18 de julho de 2026

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Carro financiado para integrante de facção é devolvido ao banco

Geral Justiça 18/07/2026 10:46 Leonardo Heitor - Folhamax folhamax.com

A Justiça de Mato Grosso determinou que um Toyota Corolla Cross, financiado para um suspeito de fornecer veículos ao Comando Vermelho, seja devolvido ao banco. O juiz também decidiu que qualquer valor que sobrar após o pagamento da dívida deve ficar com a Justiça, pois pode estar ligado ao crime.

O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, aceitou o pedido do Banco Toyota do Brasil S.A. para devolver um Toyota Corolla Cross. O carro foi financiado para Renan Freire Borman, que é suspeito de dar veículos para integrantes do Comando Vermelho (CV). Na decisão, o juiz também determinou que, se sobrar algum dinheiro depois de pagar a dívida, esse valor deve ficar depositado na Justiça.

  • O carro foi financiado em 36 parcelas de R$ 2,1 mil, totalizando R$ 76,2 mil.
  • A operação Apito Final prendeu 25 pessoas e bloqueou R$ 65,9 milhões de um esquema criminoso.
  • O suspeito Renan Borman é apontado como fornecedor de veículos para o tesoureiro do Comando Vermelho.
  • O banco não conseguiu retirar o carro do sistema porque a Justiça havia bloqueado o veículo.
  • O juiz mandou o banco depositar em juízo qualquer valor que sobrar após a venda do carro.

A operação Apito Final foi feita em abril de 2024 e teve como principal alvo Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como W.T, que é apontado como tesoureiro do Comando Vermelho. Segundo as investigações, ele usava um time de futebol amador chamado "Amigos do WT" para lavar dinheiro do crime. Ele foi preso em Maceió, Alagoas.

Durante a operação, foram cumpridos 25 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. Também foram bloqueados 33 imóveis, 45 veículos e 25 contas bancárias. Tudo isso faz parte de um esquema que movimentou R$ 65,9 milhões. A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil de Mato Grosso descobriu que Paulo Witer usava várias pessoas, como amigos, familiares e advogados, como 'laranjas' para comprar imóveis, veículos e alugar carros.

O pedido do banco

O Banco Toyota entrou na Justiça pedindo o fim do bloqueio de um Toyota Corolla Cross, ano 2023/24, que foi apreendido na operação. O carro estava financiado em nome de Renan Freire Borman, que é um dos alvos da investigação e é apontado como fornecedor de veículos para o tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Segundo a ação, Renan Freire financiou parte do valor do carro em 36 parcelas mensais de R$ 2,1 mil, totalizando R$ 76,2 mil. O veículo foi dado como garantia no contrato de alienação fiduciária. Depois que o carro foi apreendido, as parcelas não foram mais pagas.

Em março de 2026, o banco conseguiu um mandado de busca e apreensão do carro. Mas a restrição imposta pela Sétima Vara Criminal de Cuiabá impedia que o veículo fosse transferido para o nome do banco. Também não era possível emitir um novo licenciamento no sistema Renavam. Por isso, o Banco Toyota entrou com a ação na Justiça.

A decisão do juiz

O juiz aceitou o pedido do banco, mas deixou claro que qualquer valor que sobrar depois de pagar a dívida não deve ser devolvido à instituição financeira. Segundo o juiz, esse dinheiro extra está ligado aos crimes investigados e deve ficar depositado na Justiça.

"Portanto, em atenção a todo o exposto, acolho os embargos e determino a baixa da restrição de circulação lançada via Renajud sobre o veículo Toyota Corolla Cross. Determino, contudo, que a instituição financeira embargante preste contas acerca da alienação do bem em questão nestes autos, devendo demonstrar que recolheu para si tão somente os valores estipulados no contrato, e depositar em juízo qualquer montante eventualmente excedente para fins de perdimento, mantendo-o à disposição desta 7ª Vara Criminal de Cuiabá", diz a decisão.