezas

Apesar do trimestre fraco, a Yara sinaliza que as compras já começaram a se recuperar nos mercados centrais em julho. A companhia aponta ainda que os baixos níveis de importação de nitrogênio indicam que volumes significativos ainda precisam ser comprados.

Nada garante, no entanto, que a recuperação vai continuar. Os preços da ureia até tentaram cair em meados de junho, com anúncios de um possível acordo de paz e o fim da safra no Hemisfério Norte.

De acordo com a Bloomberg Green Markets, no entanto, voltaram a subir 24% em três semanas no Egito, que serve de referência para a região, até 10 de julho, com o início da demanda vinda de produtores do Brasil e da Argentina.

O conflito no Oriente Médio, no entanto, segue como fator de incerteza e se coloca, como a própria Yara definiu, como "um verdadeiro teste de resistência" que se aproxima para a produção de petróleo e gás natural no Golfo Pérsico.

As tensões renovadas aumentam o risco de oferta mais apertada na próxima safra, o que pode tanto sustentar as margens quanto atrapalhar novas encomendas dos agricultores.

Custos mais altos

Para os próximos trimestres, a empresa projeta custos mais elevados com gás natural, insumo-chave para a produção de fertilizantes nitrogenados. Os gastos devem ficar entre US$ 75 milhões e US$ 115 milhões acima do registrado um ano antes no terceiro e quarto trimestres, respectivamente.

Em um relatório, analistas do Citi resumiram a principal dúvida que paira sobre as ações da empresa, que oscilaram no campo negativo ao longo do dia, chegaram a cair 5% e fecharam com recuo de 0,8%: "O debate daqui para frente é se o enfraquecimento das pré-compras no segundo trimestre se desloca para trimestres posteriores ou se sinaliza uma destruição mais persistente da demanda", escreveram.