18 de julho de 2026

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Ansiedade Sem Celular: 60% dos Brasileiros Sofrem Quando Ficam Longe do Aparelho

Geral Nomofobia 18/07/2026 10:41 Rafael Damas - Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

Um estudo recente mostrou que 60% dos brasileiros sentem ansiedade quando ficam longe do celular. Esse problema é chamado de nomofobia, que é o medo irracional de ficar sem o aparelho. O Brasil tem o maior índice de uso excessivo de tela entre os países da América Latina, e muitos brasileiros admitem que usam o celular demais, o que já causou problemas pessoais e profissionais para algumas pessoas.

Um estudo feito pela plataforma Nomophobia.com, que analisa como a tecnologia afeta a vida das pessoas, mostra que 60% dos brasileiros sentem ansiedade quando ficam longe do celular. Esse comportamento é chamado de nomofobia, que é o medo irracional ou a ansiedade extrema de ficar sem o aparelho. A pesquisa também revelou que 87% dos entrevistados se consideram dependentes do smartphone para fazer atividades do dia a dia.

  • 60% dos brasileiros sentem ansiedade quando ficam longe do celular - O estudo mostra que a maioria tem medo de ficar sem o aparelho.
  • Nomofobia é o nome do problema - É o medo irracional de ficar sem celular, algo que cresce cada vez mais.
  • Brasil lidera o ranking de uso excessivo - 79% dos brasileiros admitem que usam o celular demais, mais do que em outros países.
  • Problemas no trabalho e na vida pessoal - 35% tiveram problemas e 13% perderam o emprego por causa do uso excessivo do celular.
  • Uso em momentos inusitados - Muitos usam o celular em igrejas, andando de bicicleta e até durante relações sexuais.

A pesquisa ouviu 3.094 pessoas de seis países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru), sendo 758 brasileiros. Os resultados mostram que o uso do celular no Brasil está crescendo: 71% disseram ter um aparelho e 27% têm dois. Entre os brasileiros, 12% acreditam que sofrem de nomofobia, o maior índice entre os países pesquisados. Na Argentina, Colômbia e México, o índice foi de 6% cada; no Chile, 8%; e no Peru, 9%. Além disso, 79% dos brasileiros reconheceram que usam o telefone em excesso, um número maior do que no México (63%), Argentina (62%) e Peru (57%). Esse uso exagerado causou problemas pessoais ou profissionais para 35% e perda do emprego para 13% das pessoas. Os brasileiros usam o celular até em situações inusitadas, como durante eventos religiosos (20%), andando de bicicleta (11%) e durante relações sexuais (4%). O estudo também mostra que 76% olham o telefone assim que acordam e 80% fazem disso a última coisa antes de dormir.

Consequências psicológicas e físicas

Segundo Mariana Soto, psicóloga do Hospital Saúde Premium, especializado em saúde mental, em Capela do Alto (SP), a nomofobia é um transtorno da sociedade digital moderna, causado pelos avanços tecnológicos. Ela é considerada um dos principais novos transtornos do século XXI. O termo foi criado em 2008 e vem do inglês "no-mobile-phone phobia" (fobia de ficar sem celular). A psicóloga explica que o problema não é só a ansiedade de ficar desconectado, mas também a urgência de checar mensagens e garantir que tudo está sob controle. O principal sinal, segundo ela, é quando situações como ficar sem bateria, perder o sinal ou esquecer o celular causam um desespero fora do normal. Esse sentimento pode vir acompanhado de sofrimento, irritação, ansiedade e dificuldade para fazer tarefas simples do dia a dia. "Aos poucos, o aparelho deixa de ser só uma ferramenta e se torna uma espécie de segurança emocional", destaca.

De acordo com a psicóloga, a nomofobia pode causar crises de ansiedade, depressão, isolamento social, insônia, falta de concentração e baixa produtividade. Também há consequências físicas, como taquicardia, suor excessivo, tremores, tensão muscular, desconforto nos olhos, dores de cabeça, de estômago, no pulso e no pescoço.

Atendimento especializado é fundamental

A profissional recomenda buscar ajuda especializada assim que os primeiros sinais aparecerem. Segundo ela, a atenção da família, amigos e pessoas próximas é muito importante, pois eles podem perceber sintomas que a pessoa dependente não nota. Com o apoio de um psicólogo e, se necessário, de um psiquiatra, a pessoa pode entender melhor seu comportamento e construir uma relação mais saudável com a tecnologia. "A ideia não é cortar a tecnologia da vida, mas perceber quando essa relação começa a controlar demais o comportamento e as emoções", explica Mariana.